Plano da Fifa gera crise com a Uefa e ameaça Copa do Mundo de 2030
A proposta da Fifa, que visa a criação de uma empresa dedicada à administração de suas principais competições, provocou uma reação intensa no cenário do futebol europeu. De acordo com informações veiculadas pelo jornal britânico The Times na terça-feira, dia 28, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, pretende abrir parte do controle comercial da Copa do Mundo, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes para investidores privados. Essa iniciativa imediatamente gerou críticas por parte da Uefa e levanta a possibilidade de um boicote europeu à Copa do Mundo de 2030.
Detalhes da proposta
Conforme a publicação, o projeto envolve a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que se encarregaria da gestão comercial das competições mais relevantes da entidade. Embora a Fifa mantenha a posição de acionista majoritária, a proposta sugere a venda de até 20% da empresa para investidores privados, o que pode gerar uma movimentação financeira de bilhões de dólares.
A intenção da Fifa é utilizar os recursos financeiros obtidos com essa nova estrutura para ampliar suas receitas e aumentar os repasses financeiros às 211 federações filiadas à entidade. Atualmente, cada associação recebe aproximadamente R$ 41 milhões em cada ciclo. Caso o plano seja aprovado, esse valor poderá ultrapassar R$ 100 milhões até a Copa do Mundo de 2030, com novos aumentos previstos para os ciclos subsequentes.
De acordo com o The Times, o fundo Thrive Eternal, liderado por Joshua Kushner, além do banco JPMorgan, estão entre os principais interessados em investir na nova empresa.
Reação da Uefa
Entretanto, a proposta encontrou forte resistência na Europa. Em uma nota oficial, a Uefa expressou que a ideia ultrapassa um limite que as entidades responsáveis pelo futebol não deveriam cruzar e criticou a falta de transparência nas negociações. A entidade afirmou: “A alma e a governança do futebol não estão à venda. Nenhum de nós é dono do futebol, e a Fifa não tem o direito de comercializá-lo”.
Aleksander Ceferin, que é o presidente da Uefa, e Gianni Infantino, presidente da Fifa, se encontraram em um evento. Esta interação é vista como parte do contexto que envolve as tensões entre as duas entidades.
Possível boicote da Uefa à Copa do Mundo de 2030
Além da manifestação pública de oposição, dirigentes ligados à Uefa estão discutindo a possibilidade de uma resposta mais rigorosa. Segundo informações da emissora britânica Sky Sports, representantes das federações europeias estão considerando até mesmo a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo de 2030. Uma reunião virtual entre as associações deve ocorrer nos próximos dias para definir uma posição conjunta sobre o assunto.
Enquanto isso, a Fifa defende que a nova estrutura permitirá uma exploração mais eficiente dos direitos de transmissão, patrocínios e outros ativos comerciais relacionados aos seus torneios. Por outro lado, críticos do projeto alertam que a entrada de investidores privados pode aumentar a pressão por decisões que priorizem o lucro, como a ampliação das competições, mudanças nos calendários e a priorização de sedes com maior potencial financeiro.
