A Fascinante História da Desejada Taça da Copa do Mundo

Taça da Copa do Mundo em Exibição

A taça mais desejada do mundo será apresentada no MetLife Stadium, neste domingo. A final da Copa do Mundo, marcada para às 16h, contará com a disputa entre Espanha e Argentina, que lutam pela honra de erguer o troféu. A trajetória deste pequeno objeto, no entanto, é repleta de histórias intrigantes, que vão desde seu requinte em ouro até eventos que se assemelham a enredos de filmes policiais.

Origem da Taça

A ideia de criar um troféu exclusivo surgiu em 1930, meses antes da primeira edição da Copa do Mundo. Os organizadores debatiam sobre o que poderia ser mais original do que as medalhas que os atletas já recebiam, as quais já eram bastante conhecidas a partir das Olimpíadas. Foi assim que decidiram que um troféu dourado e exclusivo seria a melhor representação para a competição.

A escultura foi criada pelo artista francês Abel Lafleur e simbolizava o corpo da Deusa grega Nice, que é a Deusa da Vitória na mitologia. Inicialmente, o troféu recebeu o nome de Deusa da Vitória, mas em 1946 a organização decidiu adotá-lo como Jules Rimet, em homenagem ao dirigente que liderou a FIFA nas décadas anteriores.

Regra da Posse Definitiva

Para tornar a taça ainda mais desejada, a FIFA estabeleceu uma regra: o país que conseguisse vencer a Copa do Mundo três vezes teria direito à posse definitiva do troféu. Até aquele momento, a equipe campeã recebia o troféu original no estádio, mas levava para casa apenas uma réplica.

O Brasil se tornou tricampeão em 1970, o que lhe garantiu a honra de guardar a taça Jules Rimet na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), localizada no Rio de Janeiro. Antes disso, a Itália e o Uruguai haviam se aproximado desse feito, conquistando dois títulos cada um. Curiosamente, essas seleções foram adversárias do Brasil na semifinal e na final, respectivamente, durante o torneio realizado no Estádio Azteca.

O Roubo da Taça

Primeiro Roubo na Inglaterra

A primeira ocorrência de desaparecimento da taça se deu na Inglaterra, em 1966. Às vésperas do oitavo Mundial, os responsáveis pela segurança perceberam que a taça havia sumido. Dias após o desaparecimento, um cachorro chamado Pickles encontrou o objeto enterrado em um jardim, localizado no sudeste de Londres. A polícia, então, recuperou o troféu, que estava embrulhado em um jornal. O tutor do animal, David Corbett, recebeu uma recompensa de 6 mil libras (equivalente a cerca de R$ 35 mil na cotação atual). Além disso, o cão passou a ser patrocinado por uma marca de ração por toda a sua vida.

Dois suspeitos chegaram a ser detidos, mas somente em 2018 o verdadeiro ladrão foi identificado, de acordo com informações publicadas pelo jornal britânico Daily Mirror. Os irmãos Sidney e Reg Cugullere foram apontados como os responsáveis pelo roubo, mas acabaram se livrando da taça por medo da repercussão e das descrições que os soldados haviam produzido sobre eles.

Uma das fontes anônimas que falou com o jornal revelou: “Sid disse muitas vezes que seria o primeiro inglês a levantar a taça da Copa do Mundo. E ele o fez antes de Bobby Moore, que era o capitão da seleção em 1966”. A fonte ainda descreveu Sidney como um oportunista que, ao roubar o troféu, não teve ajuda interna ou apoio dos guardas.

O Mistério no Brasil

Treze anos após o tricampeonato, a taça Jules Rimet desapareceu novamente, desta vez no Rio de Janeiro. O episódio causou grande comoção mundial e prejudicou a imagem da CBF perante a FIFA. Apesar disso, a entidade máxima do futebol decidiu criar uma réplica especial para o Brasil, que foi apresentada em 1986.

Acredita-se que o objeto foi derretido para ser transformado em barras de ouro e vendido no mercado paralelo. Quatro homens foram presos em conexão com o crime: Sérgio Peralta, funcionário da CBF e suposto mentor do plano; Francisco José Rocha Rivera, conhecido como “Chico Barbudo”; e José Luiz Vieira, chamado de “Luiz Bigode”, que invadiram a sede da CBF e renderam o vigia. O quarto envolvido, Juan Carlos Hernandez, era um ourives de origem argentina que teria recebido a peça e a derretido.

Em 2015, a FIFA anunciou que partes da base original da taça haviam reaparecido e estão atualmente em Zurique, no museu da FIFA. O diretor do museu, David Ausse, comentou sobre a importância do achado, afirmando: “É como encontrar uma múmia egípcia. Você não pode colocar um preço nisso, é como se fosse as joias da família”.

A Nova Taça e Seu Design

A partir de 1974, o troféu passou a ter o design atual, tornando-se ainda mais famoso, com a representação dos continentes em alto relevo. Na era digital, a imagem do troféu circula pelo mundo com muito mais facilidade. Atualmente, a taça não recebe um nome especial em homenagem, sendo simplesmente denominada “Taça da Copa do Mundo”.

Além disso, o regulamento da competição também foi alterado. Agora, nenhum país pode ter a posse definitiva da taça, independentemente de quantas vezes vença a competição. A peça original é utilizada nas ações da FIFA durante os anos de Copa, mas os capitães das equipes levantam uma réplica, que é consideravelmente mais leve, em campo após a final.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, foi fotografado com o modelo atual da taça, que continua a ser um dos símbolos mais icônicos do futebol mundial.

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