Início da Maratona
Fernando Diniz assumiu o comando do Corinthians no início de abril de 2026 e, após um longo intervalo devido à Copa do Mundo, a equipe se prepara para iniciar uma intensa sequência de dez jogos em um mês. Essa maratona não é trivial, pois incluirá seis rodadas do Campeonato Brasileiro intercaladas pelas oitavas de final das Copas do Brasil e Libertadores. Entre 23 de julho e 23 de agosto, o Corinthians terá a oportunidade de demonstrar suas reais intenções para a temporada.
Confrontos e Desafios
A sequência de jogos terá início no dia 23 de julho, com o confronto contra o Remo, na Neo Química Arena, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. O término dessa maratona ocorrerá em 23 de agosto, diante do Coritiba, pela 24ª rodada. No meio desses jogos, o Corinthians enfrentará o Internacional e o Rosário Central, ambos em partidas de mata-mata, pelas oitavas de final da Copa do Brasil e Libertadores, respectivamente. Em ambos os casos, a equipe terá a chance de decidir a vaga diante de sua torcida, no Estádio de Itaquera.
Situação Financeira e Desafios de Fernando Diniz
Neste cenário, o Corinthians enfrenta uma grave crise financeira e está impossibilitado de registrar novos jogadores durante a atual janela de transferências. Essa maratona decisiva apresentará enormes desafios para o treinador Fernando Diniz. Atualmente, a equipe ocupa a 12ª posição no Campeonato Brasileiro, com 24 pontos, o que significa que não há margem suficiente para que o time possa se dar ao luxo de poupar jogadores e focar exclusivamente nas copas. Assim, para sobreviver nas duas competições eliminatórias sem correr o risco de entrar na zona de rebaixamento, o treinador terá como uma de suas principais metas reencontrar a solidez defensiva que marcou o início de sua passagem pelo clube.
Buscando a Consistência Defensiva
Fernando Diniz fez sua estreia como técnico do Corinthians no dia 9 de abril, obtendo uma vitória de 2 a 0 sobre o Platense, na Argentina, pela Libertadores. Nas partidas seguintes, o Corinthians teve um desempenho notável, vencendo quatro confrontos e empatando em dois, alcançando um total de sete jogos sem derrotas. Durante esse período, a defesa corintiana se destacou, não sofrendo gols, o que igualou um recorde histórico do clube, alcançado anteriormente em 1978 e 2014.
Entretanto, a situação mudou após a derrota para o Mirassol, por 2 a 1, no Campeonato Brasileiro. Desde então, o Corinthians entrou em campo em oito ocasiões, tendo conseguido não ser vazado em apenas duas delas: contra o Barra, na Copa do Brasil, e diante do Atlético-MG, pelo Brasileirão. Nesse intervalo, a equipe sofreu dez gols, com uma média de 1,25 gol por partida.
Derrota Inédita na Neo Química Arena
Além disso, o Corinthians sofreu uma derrota inédita na Neo Química Arena sob a nova direção de Diniz. No dia 27 de maio, a equipe perdeu por 2 a 0 para o Platense, o mesmo adversário da estreia do treinador. Essa derrota resultou na perda da invencibilidade na Libertadores e foi apenas a segunda vez que o time foi vazado em casa sob a liderança de Diniz, sendo a primeira no clássico contra o São Paulo, no Brasileirão. Após o jogo, o técnico não hesitou em expressar sua decepção: “Decepcionado. O time jogou mal. O treinador, quando o time joga mal assim, é o principal responsável. Jogou de uma maneira acelerada, com muita pressa. Era para cadenciar e acelerar na hora certa. Errou muito passe. A bem da verdade é que eles não criaram nada. Me preocuparia se fosse uma rotina do time”, declarou ele em coletiva.
A Última Impressão
Três dias após a derrota para o Platense, o Corinthians conseguiu uma vitória importante, derrotando o Grêmio por 3 a 1, em Porto Alegre. Esse triunfo, obtido no último jogo antes da pausa para a Copa do Mundo, foi crucial para apagar a má impressão deixada pela derrota anterior e impediu que a equipe entrasse na parada em uma situação crítica na tabela, próximo da zona de rebaixamento.
Com essa vitória, os números de Diniz à frente do Corinthians se mostraram acima da média de sua carreira, apresentando um aproveitamento de 64,6% dos pontos. Ao todo, contabiliza nove vitórias, quatro empates e três derrotas. Embora a equipe esteja na parte inferior da tabela do Campeonato Brasileiro, os resultados sob o comando do treinador são dignos de um time que briga pelo G6, com quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas.
Diniz manifestou otimismo após o jogo contra o Grêmio, afirmando: “A gente vai evoluir em todas as frentes. Mas a parte mais importante foi instalada rapidamente. O futebol, do jeito que vejo o jogo, tem um tripé que define o que penso: futebol é viver, vida em movimento. Vontade, fome, solidariedade e coragem para fazer as coisas. Essas características são imprescindíveis. Por isso as coisas ocorreram de forma rápida”.
Ajustes e Pressões na Sequência
Com a proximidade dos jogos, que ocorrerão a cada três ou quatro dias e com algumas longas viagens para locais como Salvador, Porto Alegre e Rosário, Diniz terá pouco tempo para treinos. Assim, essa sequência de jogos, que poderá definir o futuro da temporada, irá colocar à prova os ajustes implementados durante a pausa para a Copa do Mundo.
A evolução esperada pelo treinador dependerá da capacidade da equipe em suportar fisicamente a intensa sequência de jogos, além de resolver impasses relacionados ao elenco. Entre esses desafios está a renovação do contrato de Memphis Depay, que se encerra em 31 de julho, além da possibilidade de trazer novos reforços durante a janela de transferências, que se estenderá até 11 de setembro. Neste momento, o clube enfrenta restrições para registrar novos jogadores devido a três transfer bans acumulados, impostos pela CBF e FIFA.
O Corinthians lida com essas dificuldades financeiras há várias temporadas. Apesar disso, a equipe conseguiu conquistar dois títulos recentes, a Copa do Brasil de 2025 e a Supercopa do Brasil de 2026. No entanto, essas conquistas não foram suficientes para garantir a permanência de Dorival Júnior no cargo. Assim, mesmo com os bons números de Fernando Diniz, enfrentar a maratona e manter a expectativa de conquistar pelo menos um título será fundamental para o moral da torcida.
Um dos pontos positivos é que, sob a direção de Diniz, a equipe apresenta um aproveitamento de 79,2% em casa, na Neo Química Arena. Esse dado traz otimismo para a maratona de dez jogos, especialmente para os confrontos nas Copas do Brasil e Libertadores, já que as partidas de volta nos dois torneios acontecerão na casa corintiana. A sequência de jogos entre 23 de julho e 23 de agosto será determinante para o futuro da temporada do Corinthians em 2026.