Brasil e Haiti: Uma Rivalidade Histórica
Quando Brasil e Haiti entrarem em campo pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026, o confronto terá um significado que vai além do que sugere o histórico amplamente favorável aos brasileiros. A relação entre as duas seleções começou em meio a uma crise política, passou por goleadas marcantes e chega ao Mundial em um momento de crescimento sem precedentes do futebol haitiano.
Retrospecto dos Encontros
Ao longo da história, os países se enfrentaram apenas três vezes. O retrospecto é amplamente favorável ao Brasil, que conquistou três vitórias, marcou um total de 17 gols e sofreu apenas um. No entanto, esses números representam apenas uma parte da história.
O primeiro embate entre as seleções aconteceu em 1974. Na ocasião, em Brasília, o Brasil venceu o Haiti por 4 a 0, com gols de Paulo César Caju, Rivellino, Marinho Chagas e Edu.
O "Jogo da Paz"
O capítulo mais marcante dessa rivalidade ocorreu em 18 de agosto de 2004. Naquela época, o Haiti enfrentava uma profunda crise política e social, enquanto o Brasil liderava a missão de paz da ONU em solo haitiano. Com o intuito de promover um símbolo de aproximação com a população local, foi realizado um amistoso em Porto Príncipe, que ficou conhecido mundialmente como o "Jogo da Paz".
Antes do início da partida, uma cena se destacou na memória coletiva. Cercados por milhares de haitianos, jogadores renomados como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e outros percorreram as ruas da capital em veículos blindados da ONU, que são utilizados como tanques de guerra pelas forças de paz. Essa imagem se tornou um símbolo do contexto extraordinário que envolvia aquele amistoso.
Dentro de campo, o Brasil confirmou seu favoritismo e goleou o Haiti por 6 a 0. Ronaldinho Gaúcho teve uma atuação brilhante, marcando três gols, enquanto Roger anotou dois e Nilmar completou o placar diante de um estádio Sylvio Cator completamente lotado. Mais do que o resultado em si, o evento deixou uma marca afetiva no Haiti, que, por algumas horas, viu o futebol ocupar o centro das atenções em um país acostumado a viver sob instabilidade política e dificuldades econômicas.
Reencontro na Copa América
O terceiro encontro entre Brasil e Haiti ocorreu apenas 12 anos depois, na Copa América Centenário de 2016, disputada nos Estados Unidos. Novamente, a diferença técnica entre as duas seleções ficou evidente. Com uma grande atuação de Philippe Coutinho, que marcou três gols, o Brasil venceu por 7 a 1. Renato Augusto também teve destaque, anotando duas vezes, enquanto Gabigol e Lucas Lima completaram a goleada. O volante James Marcelin conseguiu descontar para os haitianos, anotando o único gol da história do país contra a Seleção Brasileira.
Curiosamente, a goleada não resultou em sucesso para nenhum dos lados. O Haiti foi eliminado na fase de grupos, assim como o Brasil, que terminou a competição de forma melancólica após uma derrota para o Peru. Poucos dias depois, o técnico Dunga deixou o comando da Seleção Brasileira.
O Novo Cenário do Futebol Haitiano
Contudo, se nas edições anteriores o Haiti aparecia como um adversário sem grandes pretensões internacionais, o cenário atual é bastante diferente. A seleção caribenha chega à Copa do Mundo vivendo o melhor momento de sua história. Nos últimos anos, a equipe mostrou uma evolução consistente e passou a competir de igual para igual com rivais tradicionais da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf).
Resultados expressivos foram acumulados, e a seleção haitiana, que anteriormente era vista como uma equipe fragilizada, já não é mais a mesma. A equipe evoluiu significativamente na última década, investiu na formação de atletas e tem se mostrado capaz de competir de forma mais equilibrada contra os rivais da Concacaf, o que a credencia para participar da Copa do Mundo de 2026.
Considerações Finais
A história entre Brasil e Haiti no futebol é marcada por momentos emblemáticos e um crescimento notável da seleção haitiana. Desde a goleada do passado até a evolução recente, o encontro na Copa do Mundo de 2026 promete ser um capítulo interessante desta rivalidade.