Haiti pode ser uma pedra no caminho da Seleção
Cabo Verde e a República Democrática do Congo impediram as vitórias de Espanha e Portugal, respectivamente, na primeira rodada desta Copa do Mundo. Ambas as seleções, consideradas favoritas, deixaram pontos diante de adversários que têm pouca expressão no cenário internacional. Nesta sexta-feira, 19 de outubro, no Lincoln Financial Field, localizado na Filadélfia, às 21h30 (horário de Brasília), o Haiti busca aumentar a quantidade de surpresas do Mundial e, assim, fazer história.
Franco-atiradores
Os Grenadiers, como são conhecidos os jogadores haitianos, tentarão explorar as interrogações que surgiram após o Brasil empatar com o Marrocos em 1 a 1, na semana passada, em Nova Jersey. Ao contrário de Marrocos e Escócia, que tiveram representantes da mídia presentes nos últimos treinos e entrevistas coletivas da Seleção Brasileira nos Estados Unidos, o Haiti ainda não contou com nenhum "espião" para acompanhar os passos da equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti.
A equipe de reportagem do Jogada10 localizou uma jornalista do próximo adversário do Brasil. A expectativa é de um final apoteótico, que poderia embolar o Grupo C da Copa do Mundo. Marie Sofonie Louis, repórter que cobriu o sorteio da Copa do Mundo em dezembro, em Washington, pela "BeIN Sports", declarou: "Queremos ir além de Cabo Verde e da República Democrática do Congo para chocar todo mundo. Nossa ideia é ser o que a Arábia Saudita foi para a Argentina em 2022, no Qatar. Ninguém esperava aquela vitória, mas aconteceu. Nossa missão é ganhar uma das três partidas. Crescemos assistindo ao Brasil e gostaríamos de enfrentar Neymar. Como não deve ser possível, estamos felizes, porém, por jogar contra Vini Júnior e Raphinha."
Volta ao Mundial
O Haiti não disputa uma Copa do Mundo desde 1974, na Alemanha. Nas Eliminatórias da Concacaf, a equipe caribenha conquistou a vaga superando rivais locais com mais tradição, como Costa Rica e Honduras, mesmo disputando seus jogos em Curaçao devido aos conflitos internos em seu país. Atualmente, o Haiti ocupa a 85ª posição no ranking da FIFA e estreou no Mundial de 2026 com uma derrota para a Escócia, com um placar de 1 a 0, em Boston. Contudo, vale destacar que os haitianos terminaram a partida contra os britânicos com mais posse de bola e mais finalizações.
A seleção caribenha aposta na força física de seus meio-campistas, além de uma velocidade considerável nas laterais do campo. Na defesa, destaca-se o nome mais conhecido do público brasileiro: o zagueiro Adé. Ele é titular na LDU, do Equador, e enfrentou, nos últimos anos, desafios contra grandes clubes brasileiros, como Botafogo, Palmeiras, São Paulo e Mirassol, na Copa Libertadores.
Alerta sobre goleadas
No Brasil, onde o elenco e a comissão técnica têm sido alvo de críticas intensas, o cuidado deve ser redobrado antes do confronto com os haitianos. Discutir a possibilidade de goleadas ou saldo de gols é um tema considerado proibido nos campos do CT do New York Red Bulls e nos corredores do The Ridge Hotel. Um dos líderes do grupo, o lateral-direito Danilo, lançou um alerta para a torcida brasileira.
"Vocês viram como Cabo Verde se defendeu contra a Espanha? É muito mais do que uma linha de seis ou sete jogadores defendendo. É uma questão de dar tudo em cada bola, desafiando a própria saúde, contra uma seleção favorita. Falar em golear o Haiti seria uma grande loucura. Ter uma expectativa elevada é um desrespeito com o que é o futebol hoje. O Brasil precisa entrar bem posicionado taticamente e buscar, sim, o comando da partida. Atacar em profundidade, fazer movimentos cruzados e encher a área são as nossas formas de demonstrar a vontade de conquistar a vitória", explicou o defensor do Flamengo.
Na outra lateral da defesa, o lateral-esquerdo Douglas Santos compartilha um pensamento semelhante ao de seu colega. "Eles têm uma intensidade que pude perceber no jogo contra a Escócia. O Haiti tem mostrado ser muito qualificado. Será um jogo difícil. Precisamos focar em vencer e não podemos ter a soberba de falar em golear apenas por ser o Haiti. O mais importante, neste momento, são os três pontos", ponderou o jogador do Zenit, da Rússia.