Crítica de Bárbara Coelho ao Termo Usado por Neymar
A partida entre Santos e Remo, realizada na quinta-feira, dia 2 de abril, gerou controvérsia após o jogador Neymar criticar o árbitro Sávio Pereira Sampaio utilizando um termo considerado pejorativo. Durante uma entrevista à beira do campo, o atacante se referiu ao árbitro como “de chico”. Em resposta, a jornalista Bárbara Coelho, da Cazé TV, manifestou sua desaprovação à conduta do atleta, ressaltando que a expressão é machista.
Entendimento da Expressão
Bárbara Coelho explicou o significado do termo utilizado por Neymar. Segundo ela, o termo “chico” é uma expressão que deve ser evitada, pois possui um forte cunho machista. A palavra está associada à ideia de algo nojento e desmerecedor. Ela afirmou: “E o ‘chico’, é uma expressão banida já. Porque tem um cunho muito machista, porque ‘chico’ vem de chiqueiro, de coisa nojenta, de como se a mulher, numa situação de ‘chico’, ela não prestasse”. A jornalista também comentou sobre a dificuldade de abordar esses temas, mas fez um apelo para que a expressão não seja mais utilizada.
Insatisfação de Neymar com a Arbitragem
Após a partida, Neymar não escondeu sua insatisfação em relação à arbitragem, especialmente devido a um cartão amarelo que recebeu. Ele comentou: “É injusto sabe. Sofri uma entrada nas costas, desleal, sem necessidade, no final do jogo. Não foi a primeira, era a terceira, quarta. Só fui reclamar com ele e tomei o amarelo”. O atacante também expressou sua frustração ao afirmar que o árbitro estava “de chico” e que, se não tivesse falado com ele, a situação poderia ter sido ainda pior. Neymar criticou o estilo de arbitragem, dizendo que o árbitro parecia querer ser o centro das atenções da partida: “Tipo de árbitro que quer ser a figura do jogo. Não foi só comigo”.
Declarações de Bárbara Coelho
Em sua análise, Bárbara Coelho enfatizou que a menção ao árbitro como “de chico” é problemática e que muitos podem não compreender o que a expressão realmente representa. “A menção ao Sávio estar ‘de chico’ é o problema da fala. Eu não sei se todos sabem o que essa expressão representa, mas ela representa o fato de quando uma mulher está menstruada”. A jornalista reiterou a necessidade de banir a expressão do vocabulário, pois contribui para a perpetuação de estigmas e preconceitos.
Rejeição ao Machismo no Vocabulário
Bárbara Coelho voltou a afirmar que o debate não diz respeito à liberdade de expressão, mas sim ao uso de uma expressão que é, em essência, machista. “E todas as vezes que as pessoas têm que se dirigir a algo ruim no futebol, trazem uma mulher, trazem uma expressão pejorativa para mulheres dentro do contexto”, criticou. Ela sugeriu que para evitar discussões sobre o tema, seria ideal que as pessoas deixassem de usar expressões machistas e se comprometesse a não reclamar mais sobre a arbitragem, a menos que situações desse tipo ocorressem novamente.
Compromisso com a Luta contra o Machismo
Bárbara Coelho afirmou sua determinação em não se curvar diante de falas machistas e destacou que sua escolha de se manifestar publicamente se deve ao seu compromisso com a luta contra a desigualdade. “Eu não vim disposta a falar sobre isso, mas eu não me curvo. É uma escolha que eu fiz. Então estou aqui mais uma vez dando a minha cara pra bater e dizendo que não: o Sávio não estava de ‘chico’ ontem”.
A jornalista também reconheceu que Sávio Pereira Sampaio teve uma atuação abaixo do esperado, mas defendeu que a crítica ao árbitro não deve ser feita por meio de termos que envolvem desmerecimento à figura feminina. “Sávio, ele fez uma partida ruim porque ele é um homem que comete erros. E ele deve ser questionado, ele deve ser criticado pelo trabalho dele, não porque ele está, enfim… dentro de um contexto pejorativo que envolve uma situação da mulher, sabe? Não é por isso”.
Conclusão
As declarações de Bárbara Coelho refletem uma preocupação com a linguagem utilizada em contextos esportivos e a necessidade de promover um ambiente mais respeitoso, onde expressões machistas não tenham espaço. A situação envolvendo Neymar e a crítica feita à arbitragem se transformou em um debate mais amplo sobre a responsabilidade de figuras públicas em suas falas e o impacto que isso pode ter na sociedade.
