Henrique Carmo recebe prêmio de melhor jogador em vitória do CSKA
Trajetória no São Paulo
Henrique Carmo, jogador que vestiu as cores do São Paulo entre os 7 e 18 anos, deixou o clube do Morumbi com apenas sete partidas disputadas entre os profissionais, o que ocorreu em setembro de 2025. A escassez de oportunidades levou o atleta a buscar seu sonho de atuar no futebol europeu, resultando na transferência para o CSKA, da Rússia. A busca por mais tempo em campo foi atendida no futebol russo, onde Henrique teve um desempenho destacado na vitória de sua equipe por 3 a 1 contra o Dínamo-Dagestan no último fim de semana, contribuindo com uma assistência e marcando seu primeiro gol como profissional.
A felicidade pela conquista
Em entrevista ao Terra, Henrique compartilhou sua alegria com o momento vivido. “Trabalhei muito para chegar a esse momento. Chegou a hora de acontecer e eu fiquei muito feliz da forma que foi: junto com vitória e com a assistência. Mas acredito que foi muito por conta do trabalho. Levo uma frase comigo que é ‘o trabalho devolve’. Estou muito feliz e quero só desfrutar desse momento”, afirmou. Desde que começou a atuar pelo CSKA, Henrique participou de 19 das 22 partidas da equipe. Para conquistar a tão desejada sequência de jogos, o jovem, que foi revelado em Cotia, precisou se adaptar ao estilo de jogo físico do futebol russo.
Adaptação e treinamento
Como um ponta-direita que gosta de atacar os defensores adversários, o brasileiro decidiu montar uma academia em casa para fortalecer sua estrutura muscular. Desde então, ele conseguiu aumentar seu peso de 67 para 72 quilos. “O que mais trabalhei nesses últimos tempos foi essa parte física, muita academia e trabalho de fortalecimento para poder aguentar a carga. Toda hora é bola longa e disputa aérea, muitas das vezes tem que estar preparado para esses momentos. Já estou cada vez mais me adaptando, ainda é difícil, muitas das vezes os laterais e os zagueiros são muito fortes, mas tento, com a minha característica, mudar o jogo quando a bola chega aos meus pés”, explicou Henrique sobre seu processo de adaptação.
Desafios fora de campo
Fora do campo, Henrique também enfrentou desafios significativos, incluindo o frio e as mudanças na alimentação. No entanto, a principal dificuldade tem sido o idioma, que ele já começou a aprender. “Uma vez não sei o que a pessoa falou comigo e aí eu fui fazer tal ação achando que eu tinha entendido o que ela me falou. Fiz errado, aí o pessoal deu risada. [Outra vez], tentando me comunicar com o motorista, a gente marcou um horário e acabou não dando certo. A comunicação não é tão simples. No campo, muitas vezes eu entendo uma coisa, mas é outra, aí depois a gente tenta conversar de alguma forma”, relatou sobre sua experiência em um país tão diferente.
Passagem pelo São Paulo
Antes de se mudar para o frio de Moscou, Henrique teve a oportunidade de sentir o calor da torcida do São Paulo. Embora não tenha sido frequentemente utilizado pelos técnicos Luis Zubeldía e Hernán Crespo, ele aproveitou as poucas chances que teve, inclusive emocionando os torcedores ao dar uma assistência para Lucas em um empate em 2 a 2 contra o Sport. Essa atuação foi crucial, pois impediu que o atacante fosse emprestado ao PSV, da Holanda. A transferência para o CSKA ocorreu no último dia da janela de transferências, por decisão do próprio jogador, que viu na proposta uma oportunidade de iniciar sua carreira na Europa.
A decisão pela transferência
Henrique compartilhou que tudo aconteceu rapidamente, mas que ele já tinha o desejo de seguir em frente. “Aconteceu tudo tão rápido, mas, sim, eu tinha essa vontade de ir e cheguei a conversar com o pessoal naquela época. Falei para o meu empresário e para as pessoas que estavam comigo que eu queria ir. Eu falava que estava feliz no São Paulo, obviamente, mas que meu sonho sempre foi sair e criar meu caminho na Europa”, comentou sobre a negociação.
Considerações sobre o CSKA
Com o interesse do PSV em sua contratação, a escolha pelo CSKA envolveu várias motivações. Henrique destacou que o dinamismo do futebol foi um fator importante em sua decisão. “Quando apareceu a proposta, eles chegaram a conversar comigo, falei que, se pudesse, realmente queria, porque achava que era a oportunidade da minha vida. Tinha que ir para poder me desenvolver cada vez mais, poder começar a jogar. Eu achava que era o momento de começar a jogar. Infelizmente, no São Paulo, não pude ter tantas oportunidades, mas isso faz parte do futebol. Vi que o projeto do CSKA era muito legal para o meu desenvolvimento. Também era uma proposta boa que iria ajudar também a minha família, as coisas que eu priorizava naquele momento. Isso também foi ideal para a minha escolha”, ele acrescentou sobre sua saída.
Reflexões sobre a transição
Antes de decidir pela mudança, Henrique passou cerca de um ano na transição das categorias de base para o time profissional do São Paulo. “Foi um momento difícil, porque todo jogador de futebol quer jogar. Mas eu pude entender o processo e respeitar esse processo. Temos que passar pelo processo para poder viver o propósito e eu pude viver intensivamente esse processo. Foi realmente muito difícil porque eu sempre quero estar em campo, ajudando e desfrutando do que eu amo fazer”, refletiu sobre esse período.
Apoio de companheiros e ídolos
Durante sua trajetória, Henrique contou com o apoio de companheiros mais experientes, como Ferreirinha, Sabino, Rodriguinho e Negrucci, mas destacou a importância de um ídolo em sua vida: Lucas Moura. “Eu gosto sempre de citar o Lucas porque, pra mim, foi o principal cara que me ajudou dentro de São Paulo, me ajudou em tudo, em todos os momentos. Não só dentro de campo, mas fora dele. Mas não só ele, o elenco do São Paulo é muito bom”, recordou sobre o apoio recebido.
Expectativas para o futuro
Em relação ao futuro de sua carreira, Henrique expressou o desejo de continuar se destacando com a camisa do CSKA. Ele também sonha em disputar a Liga dos Campeões da Europa e retornar a vestir a camisa da Seleção Brasileira, que já usou nas categorias de base. Mesmo que sua participação em competições europeias não ocorra pelo CSKA, que atualmente está banido junto com outros clubes russos, o atacante mantém altas expectativas em relação às possibilidades que pode alcançar. “Eu acompanho muito o Barcelona. Sempre acompanhei, desde a época do Messi e do Neymar. Tenho um carinho grande pelo Barcelona, mas também tenho muita vontade de jogar na Premier League. É um campeonato que eu acompanho bastante. Acho que essas duas são minhas ligas preferidas dessa parte da Europa”, finalizou.
