Infantino usou dinheiro da Uefa para bancar amante
Uma investigação realizada pelo jornal britânico The Telegraph revelou que a Uefa, a União das Associações Europeias de Futebol, pagou uma indenização de seis dígitos a uma funcionária que teria mantido um relacionamento com Gianni Infantino, atual presidente da Fifa. Esse relacionamento ocorreu durante o período em que Infantino atuava como secretário-geral da entidade europeia.
Contexto do relacionamento
Gianni Infantino assumiu o cargo de secretário-geral da Uefa em 2009 e permaneceu nessa função até 2016, quando foi eleito presidente da Fifa. O dirigente italiano é casado desde 2001 com Leena Al Ashqar, uma libanesa com quem tem quatro filhos. Segundo as informações apuradas, a funcionária envolvida no caso, cujo nome é mantido em sigilo, foi promovida de uma função administrativa para um cargo de chefia enquanto mantinha o relacionamento com Infantino. Essa promoção resultou em um aumento de 30% em seu salário, que passou a ser de aproximadamente 160 mil francos suíços, o equivalente a cerca de 1 milhão de reais por ano. As denúncias indicam que os recursos que foram utilizados para essa promoção deveriam ter sido direcionados ao desenvolvimento de categorias de base, ao futebol feminino e à infraestrutura do esporte.
Benefícios recebidos pela funcionária
Além da indenização recebida, a funcionária também foi beneficiada com o custeio de um MBA no valor de 45 mil libras esterlinas, o que corresponde a cerca de 308 mil reais anuais, além de apoio para sua recolocação no mercado de trabalho, como ordenado por Infantino. O desfecho do relacionamento e a rescisão do contrato ocorreram após o então presidente da Uefa, Michel Platini, ter descoberto o caso e exigido o desligamento de um dos envolvidos.
Reações e posicionamentos
A Uefa confirmou a realização dos pagamentos e as alegações de relacionamento, mas afirmou que seguiu todas as normas vigentes na época. Em nota, a Fifa negou as acusações em nome de Gianni Infantino, classificando-as como falsas e difamatórias.
Em crise
As revelações sobre este caso surgem em um momento de crescente pressão pela renúncia de Gianni Infantino, que está buscando apoio político na cúpula da Fifa para se manter no cargo. A crise se agrava logo após o fracasso de um plano da entidade para reestruturar os direitos comerciais de suas principais competições, um projeto que enfrentou forte rejeição tanto do futebol europeu quanto de federações da Concacaf.
Esse novo escândalo aumenta o desgaste em torno do dirigente, que já enfrentava críticas pela gestão comercial da Fifa e por suas relações com investidores e governos. Apesar das contestações, o presidente da Fifa não demonstra intenção de renunciar ao cargo.