Reunião de Crise da Fifa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de crise com os principais integrantes da entidade para esta quarta-feira, dia 5 de julho, na cidade de Rabat, localizada no Marrocos. A iniciativa do dirigente visa conter o crescente isolamento político que se intensificou após o insucesso na criação da Fifa Forward Enterprise (FFE). Essa proposta previa a venda de ações minoritárias para investidores privados e tinha como expectativa arrecadar até 4,2 bilhões de dólares, o que equivale a aproximadamente 23,8 bilhões de reais na cotação atual. No entanto, a proposta encontrou uma significativa rejeição no mercado, resultando em seu cancelamento apenas três dias após o anúncio oficial.
Críticas e Repercussões
O movimento em torno da FFE gerou críticas severas de aliados históricos de Infantino e enfraqueceu sua gestão. O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, descreveu o episódio como lamentável em um comunicado interno. De maneira similar, o chefe de Desenvolvimento Global, Arsène Wenger, considerou que o recuo em relação à proposta foi absolutamente necessário.
Por outro lado, a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) começou a defender de forma aberta uma mudança na liderança da Fifa. Consequentemente, a Uefa passou a liderar a oposição, articulando um boicote de suas 55 federações filiadas a futuras competições do calendário internacional.
Articulação no Marrocos
A escolha do Marrocos como local para o encontro foi estratégica, uma vez que o país africano será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030 e mantém uma aliança sólida com a gestão atual da Fifa. Assim, Gianni Infantino busca reestruturar seu apoio político em vista da eleição presidencial que está agendada para março de 2027. Essa movimentação tem como objetivo evitar a convocação de uma reunião de emergência no Conselho da Fifa. Para que tal convocação ocorra, é necessário que 19 dos 37 membros do colegiado assinem a solicitação para discutir a possibilidade de destituição do presidente.
Mantendo o Apoio
Apesar da pressão intensa exercida pela Uefa, pela Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e pela Confederação Asiática de Futebol, Infantino ainda conta com o apoio de parte dos dirigentes da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Adicionalmente, o presidente da Fifa busca demonstrar sua capacidade de liderança para garantir seu quarto mandato consecutivo à frente da entidade. Portanto, os desdobramentos da reunião em Rabat serão cruciais para definir os próximos passos da crise e o futuro da liderança do futebol mundial.
