Questões sobre a Arbitragem no Jogo Flamengo x São Paulo
Um dia após o empate entre Flamengo e São Paulo, que terminou em 1 a 1 no Maracanã, o diretor de futebol do Flamengo, José Boto, divulgou um vídeo no qual levantou questionamentos em relação à arbitragem da partida. Boto criticou as decisões de Anderson Daronco e do trio de arbitragem, além de expressar dúvidas sobre o uso da tecnologia do impedimento semiautomático, que foi aplicada pela primeira vez nesta rodada do Campeonato Brasileiro.
Crítica à Arbitragem
José Boto iniciou seu pronunciamento pedindo maior critério nas decisões dos árbitros que atuam no Campeonato Brasileiro. O dirigente fez uma comparação entre a atuação dos árbitros no Brasil com o desempenho deles durante a Copa do Mundo, solicitando clareza e uniformidade nas decisões.
“Pediram-me para falar aqui um pouco da arbitragem, em relação ao jogo de ontem, em relação a algumas coisas. Dizer que, primeiro, eu não acho os árbitros brasileiros que sejam maus. Acho que o grande problema do Brasil é a falta de critério. Nós tivemos agora no Mundial o Rafael Claus, o Wilton e tiveram boas atuações porque aí os critérios são claros. Como vimos, por exemplo, uma falta em que aqui no Brasil deu a expulsão do Carrascal, no Mundial nem sequer falta é. É esse o critério. Se o critério é diferente aqui no Brasil, tem que ser sempre o mesmo”, declarou Boto.
Pênalti Não Marcado
O diretor do Flamengo também criticou a decisão da arbitragem em não marcar um suposto pênalti a favor do Flamengo, que teria ocorrido em um toque de mão do jogador Wendell.
“Em relação ao jogo de ontem, há duas coisas. A primeira é ser claro se a utilização do braço ostensivamente, mesmo que o braço esteja perto do corpo, ostensivamente para tirar vantagem, é falta ou não é falta. E vir a Comissão de Arbitragem da CBF dizer que não é falta, e não é falta em nenhum estado do Brasil, não é falta em nenhuma parte do campo, pode-se fazer gols com o braço assim?”, questionou Boto, que continuou sua argumentação.
“Porque aquilo que se passou ontem, na minha ótica, e já perguntei até a alguns árbitros amigos que tenho por esse mundo fora, aquilo é pênalti, porque ele tira vantagem da utilização do braço, apesar do braço estar quase junto ao corpo. Mas é clara a intenção dele de desviar a bola e a trajetória da bola com o braço, e não com outra parte do corpo que ia jogar. E o braço, que eu saiba, não é jogável”, afirmou.
Impedimento Semiautomático
Uma das inovações implementadas pela CBF para o segundo turno do Campeonato Brasileiro foi a introdução da tecnologia do impedimento semiautomático. No entanto, essa tecnologia também foi alvo de críticas por parte de José Boto. O dirigente expressou sua preocupação sobre a precisão dos lances analisados, utilizando como exemplo o gol anulado de Samuel Lino para sustentar sua contestação.
“Em relação ao impedimento automático, eu acho que há aqui um ponto. Eu não sou especialista em arbitragem, nem especialista em tecnologia, mas há um ponto que tem que ser esclarecido. É quando é que aquela linha é traçada. Porque aquela linha, o fora de jogo, deve ser traçada no momento do passe. E isso nunca é visível nas imagens que eles nos dão”, começou Boto, que continuou sua crítica.
“Porque normalmente aquilo que assistimos, tanto agora na Copa do Mundo como noutras ligas, é uma imagem que mostra a altura da bola a sair e depois é traçada a linha aí e mostra todo o campo. Ali não, só se mostraram os dois jogadores: o pé de um e o pé do outro jogador. Nós não temos a certeza nem sabemos, e eu não estou a duvidar que não seja, que aquela linha foi traçada na altura que o passe é feito. Porque é esse que conta”, questionou.
Pedido de Clareza à CBF
Ao final de sua manifestação, José Boto enviou uma mensagem à Comissão de Arbitragem da CBF, solicitando que os critérios adotados nas decisões sejam cada vez mais transparentes. Segundo o diretor de futebol do Flamengo, a clareza nas decisões e no uso da tecnologia ajudaria a evitar polêmicas relacionadas à arbitragem.
“E é isso que também a CBF e a Comissão de Arbitragem têm que esclarecer e dizer: ‘Meus amigos, está certo. Está a ser traçado assim, falta-nos um software qualquer para mostrar isso. Mas está a ser traçado assim’. Porque isso evita qualquer polêmica e a polêmica todos os fins de semana. Mas o que se pede são critérios, critérios iguais, e isso não depende dos árbitros. Isso depende da Comissão de Arbitragem da CBF”, finalizou Boto.
