Messi prefere o silêncio e não se envolve em polêmicas
Uma onda de menções a Lionel Messi fora do contexto futebolístico tomou conta das redes sociais na última semana. Isso ocorreu em função do silêncio que o craque argentino tem mantido durante a Copa do Mundo em relação a uma questão que se torna cada vez mais relevante, tanto dentro quanto fora de campo: o racismo. Às vésperas de sua possível consagração como bicampeão mundial, em uma final marcada contra a Espanha, marcada para às 16h deste domingo, cresce a pressão sobre o maior astro do futebol atual para que ele utilize sua influência e ajude a combater a discriminação, que, em muitos casos, é perpetuada por argentinos.
A realidade nas arquibancadas
É comum observar homens e mulheres imitando macacos como forma de ofender jogadores ou torcedores rivais, especialmente na América do Sul. Apesar das evidências em vídeo, as punições por esses comportamentos ainda permanecem na fase de investigação pela Conmebol, que propõe campanhas consideradas ineficazes. Além disso, o Mundial deste ano trouxe um aumento significativo de postagens, ações e ameaças relacionadas ao tema. De acordo com um levantamento realizado pela Fifa, uma semana atrás, já havia um crescimento de mais de 1.200% em relação a 2022, totalizando cerca de 90 mil menções.
Durante as partidas contra Cabo Verde e Egito, já na fase de mata-mata, um grupo de torcedores argentinos ofendeu e atirou copos de cerveja em torcedores dos outros países nas arquibancadas. As seleções de Cabo Verde e Egito representam, respectivamente, a África e o mundo árabe. Contudo, foi o influenciador norte-americano Speed quem trouxe à tona essa discussão. Após declarar apoio a outras seleções, ele se tornou alvo de insultos por parte dos torcedores argentinos, sendo chamado, entre outras coisas, de “vá chorar no zoológico”.
Postura de Messi em comparação com Mbappé e Yamal
Messi, uma figura de grande influência e com uma vasta rede de seguidores, opta por não se pronunciar sobre esse tipo de questão. Historicamente, ele nunca criticou os compatriotas, mesmo quando se tratou de cânticos racistas dirigidos a jogadores franceses durante a Copa do Mundo de 2022, e não se envolveu em controvérsias sociais. Nesta Copa, após praticamente todos os jogos em que se destacou, Messi teve a oportunidade de falar com a imprensa, mas escolheu direcionar suas declarações para o futebol, ou para rebater a ideia de que a Argentina estaria sendo favorecida em decisões de arbitragem. A única ação que ele tomou em prol da causa foi emprestar seu rosto a campanhas antirracistas que incluíam diversas personalidades.
Sua postura passiva contrasta com a de duas estrelas de gerações mais recentes que também se destacaram na Copa. Kylian Mbappé, de 27 anos, e Lamine Yamal, de 19 anos, ambos homens negros e oriundos de contextos humildes, não hesitam em denunciar comportamentos inadequados e criticar os excessos do público que acompanha o futebol.
Racismo como questão cultural na Argentina
Na Argentina, a população negra é praticamente inexistente. Na seleção nacional, não há registros de jogadores negros desde a Copa do Mundo de 1978, quando o goleiro Héctor Baley foi convocado. Essa realidade é resultado de uma série de políticas étnicas implementadas desde o século XIX, que incentivaram e favoreceram a convivência entre pessoas brancas.
Assim, o termo “negro” é frequentemente utilizado de forma pejorativa, até mesmo em relação a sul-americanos que residem acima do território argentino, que possuem ancestrais mesclados com povos antigos, como maias e aztecas, além de indígenas. É com essa justificativa que muitos jogadores se defendem de acusações de racismo. Culturalmente, não há uma compreensão ampla de que certas "brincadeiras" possam ser vistas como ofensas ou atos preconceituosos.
Recentemente, o próprio Messi foi alvo de uma denúncia. O ex-jogador holandês Royston Drenthe alegou que ouviu a expressão “negro de merda” proferida pelo craque argentino durante uma partida em que defendia o Real Madrid, após uma dividida e discussão em campo.
