Deschamps é o técnico mais longevo desta Copa
A imprensa marroquina tentou desestabilizar Didier Deschamps nesta quarta-feira, 8 de novembro, no Gillette Stadium, localizado em Boston, Massachusetts. Os jornalistas daquele país provocaram o treinador da França, sugerindo que havia um clima de "oba-oba" em sua equipe. Antes de abordar essa questão, as perguntas iniciais foram sobre a arbitragem argentina da partida que ocorrerá nesta quinta-feira, 9 de novembro, no mesmo local, às 17h (horário de Brasília), válida pelas quartas de final da competição internacional.
Dédé, como é conhecido em sua terra natal, se esquivou das provocações com elegância, demonstrando um comportamento muito diferente do que apresentava em sua época como volante, quando sua principal função era realizar marcações rigorosas e participar de lances mais intensos, durante sua conquista do Mundial de 1998.
“Não estamos em clima de festa. Respeitamos o Marrocos. Há apenas uma vaga na semifinal e não queremos faltar com respeito ao nosso rival. Sobre Facundo Tello (o árbitro da partida), espero que ele seja tão bom quanto o senhor François Letexier (árbitro que apitou o jogo entre Argentina e Egito) e seus assistentes”, declarou o treinador francês.
Deschamps em busca de um final apoteótico
Aos 57 anos, Didier Deschamps permanece alheio a polêmicas e está em busca de uma despedida gloriosa à frente da seleção francesa, com a possibilidade de conquistar um final apoteótico no dia 19 de julho, em Nova Jersey. É importante ressaltar que ele tem um contrato que se estende até o fim deste mês e já anunciou que não irá renovar seu vínculo. Dessa forma, ele abrirá espaço para que um novo treinador inicie um ciclo diferente à frente da equipe dos Bleus. Para que a trajetória de Deschamps não seja interrompida, a seleção europeia precisa repetir o desempenho do Mundial de 2022 e eliminar a seleção marroquina.
Mbappé e Deschamps em busca de recordes
Deschamps, que possui um retrospecto invejável, é o técnico mais longevo nesta edição do torneio e está há 14 anos à frente da seleção francesa. Ele enfrenta a sua quarta Copa do Mundo como treinador e acumula apenas duas derrotas em 24 partidas (uma na fase de grupos e outra nas quartas de final). O técnico soma 19 vitórias e três empates. Ele foi campeão em 2018 e vice-campeão em 2022. Se conseguir conquistar o tricampeonato para a França, Deschamps igualará Vittorio Pozzo, o único treinador da história a vencer a Copa do Mundo duas vezes.
Além das conquistas, diversos recordes também estão em jogo. Caso a França confirme seu favoritismo contra os marroquinos, Deschamps terá mais dois jogos pela frente nos Estados Unidos. Assim, ele ultrapassará o alemão Helmut Schön (1915-1996) e se tornará o treinador com mais partidas disputadas em Copas do Mundo. Nesse cenário, restará saber se, após as semifinais, ele encerrará sua trajetória em outra final ou na disputa pelo terceiro lugar.
Habilidade tática e gestão de jogadores
Com Deschamps, a seleção francesa se transformou em uma potência e conquistou credenciais para se manter no topo do futebol mundial. Além de sua habilidade em gerir os egos dos jogadores, como é o caso do atacante Kylian Mbappé, Deschamps é visto, no ambiente esportivo, como alguém que possui uma capacidade acima da média de alterar o curso das partidas, além de um vasto conhecimento tático.
“Ele não treina o jogo que todo mundo está assistindo. Deschamps treina o jogo prestes a acontecer. A maioria dos treinadores espera pelos problemas. Didier cria soluções antes mesmo de os problemas existirem. Contra o Paraguai, Barcola não estava jogando mal, mas Deschamps percebeu algo que ninguém notou. Ele colocou Doué em campo. Alguns minutos depois, Doué conquistou o pênalti que levou a França adiante. As pessoas chamam isso de sorte. Na verdade, é experiência e a capacidade de compreender o ritmo de um jogo melhor do que todos os outros. É por isso que os jogadores confiam completamente nele. Embora nem sempre entendam a substituição no momento, ao final da partida, eles passam a compreender”, explicou o ex-atacante Zlatan Ibrahimovic, que atualmente atua como comentarista esportivo.
O trabalho de Deschamps à frente da seleção da França reflete não apenas sua experiência, mas também sua capacidade de ler o jogo e fazer escolhas táticas que podem mudar o resultado das partidas, consolidando ainda mais sua importância no cenário do futebol mundial.
