Rival da Argentina: Egito abriga clube com história ligada ao futebol brasileiro

Confronto entre Pyramids e Flamengo no Mundial

Pyramids e Flamengo se enfrentaram no Mundial de Clubes, conforme destacado na imagem de Gilvan de Souza/Flamengo. O Egito, além de reconhecer a rica história do futebol brasileiro, já teve influência direta de diversos nomes conhecidos no Brasil. Em 2018, o Pyramids FC passou por uma reestruturação e foi refundado, recebendo investimento de um sheik árabe que trouxe seis jogadores de uma só vez, além do técnico Alberto Valentim e sua comissão técnica.

Relação com o Brasil

Na última terça-feira, às 13h, os africanos se tornaram rivais da Argentina em uma disputa por uma vaga nas quartas de final. O amor do Pyramids pelo Brasil nunca foi ocultado, sendo fácil encontrar imagens de Neymar e outros ídolos do passado nas ruas do Cairo. A capital egípcia, que abriga cerca de 20 milhões de habitantes, é a sede do clube.

Há oito anos, jogadores como os meio-campistas Rodriguinho e Carlos Eduardo, além dos atacantes Ribamar, Keno e Arthur Caike, chegaram ao Pyramids para participar de um projeto ambicioso. Contudo, a situação se deteriorou rapidamente, e esses atletas retornaram ao Brasil no final da temporada, à medida que os salários começaram a atrasar e surgiram interferências administrativas.

O caso Keno

O atacante Keno, que se destacou no Palmeiras, tornou-se a transferência mais cara da história do futebol egípcio, com um investimento de 10 milhões de dólares, equivalente a R$ 47 milhões, para convencê-lo a se juntar ao Pyramids. A imprensa local frequentemente critica essa transação, referindo-se a ela como o “caso Keno”, que teria contribuído para o desequilíbrio financeiro do clube. Juntamente com Keno, o meio-campista Rodriguinho, ex-jogador do Corinthians, também foi visto como uma grande esperança.

Keno, que atualmente joga pelo Fluminense, atuou pelo Pyramids em 2018. O Pyramids, entretanto, não conquistou títulos durante a passagem dos brasileiros e acabou se desfazendo de parte do elenco. Para substituir Alberto Valentim, o clube contratou o argentino Ramón Díaz, que já havia trabalhado anteriormente em clubes como Vasco e Corinthians. Contudo, o desempenho do treinador também foi insatisfatório, resultando em sua saída em menos de um ano.

Dificuldades enfrentadas

Uma das situações mais constrangedoras ocorreu com Arthur Caike, que foi vendido ao Al Shabab, da Arábia Saudita, antes mesmo de estrear pelo Pyramids devido a um impasse burocrático. Além disso, Alberto Valentim teve um desentendimento com a diretoria ao recusar escalar Ribamar em uma partida específica. Não demorou para que o clube mudasse de investidor, com a chegada do emiradense Salem Saeed Al Shamsi, que se encarregou de reorganizar as finanças do clube.

Celebração e desempenho no Mundial

Recentemente, o Pyramids voltou a ganhar destaque na mídia brasileira ao se classificar para o Mundial de Clubes de 2025, onde se enfrentou com o Flamengo. Desde sua reestruturação, o clube conquistou o campeonato egípcio e a Copa das Confederações do continente. A partida contra o Flamengo terminou com a vitória do Rubro-Negro por 2 a 0, com gols marcados por Léo Pereira e Danilo.

Apesar do sucesso do Pyramids, o rival Al-Ahly se destacou por contar com um número maior de jogadores convocados para a seleção na Copa do Mundo, totalizando nove atletas, enquanto o Pyramids teve apenas três convocados. Um dos convocados é Mostafa Ziko, um meia que anotou um gol em um amistoso contra o Brasil e recebeu o nome em homenagem ao ídolo do Flamengo.

Atualmente, o único jogador brasileiro no Pyramids é Ewerton, um atacante que construiu sua carreira no futebol tcheco e que atua como reserva na equipe treinada pelo croata Krunoslav Jurcic.

Próximos desafios

Quem vencer o confronto entre Argentina e Egito terá pela frente a Colômbia ou a Suíça nas quartas de final. Para os sul-americanos, essa é uma oportunidade para manter viva a aspiração pelo tetracampeonato, enquanto para os africanos, a classificação representaria um feito inédito. Vale ressaltar que a vitória sobre a Austrália, no mata-mata, já foi a primeira do país em uma fase eliminatória de um torneio dessa magnitude.

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