Bastidores Políticos do Vasco da Gama
Os bastidores políticos do Vasco da Gama ganharam um novo e impactante capítulo na noite desta quarta-feira, dia 24. Após uma entrevista esclarecedora do presidente Pedrinho ao canal “Atenção Vascaínos!”, o empresário José Lamacchia, proprietário da Crefisa, decidiu romper o silêncio, especialmente após o afastamento judicial do presidente cruz-maltino do comando da Vasco SAF.
Críticas à Oposição e Alerta de Falência
José Lamacchia, que atua como avalista de seu filho, Marcos Faria Lamacchia, na aquisição do futebol do Vasco, não hesitou em tecer duras críticas à oposição do clube associativo. Ele os acusou de agirem com irresponsabilidade e de estarem levando a instituição a um caminho de insolvência financeira.
Em sua análise, Lamacchia expressou preocupação com as consequências do imbróglio jurídico sobre a venda das ações da SAF. Ele apontou figuras políticas específicas como os responsáveis por dificultar um aporte bilionário, afirmando que seus opositores estão agindo por vaidade em um momento delicado para as finanças do clube.
“Prejudica bastante. O problema é que é uma briga política que, inclusive, de uma maneira irresponsável, eles vão falir o Vasco. O Vasco está falido e eles estão atrapalhando. Quem quer pôr dinheiro lá somos nós. As pessoas envolvidas vão levar o Vasco à falência. (…) Gente da política. Porque eles querem poder. Felipe Carregal (Vice-Presidente Jurídico exonerado), que era aliado do Pedrinho e depois abandonou para se reunir com o Paulo Salomão (ex-vice-presidente geral do Vasco). Meu filho está pronto pra colocar dinheiro lá. O Vasco não tem dinheiro para pagar a folha salarial. Na verdade, o que eles querem é que a gente ponha 2 bilhões e meio, e eles querem mandar”, disparou Lamacchia.
O empresário ainda revelou que a oposição tinha pleno conhecimento dos termos da transação antes de acionar a Justiça do Rio. Ele afirmou: “Tivemos contato com todos. O Felipe Carregal esteve várias vezes em São Paulo conosco. Ele sabe de todo o nosso pensamento. E eles brigaram com o Pedrinho e agora estão prejudicando o Vasco. A pergunta que eu faço pra eles é: eles vão botar esse dinheiro? Eu quero saber. E querem mandar… Esse pessoal é que derrubou o Vasco. Esse pessoal que deixou o Vasco nesse estado. Por que eles não impediram a venda para os picaretas da 777?”.
Detalhes do Projeto da SAF e Papel de Leila Pereira
Apesar da confusão nas esferas judiciais, Lamacchia forneceu detalhes sobre o estágio avançado das negociações antes da liminar judicial. O planejamento da nova gestão incluía uma reestruturação imediata no departamento de futebol e a construção de um centro de treinamento moderno. Uma grande celebração na Zona Sul do Rio de Janeiro estava programada para o próximo mês.
“Ele (Marcos Faria) estava muito empolgado. Como eles têm coragem de estragar um projeto belíssimo que o Marcos vai fazer? O centro de treinamento que o Vasco vai fazer é o mais moderno da América do Sul. Nós vamos realizar. O arquiteto (que fez o CT) do Red Bull Bragantino já estava contratado, nós vimos o projeto. O que eu fico abismado é como as pessoas usam o judiciário para prejudicar um clube de 20 milhões de pessoas? Eu fiquei chocado. (…) Já iríamos anunciar em julho, a festa na Lagoa estava sendo organizada”, revelou Lamacchia.
O empresário também se preocupou em esclarecer rumores sobre a participação de sua esposa, Leila Pereira, que é atual presidente do Palmeiras, nos negócios relacionados ao clube carioca. “Leila está totalmente fora de qualquer assunto de Vasco. Quem está fazendo isso é meu filho e eu. Estou abrindo meu coração. Já estávamos prontos. Iríamos colocar R$ 500 milhões, assumir o fluxo de caixa estimado em mais de 1 bilhão, resolver com os credores, CT, tudo!”, afirmou Lamacchia, indicando ainda que estava preparado para adquirir os ativos junto à seguradora A-CAP, caso fosse necessário.
Revelações sobre Bastidores e Promessa de Salvar o Vasco
Quando questionado sobre as acusações de corrupção que envolvem os aliados de Pedrinho, o dono da Crefisa desmentiu os boatos e expôs a dinâmica dos bastidores políticos. Ele defendeu a idoneidade de figuras como Alan Belanciano e Christiano Campos, ao mesmo tempo em que revelou que a atual oposição havia solicitado cargos. Lamacchia garantiu que o contrato inicial não sofrerá alterações por pressão política.
“Já tivemos (contato com Alan Belanciano). Mas nunca (pediu cargo), jamais! Pelo contrário. Estava sempre procurando ajudar. Se alguém falou isso, está mentindo. Agora, o Carregal pediu. Não só pra ele, mas também para a Bianca (Reis, diretora jurídica da Vasco SAF). Outro que ligou hoje querendo mudar o contrato foi o tal do Silvio (Roberto, VP de finanças exonerado). Não vamos mudar contrato nenhum. A torcida precisa saber quem vai falir o Vasco”, declarou.
Por fim, Lamacchia enviou uma mensagem de apoio incondicional a Pedrinho, assegurando à torcida cruzmaltina que a família Lamacchia não se afastará diante da crise. “Confiança total no Pedrinho. Ele nos procurou para comprar o Vasco. (…) Não vamos desistir. Temos um compromisso com o Pedrinho, que trabalha para o Vasco, gosta do Vasco e é honesto. Eu estou com 83 anos, nunca prejudiquei ninguém na minha vida. (…) Eu não desisto, eu e meu filho vamos salvar o Vasco. Estamos prontos pra fazer um time de primeira lá. Agora eles que arrumem. A folha de pagamento, quem vai pagar? O Vasco não tem um centavo para colocar. (…) Já que eu entrei nessa briga, eu não saio nem morto. 200% fechado com o Pedrinho”, finalizou.
Respostas dos Citados
A reportagem do jornalista Lucas Pedrosa buscou os citados por Lamacchia para garantir o direito de resposta. O ex-vice-presidente geral do clube, Paulo Salomão, negou qualquer envolvimento no caso: “Eu saí do Vasco há 5 meses. Sou desembargador do TRE-RJ. Estou em Miami, inclusive. Vou ver o jogo da Seleção Brasileira. Não tenho nada a ver com isso”.
O ex-vice-presidente jurídico Felipe Carregal também refutou as acusações de que teria solicitado cargos na SAF: “Eu nego completamente. Nunca pedi nenhum cargo ao seu José. Nem para mim e nem para ninguém. Nas interações que tive, sempre afirmei que, se ele comprasse, ele deveria tomar as decisões que bem entendesse. E que minha posição sobre a venda nunca teria a ver com isso”.