Seleção do Irã exige respeito à sua bandeira na Copa do Mundo 2026
A poucos dias de sua estreia na Copa do Mundo de 2026, a seleção do Irã intensificou suas demandas em relação à FIFA, exigindo garantias de que sua bandeira será respeitada durante a competição. Esse posicionamento foi enfatizado pelo presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, que atribuiu à entidade máxima do futebol a responsabilidade de garantir que os protocolos oficiais sejam seguidos.
Reivindicações formais à FIFA
Durante uma atividade da equipe em Tijuana, no México, Taj afirmou que a questão já foi formalmente comunicada à FIFA e cobrou coerência na aplicação das regras. Segundo ele, o regulamento estabelece a obrigação de exibir os símbolos nacionais. “A FIFA é responsável, segundo os protocolos”, declarou em entrevista à agência de notícias AFP. O dirigente destacou que a federação iraniana cumpriu todas as exigências formais e sublinhou a importância do respeito ao símbolo nacional em um jogo que ocorre em meio a um intenso escrutínio político. “A bandeira oficial de um país deve estar presente no estádio”, reforçou.
Estreia marcada e contexto político
A estreia da seleção iraniana na Copa do Mundo está agendada para esta segunda-feira, 15 de outubro, contra a Nova Zelândia, às 22h (horário de Brasília), em Los Angeles, uma cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do país. Esse cenário adiciona um componente político ao confronto, uma vez que parte dessa diáspora mantém uma oposição aberta ao regime de Teerã.
Monitoramento de protestos
Nesse contexto, organizações de exilados iranianos estão planejando manifestações nos arredores do estádio. Os grupos pretendem utilizar a antiga bandeira iraniana, que foi adotada antes da Revolução Islâmica de 1979. Além disso, há a possibilidade de protestos dentro da arena, incluindo vaias ao hino nacional, um episódio que já ocorreu na Copa do Catar, em 2022.
As autoridades iranianas reagiram de forma firme às manifestações planejadas. O ministro do Esporte, Ahmad Donyamali, declarou que o governo monitorará a exibição de símbolos e discursos durante a partida. Ele inclusive não descartou a possibilidade de implementar medidas mais rigorosas caso ocorram manifestações consideradas hostis.
Pendências e tensões geopolíticas
Mehdi Taj também afirmou que a FIFA está trabalhando para resolver pendências relacionadas ao respeito à bandeira, embora algumas questões ainda não tenham sido totalmente resolvidas. “Conseguimos resolver alguns problemas, enquanto outros continuam pendentes”, disse o dirigente, expressando expectativa por avanços.
A tensão em torno da seleção iraniana ocorre em um momento de significativa instabilidade geopolítica. O conflito que começou em fevereiro, após ataques envolvendo Israel e Estados Unidos contra o Irã, levantou dúvidas sobre a própria participação do país no Mundial. Além disso, o governo dos Estados Unidos negou vistos a parte da delegação técnica iraniana, o que levou a seleção a realizar mudanças em sua preparação, transferindo sua base do Arizona para Tijuana, no México.