Uniformes do Haiti foram vetados pela Fifa por suposta mensagem política
O Haiti planejava incluir uma referência visual ao seu passado e ao seu brasão de armas em seus uniformes para a Copa do Mundo de 2026. Entretanto, a Fifa rejeitou as camisas, considerando-as como portadoras de uma mensagem política. Nas redes sociais, muitos internautas confundiram o design com a bandeira da Polônia, um país que possui laços históricos com a nação caribenha. O Jogada10 traz uma explicação sobre essa confusão histórica.
Modificação obrigatória dos uniformes
Adversário do Brasil na fase de grupos do Mundial, o Haiti foi obrigado a trocar de uniforme na quarta-feira (10). A Fifa exigiu que a seleção haitiana modificasse seus uniformes para a competição, conforme indicado pela fornecedora de material esportivo Saeta. A empresa informou que alguns modelos poderiam “levar a diferentes interpretações”.
Homenagem à história do Haiti
A camisa do Haiti apresentava um design que fazia referência a um fato histórico que contribuiu para a independência do país, ocorrido no início do século 19. A Saeta afirmou em seu Instagram que “o design final apresentado foi concebido como uma homenagem aos homens e mulheres que contribuem diariamente para o futuro do Haiti e não tinha, de forma alguma, a intenção de constituir uma declaração política”. No entanto, durante o processo de revisão, a Fifa considerou que certos elementos visuais poderiam ser interpretados de maneiras diversas, levando à solicitação de alterações.
A confusão com a bandeira polonesa
Um boato que circula nas redes sociais, assim como em diversos veículos de comunicação poloneses, afirma que a bandeira branca e vermelha da Polônia estava estampada nas camisas da seleção haitiana. Essa teoria é plausível, considerando o histórico entre os dois países. Em 1802, Napoleão Bonaparte, imperador da França, enviou milhares de legionários poloneses ao Haiti, que na época era uma colônia francesa, para reprimir uma revolta local.
No entanto, muitos poloneses perceberam que estavam sendo utilizados como força de ocupação. Uma parte significativa deles se recusou a lutar contra os nativos e decidiu apoiar os rebeldes, contribuindo para a declaração de independência do Haiti em 1804. Apesar dessa realidade histórica de fraternidade, ela não se reflete nos uniformes apresentados.
Detalhes do design dos uniformes
Na lateral direita das camisas, há silhuetas de soldados que exibem a bandeira da independência haitiana, que é composta pelas cores azul e vermelho, e ainda não possui o brasão. Na camisa azul, em várias fotos promocionais, os designers optaram por clarear o desenho da bandeira para evitar confusões com o fundo, mantendo apenas as cores branca e vermelha. Isso resultou em uma semelhança visual entre a bandeira haitiana e a da Polônia.
Camisa branca para os dois primeiros jogos
A bandeira haitiana é muito mais visível na camisa branca, onde a bandeira azul e vermelha é claramente perceptível. Essa camisa não possui qualquer relação com a bandeira polonesa. Aparentemente, a Fifa não considerou essa diferença ao tomar sua decisão. Ou, talvez, a entidade tenha preferido evitar possíveis complicações e rejeitou a mensagem visual que poderia ser interpretada como “politizada”.
Jogos da seleção haitiana na Copa do Mundo
Após 52 anos, o Haiti retorna à Copa do Mundo e enfrentará a Escócia no sábado (13), em Boston, jogando com a camisa branca. No dia 19, jogará contra o Brasil, também utilizando o uniforme branco. Em seu terceiro jogo, contra o Marrocos, que ocorrerá no dia 24 de junho em Atlanta, a seleção haitiana vestirá a camisa azul.
Resta agora a expectativa sobre qual uniforme os haitianos utilizarão em campo, após a decisão da Fifa de censurar o design original.
