Acusações Contra Armando Mendonça
Os bastidores políticos do clube de futebol Corinthians passaram por uma reviravolta significativa na noite da última quarta-feira, dia 3 de outubro. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) protocolou uma denúncia criminal detalhada contra Armando Mendonça, que atualmente ocupa o cargo de segundo vice-presidente do clube alvinegro. O promotor Cássio Roberto Conserino formalizou as acusações contra o dirigente por quatro crimes distintos: apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.
Investigação e Fundamentação das Acusações
A investigação em questão analisa um suposto desvio sistemático de materiais esportivos fornecidos pela marca Nike. A peça acusatória, que conta com 40 páginas, fundamenta suas alegações com base em um inquérito conduzido pela Polícia Civil, em uma auditoria interna realizada pelo próprio Corinthians e em diligências complementares realizadas pelo órgão estadual. As informações sobre o caso foram divulgadas pela “ESPN”.
Detalhes sobre os Desvios
Itens Desviados
Conforme o documento apresentado pelo Ministério Público, Armando Mendonça é acusado de ter se apropriado indevidamente de 131 itens de vestuário fornecidos pela Nike entre os meses de junho e outubro de 2025. A lista dos produtos em questão inclui 100 camisas oficiais, nove blusas, nove calças, seis pares de tênis, quatro shorts, duas malas de viagem e uma mochila. A acusação alega que o vice-presidente utilizou seu acesso privilegiado aos almoxarifados situados no Parque São Jorge e no Centro de Treinamento Dr. Joaquim Grava, devido ao cargo que ocupa, para retirar essas mercadorias sem a devida autorização.
Tentativa de Apropriação de Camisas da NFL
Além dos itens já mencionados, a promotoria também detalha que o dirigente tentou se apropriar de outras 19 camisas especiais da NFL, que foram confeccionadas para um evento festivo do clube. O desvio dessas camisas não se concretizou, pois a diretoria do Corinthians iniciou uma apuração interna e cancelou a retirada dos produtos do sistema. No entanto, o Ministério Público afirma que, em setembro, Armando Mendonça conseguiu furtar outras oito camisas comemorativas da liga norte-americana de futebol americano, sem formalizar qualquer tipo de registro interno no sistema de controle do clube.
Ameaças e Coação
A denúncia se torna ainda mais grave ao relatar os atos de coação cometidos pelo dirigente. Segundo o promotor, Armando Mendonça adotou uma postura agressiva para intimidar os funcionários responsáveis pela auditoria que revelou as irregularidades. O dirigente teria feito uma ligação em tom ameaçador para Marcelo Munhoes, que é o diretor de tecnologia do clube, afirmando que ninguém conseguiria tirá-lo do cargo. Ele também sugeriu que a continuidade das investigações resultaria em “consequências graves” para outros colaboradores do clube. Além disso, o acusado teria mencionado que o auditor estava se colocando em uma situação de conflito com seu grupo político.
Impossibilidade de Acordo Judicial
Diante da gravidade das ações e da posição de poder de Armando Mendonça, o promotor Cássio Conserino descartou qualquer possibilidade de um acordo de não persecução penal. Além de prosseguir com o processo criminal, o Ministério Público solicitou a realização de uma perícia técnica no sistema de estoque do Corinthians. O órgão também enviou cópias do processo à Receita Federal, para que este analise possíveis implicações tributárias e fiscais relacionadas ao caso.
Medidas Cautelares e Penalidades
Pedido de Afastamento e Proibições
O Ministério Público requereu a aplicação imediata de medidas cautelares rigorosas contra Armando Mendonça. Entre as solicitações, está a suspensão temporária do dirigente dos quadros associativos do Corinthians, a proibição de ele frequentar qualquer dependência do clube e o veto total ao contato com testemunhas e outros dirigentes do alvinegro. O promotor listou nomes relevantes que devem ser convocados a depor em tribunal, como o presidente licenciado do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, e os auditores Reginaldo Prados do Nascimento e Marcelo Munhoes.
Ressarcimento e Indenização
Por fim, a denúncia do Ministério Público exige que a Justiça determine o ressarcimento integral dos danos materiais, correspondendo ao valor de mercado de todos os itens de vestuário e acessórios que foram desviados. Além disso, a promotoria solicita que Armando Mendonça pague uma indenização no valor de R$ 100 mil, a ser destinada aos cofres do Corinthians, em virtude de danos morais. A acusação sustenta que o escândalo prejudicou severamente a imagem, a reputação e a credibilidade do clube perante a opinião pública e seus parceiros comerciais de grande porte.
