Brasil na Copa do Mundo de 1990
Contexto e Preparação
Após as críticas recebidas devido à eliminação na Copa do Mundo de 1986, o Brasil chegou à Copa do Mundo de 1990 com uma renovação em seu elenco. A Seleção Brasileira entrou no torneio animada pelo fim de um jejum de títulos continentais, mas enfrentou uma crise às vésperas do Mundial e acabou sendo eliminada na primeira fase de mata-mata.
O comando da Seleção foi assumido por Carlos Alberto Silva após a Copa de 1986. O treinador havia conquistado a medalha de ouro no Pan-Americano de 1987 e a medalha de prata nas Olimpíadas de 1988. No entanto, sua passagem pela Copa América foi decepcionante, com a equipe sendo eliminada na fase de grupos após uma derrota por 4 a 0 para o Chile. Com a chegada de Ricardo Teixeira à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Sebastião Lazaroni assumiu o cargo de técnico, uma vez que Carlos Alberto Parreira não conseguiu deixar a Arábia Saudita.
Em 1989, jogando em casa, o Brasil conquistou finalmente a Copa América, encerrando um jejum de 40 anos sem títulos na competição e 19 anos sem qualquer conquista. Nas Eliminatórias, a Seleção obteve goleadas contra a Venezuela e um empate em Santiago contra o Chile. No jogo decisivo realizado no Maracanã, o Brasil vencia por 1 a 0 quando o goleiro chileno Rojas simulou ter sido atingido por um sinalizador. Após a comprovação da farsa, a seleção chilena foi excluída da qualificatória e o Brasil garantiu sua vaga.
Convocação e Expectativas
A convocação para a Copa do Mundo na Itália incluiu diversos jogadores que haviam participado das Olimpíadas de 1988, como Taffarel, Jorginho, Romário e Bebeto. Por outro lado, apenas seis jogadores da equipe que participou da Copa de 1986 foram convocados: Branco, Alemão, Silas, Mauro Galvão, Careca e Müller. Apesar das boas expectativas, a Seleção enfrentou uma crise ao chegar à Itália, especialmente após um amistoso preparatório em que perdeu para a seleção da região da Úmbria, composta por jogadores da terceira divisão italiana, em um resultado considerado vexatório pela imprensa.
Fase de Grupos e Crises Internas
Na estreia da competição, o Brasil enfrentou a Suécia e venceu por 2 a 1, embora sem grande brilho. Branco fez um bom passe para Careca, que driblou o goleiro e abriu o placar. No segundo tempo, Müller cruzou e Careca marcou o segundo gol. No final da partida, Brolin recebeu a bola na área, passou pela marcação e diminuiu a vantagem. No segundo jogo, o Brasil obteve uma vitória magra contra a Costa Rica, com um gol de Müller, que veio de um chute desviado após uma cobrança de lateral.
Na última rodada da fase de grupos, a Seleção derrotou a Escócia. Alemão arriscou de fora da área, o goleiro escocês deu rebote e Careca disputou a bola com ele, sobrando para Müller marcar. Apesar do 100% de aproveitamento, as atuações do Brasil na primeira fase geraram muitas críticas. Além disso, a Seleção enfrentou uma nova crise interna. Inicialmente, a CBF havia fechado um contrato de patrocínio de três milhões de dólares com a Pepsi, do qual os jogadores teriam direito a 20%. Contudo, uma fonte interna revelou que o valor do contrato era maior, levando os atletas a protestarem, cobrindo o escudo da CBF com as mãos. Outra crise surgiu em relação às premiações, que não eram divididas com a comissão técnica, gerando desconforto.
Eliminação nas Oitavas de Final
Nas oitavas de final, o Brasil teve que enfrentar a atual campeã mundial, Argentina. O jogo ficou marcado pelo incidente da "água batizada", no qual o treinador argentino Carlos Bilardo teria solicitado ao massagista que enchesse uma garrafa com soníferos e oferecesse aos jogadores brasileiros. Branco acabou ingerindo a substância e relatou ter se sentido mal durante a partida, afirmando que ficou "doidão".
Dentro de campo, Maradona fez a diferença no final do jogo. O craque argentino realizou uma jogada impressionante, passou por Alemão e Dunga, e assistiu Cannigia, que driblou Taffarel e marcou o gol. Logo em seguida, Ricardo Gomes foi expulso, selando a eliminação do Brasil. A queda resultou no surgimento do termo "Era Dunga", associado ao estilo defensivo da equipe. A Argentina avançou até a final, onde foi derrotada pela Alemanha Ocidental, que se vingou pela derrota de 1986. O Brasil, por sua vez, terminou a competição na nona colocação geral, com três vitórias e uma derrota, quatro gols marcados e dois sofridos. Careca e Müller foram os artilheiros da seleção, com dois gols cada.
Jogadores Convocados
Goleiros:
- Taffarel – Internacional
- Acácio – Vasco
- Zé Carlos – Flamengo
Laterais:
- Jorginho – Bayer Leverkusen (ALE)
- Branco – Porto (POR)
- Mazinho – Vasco
Zagueiros:
- Ricardo Gomes – Benfica (POR)
- Mozer – Olympique de Marselha (FRA)
- Aldair – Benfica (POR)
- Ricardo Rocha – São Paulo
- Mauro Galvão – Botafogo
Meias:
- Dunga – Fiorentina (ITA)
- Alemão – Napoli (ITA)
- Bismarck – Vasco
- Valdo – Benfica (POR)
- Silas – Sporting (POR)
- Tita – Vasco
Atacantes:
- Careca – Napoli (ITA)
- Romário – PSV (HOL)
- Müller – Torino (ITA)
- Bebeto – Vasco
- Renato Gaúcho – Flamengo
- Edivaldo – Atlético Mineiro
Ficha Técnica
- Campeão: Alemanha Ocidental
- Vice-campeã: Argentina
- Final: Argentina 0 x 1 Alemanha Ocidental
- Artilheiro: Salvatore Schillaci (Itália) – seis gols
- Colocação do Brasil: 9º lugar (eliminado nas oitavas de final)
- Artilheiros do Brasil: Müller e Careca – dois gols
- Resultados do Brasil:
- Brasil 2 x 1 Suécia
- Brasil 1 x 0 Costa Rica
- Brasil 1 x 0 Escócia
- Brasil 0 x 1 Argentina