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Desempenho do Brasil na Copa do Mundo de 1966: uma análise detalhada

por futebolpress
Desempenho do Brasil na Copa do Mundo de 1966: uma análise detalhada

Brasil é eliminado pela segunda vez na fase de grupos

Em 1966, o Brasil chegou à Inglaterra com grandes expectativas, impulsionado pelas vitórias nas Copas do Mundo de 1958 e 1962. O objetivo era se tornar a primeira seleção a conquistar o tricampeonato mundial. No entanto, o desempenho da equipe foi muito abaixo do esperado, especialmente após uma preparação que gerou diversas críticas. A Seleção repetiu o feito de 1930, sendo eliminada na fase de grupos, um resultado que até hoje não se repetiu.

Preparação para a Copa do Mundo

Como detentor do título, o Brasil não precisava disputar as Eliminatórias para a Copa. Durante o ciclo preparatório, a Seleção foi comandada por Aymoré Moreira, que participou do Sul-Americano de 1963 na Bolívia com uma equipe alternativa, terminando na quarta colocação. Perto do Mundial, Vicente Feola reassumiu o cargo, o que gerou críticas de alguns dirigentes, como Paulo Machado de Carvalho, que havia deixado a chefia da delegação após o sucesso nas Copas anteriores.



Para a preparação, 47 atletas foram convocados, o que gerou questionamentos da imprensa. Havia um consenso de que nem todos os jogadores tinham condições de representar o país no Mundial, o que poderia prejudicar os treinos. O elenco ficou treinando por um mês e meio no Rio de Janeiro e no interior de Minas Gerais antes da definição da lista final.

Entre os 22 convocados, estavam seis jogadores que haviam participado das conquistas anteriores: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Zito, Pelé e Garrincha. Djalma igualou a marca de Castilho e Nilton Santos, participando de seu quarto Mundial. Além disso, Altair, que já havia estado na Seleção em 1962, também foi convocado. Depois de 16 anos, a lista incluiu jogadores que atuavam fora do eixo Rio-São Paulo, com as convocações de Alcindo e Tostão, que jogavam pelo Grêmio e Cruzeiro, respectivamente.

Contudo, as polêmicas não pararam. O zagueiro Djalma Dias, que foi cortado da lista final, afirmou que Bellini só havia sido convocado por conta do "saudosismo" na Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Nesse clima conturbado, o Brasil embarcou para a disputa da Copa do Mundo.

Desempenho na Copa do Mundo

A Seleção Brasileira chegou à Inglaterra como uma das favoritas, mas acabou decepcionando ao longo do torneio. Na estreia, o Brasil reencontrou Rudolf Vytlačil, que havia sido treinador da Tchecoslováquia na Copa de 1962, agora no comando da seleção da Bulgária. Em campo, a Seleção Brasileira abriu o placar aos 15 minutos com um gol de falta de Pelé. No segundo tempo, Garrincha, também em cobrança de falta, acertou o ângulo e fechou o placar em 2 a 0. Ninguém sabia que aquele seria o último jogo da dupla no torneio.

Infelizmente, Pelé sofreu com a forte marcação dos búlgaros e ficou de fora da partida seguinte contra a Hungria. Tostão entrou em seu lugar, mas não foi capaz de mudar o rumo da partida. Os húngaros abriram o placar logo aos dois minutos com um gol de Bene. Tostão conseguiu descontar ainda no primeiro tempo, mas, no segundo tempo, Farkas e Mészöly, este último de pênalti, marcaram e decretaram a derrota brasileira, a primeira desde a eliminação em 1954.

Para evitar a eliminação na fase de grupos, o Brasil precisava vencer Portugal, que estreava no torneio e liderava o grupo. Feola promoveu nove mudanças na equipe, incluindo o retorno de Pelé e a saída de Garrincha. No entanto, o Rei do Futebol não conseguiu se destacar em campo, mais uma vez sendo perseguido pelos marcadores. Aos 15 minutos, António Simões abriu o placar para os portugueses. Doze minutos depois, Eusébio ampliou a vantagem. No segundo tempo, Rildo conseguiu marcar para o Brasil, mas Eusébio voltou a brilhar e marcou o terceiro gol, selando a eliminação da Seleção Brasileira.

Esta foi apenas a segunda vez que o atual campeão do torneio ficou de fora das fases finais, sendo a primeira em 1950, quando a Itália também foi eliminada na fase de grupos. A campanha do Brasil em 1966 foi uma das piores da sua história em Copas do Mundo, igualando-se aos desempenhos de 1930 e 1934, quando a Seleção também não avançou de fase. No final, com uma vitória e duas derrotas, a equipe de Vicente Feola terminou na 11ª colocação geral. O fracasso na Copa da Inglaterra levou a uma reestruturação interna na CBD, que seria visível quatro anos depois.

Os portugueses, que venceram o Brasil, chegaram até a semifinal, onde foram derrotados pela Inglaterra. Os anfitriões do torneio enfrentaram a Alemanha Ocidental na grande final e, com um gol polêmico, venceram por 4 a 2 na prorrogação, conquistando o seu primeiro título mundial.

Jogadores convocados

Goleiros:

  • Gilmar – Corinthians
  • Manga – Botafogo

Laterais:

  • Djalma Santos – Portuguesa
  • Fidélis – Bangu
  • Rildo – Botafogo
  • Paulo Henrique – Flamengo

Zagueiros:

  • Bellini – São Paulo
  • Orlano Peçanha – Santos
  • Brito – Vasco
  • Altair – Fluminense

Meias:

  • Denilson – Fluminense
  • Lima – Santos
  • Gérson – Botafogo
  • Zito – Santos

Atacantes:

  • Pelé – Santos
  • Garrincha – Corinthians
  • Jairzinho – Botafogo
  • Alcindo – Grêmio
  • Tostão – Cruzeiro
  • Silva – Flamengo
  • Paraná – São Paulo
  • Edu – Santos

Ficha técnica

  • Campeã: Inglaterra
  • Vice-campeã: Alemanha Ocidental
  • Final: Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental
  • Artilheiros: Eusébio (Portugal) – nove gols
  • Colocação do Brasil: 11º lugar (eliminado na fase de grupos)
  • Artilheiros do Brasil: Pelé, Garrincha, Tostão e Rildo – um gol cada
  • Resultados do Brasil:
    • Brasil 2 x 0 Bulgária
    • Brasil 1 x 3 Hungria
    • Brasil 1 x 2 Portugal

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