CBF avança na criação da Liga e estabelece comissão para restringir acesso de torcedores aos centros de treinamento

CBF Avança na Modernização do Futebol Brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu um passo importante em direção à modernização do calendário e das estruturas do futebol nacional. Em um encontro realizado nesta segunda-feira, dia 25, no Rio de Janeiro, a entidade promoveu a segunda rodada de reuniões com clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, além de federações estaduais. O principal objetivo foi alinhar a criação da futura Liga de Futebol no Brasil. Durante o debate, foram apresentados estudos técnicos inéditos, além da aprovação de medidas rigorosas relacionadas à segurança e gestão.

“Olhamos o futebol com outros olhos e planejamos implementar as mudanças necessárias que o futebol brasileiro precisava, buscando transformar o futebol no país de uma vez por todas”, destacou Samir Xaud, presidente da CBF, enfatizando o compromisso com uma administração descentralizada.

Criação da Comissão Antiviolência

Um dos principais destaques do encontro foi a criação oficial da Comissão Antiviolência do Futebol Brasileiro, que será liderada por Mauro Carmélio Neto, presidente em exercício da Federação Cearense de Futebol. O grupo de trabalho terá como função a coleta de dados estaduais, com o intuito de criar um banco de dados nacional contendo informações sobre torcedores banidos dos estádios. Além disso, a CBF anunciou a implementação de um veto rigoroso em relação aos protestos que ocorrem nos centros de treinamento.

“Vamos incluir no manual de competições que, a partir de agora, os centros de treinamento não poderão mais ser acessados por torcedores. Entendemos que a própria legislação trabalhista já aborda a necessidade de proteger os atletas. O centro de treinamento é, na verdade, o local de trabalho dos jogadores”, explicou Mauro Carmélio Neto. A CBF também se comprometeu a monitorar de perto os processos judiciais que envolvem infratores.

Análise da Infraestrutura dos Estádios

A infraestrutura dos estádios que fazem parte da primeira divisão do futebol brasileiro foi detalhada através de um mapeamento técnico completo, realizado pela empresa Arena Events+Venues. Essa análise avaliou minuciosamente os 21 estádios utilizados na Série A, considerando quatro pilares estruturais:

Pilar Estrutural

  • Arquitetura e engenharia: Avaliação das condições físicas gerais das instalações.

  • Gramado: Monitoramento da qualidade do piso de jogo.

  • Iluminação esportiva: Verificação dos níveis de luminosidade para partidas noturnas e transmissões.

  • Topografia: Análise das dimensões exatas do campo, incluindo sistemas de drenagem e nivelamento do solo.

Além disso, foram discutidas pesquisas para a padronização e otimização dos horários das transmissões das partidas. Para isso, foram utilizadas como referência as grades de transmissão de ligas europeias, como a Premier League da Inglaterra, a Bundesliga da Alemanha e a La Liga da Espanha. Dirigentes como Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Alessandro Barcellos, presidente do Internacional, elogiaram a qualidade dos dados apresentados e manifestaram seu apoio à valorização do produto.

Modernização do Sistema de Julgamentos

Para evitar os tradicionais impasses jurídicos que costumam atrasar as competições além do calendário previsto, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) apresentou o seu Programa de Modernização da Justiça Desportiva. Por meio da implementação de um novo sistema eletrônico fornecido pela CBF, os prazos de julgamento foram reduzidos significativamente.

“Estamos conseguindo diminuir o prazo médio, que historicamente era de 79 dias para a conclusão dos julgamentos de casos da Série A, para 14 dias no máximo. Atualmente, temos uma média de 8 dias para a finalização dos processos. O campeonato de 2026 será encerrado no campo e também na justiça desportiva, sem que nenhum caso seja transferido para o ano seguinte”, garantiu Luís Otávio Veríssimo Teixeira, presidente do tribunal.

Durante o evento, a CBF também abordou a regulamentação das atividades dos agentes de futebol, buscando criar um ambiente mais organizado e seguro para a prática do esporte no Brasil.

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