Aporte e Reestruturação da SAF do Atlético
Com uma reunião do Conselho Deliberativo agendada para esta segunda-feira, 25 de maio, o Atlético Mineiro deve confirmar um aporte financeiro em torno de R$ 530 milhões, além de uma nova configuração acionária da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. A expectativa é que a família Menin adquira a maioria das ações, o que resultará na diluição da participação dos demais acionistas, incluindo a Associação, Ricardo Guimarães e Daniel Vorcaro.
Uso dos Recursos
O montante a ser investido será direcionado para a quitação de dívidas onerosas com instituições financeiras, que geram um custo anual de juros estimado em cerca de R$ 250 milhões.
Dívidas com Credores
O portal FalaGalo revelou que o Atlético, por meio da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), propôs um parcelamento significativo para alongar o prazo de pagamento de suas dívidas com credores. O total de débitos vencidos com agentes, clubes, empresários e atletas que passaram pelo Clube Atlético Mineiro ultrapassa R$ 43 milhões, incluindo honorários advocatícios.
Detalhamento das Dívidas
Especificamente, os débitos vencidos com todas as partes envolvidas — atletas, agentes, empresas de agenciamento e empresários — somam R$ 41.817.830,90. Os honorários advocatícios totalizam R$ 1.568.892,92, resultando em um total acumulado de R$ 43.386.723,82. A proposta do Atlético é que o pagamento aos credores seja parcelado em um período de oito anos, com prestações mensais.
Opiniões dos Credores
Alguns credores expressaram descontentamento em relação à proposta do Atlético. Um dos entrevistados pela reportagem considera que a mudança nos termos de pagamento acordados anteriormente demonstra uma postura inadequada por parte do clube. Segundo essa fonte, a alteração nos acordos impacta diretamente outros compromissos assumidos pelos credores, que se basearam na previsão de pagamento anterior.
“Para mim, é uma falta de entendimento de parceria. É como se não considerassem que ajudamos os clubes nas negociações. Chego a pensar que é uma apropriação indébita de um recurso que é nosso e deveria ser repassado ao parceiro, mas o Atlético não faz isso. Essa postura é muito negativa e repercute de forma desfavorável no mercado. Não é correta essa ação de um clube do porte do Galo. Imagine você ter compromissos e, na hora de receber, ser surpreendido com um quase calote de uma SAF que vai aportar mais de R$ 500 milhões. Leva para a CNRD, mas não consegue pagar menos de 10% aos seus parceiros comerciais? Isso não é aceitável, não dá para considerar isso bom.”
Posicionamento do Atlético
Durante a reunião do Conselho Deliberativo, prevista para ocorrer na próxima segunda-feira, os acionistas discutirão o plano de equity, no qual a família Menin comprará ações utilizando o aporte de R$ 530 milhões para quitar dívidas onerosas. Com essa operação, os demais acionistas da SAF terão suas participações reduzidas, aumentando ainda mais a influência da família Menin, que já detém a maioria das ações da Sociedade Anônima do Galo.
Entretanto, de acordo com informações do FG, a solução financeira proposta exigirá sacrifícios para diminuir os juros bancários que o Atlético paga anualmente. O plano prevê que quase toda a quantia obtida será destinada ao pagamento de dívidas com credores bancários, reduzindo as taxas anuais de R$ 250 milhões para R$ 100 milhões. Isso proporcionará um alívio ao fluxo de caixa do clube a partir da injeção de recursos pela família Menin.
“Não há milagres, Betinho. O remédio é amargo. Queremos e planejamos pagar todos, mas não podemos viver em um mundo ideal. Vamos enfrentar os bancos e estamos propondo a CNRD com os parceiros para implementar o melhor plano para o Atlético. O Vasco também nos deve e vai nos pagar ao longo de um longo tempo, utilizando a CNRD. O Atlético não é o único clube a recorrer à câmara arbitral. Essa é uma questão que afeta praticamente todos os clubes, mas, no Galo atual, existe um forte desejo de cumprir os acordos sem deixar dívidas. Ainda não nos sustentamos, precisamos atacar os juros e contar com a compreensão de todos, mas o remédio é amargo.”
Perspectivas Futuras
Atualmente, o Atlético possui a Arena e está comprometido com os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que foram utilizados para o término da obra e possuem um grande potencial de gerar receitas, estimadas em até R$ 1 bilhão em um futuro próximo. A intenção da família Menin é tornar o clube sustentável e, eventualmente, com maior estabilidade jurídica e possivelmente após a formação de uma liga, dividir a SAF com investidores mais robustos ou até mesmo considerar a venda de sua participação.
Necessidade de Equilíbrio
Apesar das diversas conversas que têm sido realizadas, para que o clube consiga estabelecer boas parcerias para a SAF, é fundamental que esteja equilibrado financeiramente. Embora isso possa levar um tempo, o Atlético está se esforçando para se manter no caminho certo, apesar das dificuldades enfrentadas. Neste momento, para continuar investindo no time, é necessário implementar medidas que se adequem à realidade financeira, e por isso, o alongamento dos pagamentos é uma solução que se apresenta como viável. O clube reconhece suas obrigações e, ao contrário de outros, tem a firme intenção de quitar suas dívidas. Contudo, precisará tomar decisões e optar por caminhos estratégicos. O foco atual é, portanto, combater os altos juros financeiros.
A proposta do Galo apresentada na CNRD é de alongar os pagamentos por um período de oito anos. No entanto, é comum que a comissão de arbitragem reduza esses prazos. A expectativa é que o período aceito fique entre quatro e seis anos, dependendo da deliberação do órgão vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Credores do Atlético
Clubes Credores
- Corinthians
- Coritiba
- Atlético-GO
- Independente
- Retrô
- Guarani
- São Paulo
- Atlético Monte Azul
Atletas Credores
- Alan Kardec
- Alisson
- Micael
- Rubens
Agentes e Empresas Credoras
- TFM
- Thinkball
- A10
- 4Comm
- Roc Nation
- Fabio Gomes
- Bertolucci
- Premier
- GR98
- Brasil Soccer
- AS
- Un1que
- Perez
- Elenko