Ciclo da Seleção Brasileira
De maneira geral, o ciclo da Seleção Brasileira não foi empolgante nem gerou expectativas para a Copa do Mundo. O Brasil teve a sua pior campanha nas Eliminatórias, passou por quatro treinadores e chega à América do Norte cercado de dúvidas e incertezas sobre o que poderá apresentar no Mundial.
Início do Ciclo
A Seleção começou o ciclo sob a direção de Ramon Menezes, com promessas de que Carlo Ancelotti assumiria o comando a seguir. A equipe, escalada com um time alternativo, perdeu para o Marrocos por 2 a 1 no primeiro amistoso. A primeira vitória veio em um jogo contra a Guiné, onde o Brasil goleou por 4 a 1. No entanto, no duelo seguinte, a Seleção foi derrotada por Senegal, com um placar de 4 a 2.
Mudanças na Equipe
No início das Eliminatórias, houve uma troca no comando da equipe. Fernando Diniz assumiu a função, dividindo-a com o Fluminense. Em sua estreia, a Seleção teve uma grande atuação e goleou a Bolívia por 5 a 1, sendo essa a partida em que Neymar se isolou na artilharia histórica da Seleção. Contudo, no jogo seguinte, o Brasil enfrentou dificuldades e venceu o Peru apenas nos acréscimos.
Desempenho nas Eliminatórias
A sequência de jogos foi ainda pior, com um empate em Cuiabá contra a Venezuela. Em seguida, o Brasil sofreu derrotas para o Uruguai, na partida em que Neymar se lesionou, e para a Colômbia e Argentina, sendo esta última a primeira derrota da Seleção como mandante na história das Eliminatórias. Uma crise interna atingiu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), resultando no afastamento do presidente Ednaldo Rodrigues. Carlo Ancelotti renovou seu contrato com o Real Madrid, e uma nova troca de treinador se deu, com Diniz deixando o cargo e Dorival Júnior assumindo, tornando-se o terceiro treinador em menos de um ano.
Na estreia de Dorival, a Seleção venceu a Inglaterra em Wembley, com destaque para Endrick. Em seguida, houve um empate em 3 a 3 contra a Espanha, em um jogo marcado por protestos contra a arbitragem. Antes da Copa América, a Seleção venceu o México, novamente com um gol de Endrick, e empatou em 1 a 1 com os Estados Unidos. As atuações, no entanto, acenderam um sinal de alerta, e o Brasil não conseguiu evoluir no torneio, estreando com um empate contra a Costa Rica, goleando o Paraguai, empatando com a Colômbia e sendo eliminado pelo Uruguai nos pênaltis, nas quartas de final.
Retorno às Eliminatórias
Após a Copa América, o foco voltou-se para as Eliminatórias. O Brasil, sem brilhar, venceu o Equador em Curitiba, com um gol de Rodrygo. No entanto, perdeu para o Paraguai em Assunção, levando a críticas renovadas. Dorival estava pressionado e enfrentou seleções com campanhas ruins, precisando de vitórias. Em Santiago, venceu o Chile de virada e, em seguida, goleou o Peru em Brasília. Entretanto, o alívio não trouxe evolução, e 2024 terminou com empates contra Venezuela e Uruguai.
Em meio à pressão, Dorival começou 2025 convocando Neymar, que estava lesionado e acabou cortado. No primeiro compromisso do ano, contra a Colômbia, Vini Jr marcou o gol salvador, garantindo a vitória por 2 a 1. O cenário, no entanto, era desolador, culminando em uma goleada de 4 a 1 para a Argentina, resultando no fim do ciclo para o treinador.
Chegada de Carlo Ancelotti
Após quase dois meses de indefinição, Carlo Ancelotti finalmente chegou para comandar a Seleção. Em sua estreia, o Brasil empatou sem gols contra o Equador. No segundo jogo, a equipe teve uma grande apresentação e venceu o Paraguai, garantindo a classificação para a Copa com três rodadas de antecedência. No encerramento das Eliminatórias, o Brasil teve mais uma boa atuação, vencendo o Chile por 3 a 0, mas perdeu por 1 a 0 para a Bolívia, na altitude, resultando na pior campanha da história da Seleção nas Eliminatórias.
Amistosos e Desempenho
Nos amistosos, a Seleção apresentou oscilações. No primeiro teste, goleou a Coreia do Sul por 5 a 0, mas, em seguida, sofreu uma derrota de virada para o Japão, com o placar de 3 a 2. Posteriormente, teve uma boa atuação e venceu Senegal por 2 a 0, mas no jogo seguinte, empatou em 1 a 1 com a Tunísia. No início de 2026, o Brasil perdeu para a França por 2 a 1, o que gerou preocupação em relação à diferença de desempenho entre as equipes. No último teste antes da Copa, a Seleção venceu a Croácia pelo mesmo placar, com Endrick se destacando. Neymar retornou de última hora na lista final, sendo uma das grandes novidades para o Mundial. A Seleção chega à Copa na sexta colocação do ranking da FIFA, sem a presença de Militão, Estêvão e Rodrygo.
Destaque do Ciclo
Apesar da ausência de Neymar durante a maior parte do ciclo, a Seleção precisava de um novo protagonista nas Eliminatórias e na preparação para o Mundial. Pelas atuações com a camisa do Brasil, Vinicius Júnior se destaca como o principal candidato a assumir esse papel. Além disso, ele tem se tornado uma referência na causa anti-racista devido aos ataques que sofre no futebol espanhol.
Vini Jr é um dos maiores talentos que surgiram nas categorias de base do Flamengo. Aos 18 anos, transferiu-se para o Real Madrid, onde enfrentou dificuldades iniciais para se estabelecer. No entanto, ao conseguir se encaixar na equipe, tornou-se um dos principais jogadores do clube, conquistando títulos importantes, como dois da Champions League, três da La Liga, duas Copas do Rei e três Mundiais de Clubes, totalizando 239 jogos e 76 gols marcados.
Entretanto, seu desempenho na Seleção não é tão impressionante. Vini estreou com a Amarelinha na Copa América de 2019, sendo reserva na equipe que conquistou o título. Durante aquele ciclo, ele permaneceu no banco até a véspera da Copa, quando finalmente assumiu a titularidade. Após a Copa do Mundo do Qatar, passou a ser considerado uma grande esperança para o Brasil, mas ainda não conseguiu a regularidade esperada, acumulando até o momento 47 jogos e apenas oito gols.
Comandante da Seleção
Quando Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF, prometeu trazer Carlo Ancelotti para comandar a Seleção, muitos duvidaram. Durante o ciclo, a campanha ruim e o fracasso em duas negociações, além da escassez de declarações do italiano, davam a impressão de que a contratação não se concretizaria. No entanto, em um último ato do mandatário, Ancelotti chegou ao Brasil, o que parecia inimaginável, com a Seleção agora sob a orientação de um dos maiores técnicos da história do futebol.
Ancelotti chegou ao Brasil após dois anos de promessas da CBF. Apesar do brilho que o cercava, ele enfrentou a pressão de arrumar a casa rapidamente, já que a Seleção vinha de uma goleada para a Argentina e apresentava atuações insatisfatórias. Com pouco tempo de trabalho, o italiano conquistou a confiança do grupo, elevou a qualidade da equipe, garantiu a classificação para o Mundial e trouxe esperança aos torcedores brasileiros. Ele demonstrou firmeza em suas decisões, convocando Neymar e mantendo a confiança em jogadores questionados, como Danilo.
Essa será a primeira vez que Ancelotti, multicampeão no futebol europeu, estará na área técnica durante uma Copa do Mundo. Como jogador, ele enfrentou frustrações no torneio, tendo sido cortado por uma lesão que o impediu de participar do Mundial de 1982, vencido pela Itália. Em 1986, fez parte da convocação da Azzurra, mas não saiu do banco de reservas. Por fim, em 1990, jogando em casa, ele se lesionou logo na estreia e participou apenas uma vez do torneio, no qual sua seleção foi eliminada na semifinal. Agora é a hora do treinador aplicar toda a sua experiência para ajudar o Brasil a romper o jejum de títulos.
Campanha em Copas do Mundo
O Brasil é o único país que participou de todas as edições da Copa do Mundo e é também o maior vencedor, com cinco títulos. Nos primeiros torneios de 1930 e 1934, a Seleção foi eliminada ainda na fase de grupos. Entretanto, em 1938, conseguiu mostrar sua força ao mundo, com uma geração liderada por Leônidas Dias, terminando na terceira colocação após perder para a Itália na semifinal. Doze anos depois, o Brasil sediou o torneio e viveu uma das maiores decepções de sua história. No último jogo, precisando apenas de um empate contra o Uruguai para ser campeão, perdeu por 2
