Tunísia disputa a terceira Copa consecutiva
Igualando sua melhor marca no torneio, a Tunísia participa da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, com o objetivo de avançar pela primeira vez para a fase de mata-mata. No entanto, as Águias de Cartago enfrentaram um ciclo complicado, com campanhas decepcionantes nos torneios continentais.
Caminho até a Copa do Mundo
No início deste ciclo, a seleção tunisiana garantiu a vaga na Copa Africana de Nações, vencendo a Líbia em duas ocasiões e Botsuana. Contudo, sofreu uma derrota para a Guiné Equatorial, sua principal concorrente no grupo. Nos amistosos, a Tunísia teve um desempenho misto, conseguindo vencer o Egito no Cairo, mas empatando com a Argélia e perdendo para o Japão e a Coreia do Sul.
Na fase de Eliminatórias para a Copa do Mundo, a seleção tunisiana começou com uma goleada sobre São Tomé e Príncipe e uma vitória contra Malawi. A melhor notícia veio fora de campo, quando a Guiné Equatorial, que novamente estava no mesmo grupo e era considerada a principal adversária, perdeu os seis pontos conquistados nas primeiras rodadas devido a um problema relacionado à naturalização do atacante Emílio Nsue. Com isso, as Águias assumiram a liderança isolada da chave.
Desempenho na Copa Africana de Nações
Por outro lado, a participação na Copa Africana de Nações foi marcada por uma grande decepção. Logo na estreia, a Tunísia perdeu para a Namíbia. Em seguida, empatou com Mali e África do Sul, o que resultou na eliminação ainda na fase de grupos. Além disso, o treinador Jalel Kadri, que estava à frente da equipe desde 2022, foi demitido, e Montasser Louhichi assumiu como interino.
Na Fifa Series, a Tunísia começou com dois empates sem gols contra a Croácia e a Nova Zelândia, perdendo nos pênaltis e vencendo a segunda. No retorno às Eliminatórias, a seleção venceu a Guiné Equatorial e empatou sem gols com a Namíbia, que surgia como nova adversária pela vaga para o Mundial. Para a nova edição de qualificatórias da Copa Africana, Faouzi Benzarti foi nomeado treinador da seleção. Nos primeiros jogos, a Tunísia venceu Madagascar e Gâmbia. Entretanto, a situação se complicou com uma derrota para Comores em casa e um empate contra a seleção do Índico.
Trocas de comando técnico
Com isso, uma nova mudança no comando técnico ocorreu, e Kais Yaâkoubi assumiu a equipe. Nos dois jogos que dirigiu, obteve uma vitória contra Madagascar, que garantiu a vaga no torneio, mas perdeu para Gâmbia, novamente em casa.
Após um ano com treinadores interinos, a Tunísia anunciou a chegada de Sami Trabelsi como novo comandante. O técnico conseguiu deixar a instabilidade do ano anterior para trás, finalizando as Eliminatórias com um desempenho excepcional: a seleção venceu seus últimos seis jogos, marcando 16 gols e não sofrendo nenhum. A classificação para a Copa foi assegurada com uma goleada de 6 a 0 sobre São Tomé e Príncipe.
Testes antes da Copa do Mundo
Após a classificação, a seleção tunisiana enfrentou alguns testes. Inicialmente, empatou com a Mauritânia e, em seguida, conquistou uma vitória difícil contra a Jordânia. Por último, teve uma atuação consistente ao empatar em 1 a 1 contra o Brasil. Na sequência, a seleção disputou a Copa Árabe com uma equipe alternativa, mas foi eliminada na fase de grupos, vencendo apenas o Qatar na última rodada.
No início do ano da Copa do Mundo, as Águias participaram novamente da Copa Africana de Nações. A estreia foi promissora, com uma vitória sobre Uganda. Contudo, na segunda rodada, a Tunísia perdeu para a Nigéria, mas garantiu a classificação ao empatar com a Tanzânia. Infelizmente, nas oitavas de final, a equipe enfrentou mais uma decepção. Apesar de ter um jogador a mais durante grande parte da partida, a Tunísia só conseguiu abrir o placar contra Mali nos minutos finais. Nos acréscimos, sofreu o empate, não marcou na prorrogação e acabou sendo eliminada nos pênaltis. Essa nova eliminação levou à demissão de Trabelsi.
Para seu lugar, visando a Copa do Mundo, foi contratado Sabri Lamouchi. O treinador estreou com uma vitória sobre o Haiti e um empate sem gols contra o Canadá. Atualmente, a Tunísia ocupa a 44ª posição no ranking da FIFA.
O destaque
Historicamente, a Tunísia era vista como uma seleção que não conseguia demonstrar muita qualidade, sendo conhecida por sua defesa sólida, mas com um sistema ofensivo limitado. No entanto, essa imagem vem mudando, especialmente pela presença do jogador Hannibal Mejbri.
Hannibal Mejbri
Revelado pelo Manchester United, o meio-campista de 23 anos atualmente joga no Burnley. Mejbri já atuou em 44 partidas pela seleção e está prestes a disputar sua segunda Copa do Mundo. Em 2022, ele fez parte da equipe tunisiana que participou do Mundial no Catar, mas, na época com apenas 19 anos, participou de apenas uma partida na campanha que terminou na fase de grupos, enfrentando a Dinamarca.
Neste ciclo, o jogador se envolveu em uma controvérsia ao optar por não disputar a Copa Africana de Nações no início de 2024, buscando mais espaço no elenco do Manchester United. No entanto, seus planos não se concretizaram, pois o clube decidiu emprestá-lo ao Sevilla. Após um período com a imagem desgastada, o retorno de Mejbri à seleção ocorreu apenas na Data FIFA de junho daquele ano.
O comandante
Sabri Lamouchi assumiu a seleção tunisiana em um ciclo repleto de instabilidade e com pouco tempo de trabalho. O treinador tomou as rédeas da equipe no início do ano, após o insucesso das Águias na Copa Africana de Nações. Desde então, ele teve apenas duas partidas no comando e terá outros dois testes antes do início da Copa do Mundo.
Experiência de Lamouchi
Como jogador, Lamouchi teve passagens por clubes do futebol francês, italiano e árabe. Ele atuou em 12 partidas pela seleção francesa, marcando um gol, e estava na lista preliminar dos Bleus para a Copa de 1998. Como treinador, começou sua carreira na Costa do Marfim, onde participou do Mundial de 2014. Posteriormente, passou por Rennes, Nottingham Forest, Cardiff City, além de clubes no Qatar e na Arábia Saudita, onde esteve até meados do ano passado.
Campanha em Copas
A estreia da Tunísia em Copas do Mundo ocorreu em 1978, na Argentina. No primeiro jogo, a seleção tunisiana venceu o México por 3 a 1, mas perdeu para a Polônia e empatou com a Alemanha Ocidental, sendo eliminada na fase de grupos. Depois disso, houve uma longa espera de 20 anos para retornar ao torneio, mas sem o mesmo brilho: a Tunísia foi eliminada na fase de grupos em 1998, 2002 e 2006.
Retorno aos Mundiais
Os tunisianos ficaram 12 anos fora do torneio, retornando em 2018. Após derrotas para a Bélgica e a Inglaterra, a seleção venceu o Panamá de virada, quebrando um jejum de 40 anos sem triunfos na competição. Em 2022, a equipe estreou com um empate contra a Dinamarca, mas a classificação foi frustrada com uma derrota para a Austrália. Na última rodada, a Tunísia conquistou uma vitória histórica contra a França, evidenciando uma evolução que pode trazer bons resultados nos próximos Mundiais.
Time-base
A provável formação da Tunísia para a Copa do Mundo é: Dahmen; Valery, Ghram, Rekik e Abdi; Shkri, Sassi, Saad, Mejbri e Mahmoud; Mastouri.
O país
A Tunísia está localizada no extremo norte da África, em uma região conhecida por suas terras férteis. Historicamente, abrigou a civilização cartaginesa, uma das mais influentes da região do Mediterrâneo. Aproximadamente 40% de seu território, que cobre uma área de 163.610 km², é ocupado pelo Deserto do Saara. O país possui uma população de aproximadamente 10.982.574 habitantes, e sua capital é Tunis.
Ao longo da história, a Tunísia foi ocupada por diversas civilizações, incluindo romanos, árabes, otomanos e, mais recentemente, franceses. O país conquistou sua independência em 1956 e, em 2010, foi o berço da chamada "Primavera Árabe", que desencadeou revoluções populares contra governantes na região. O atual presidente tunisiano é Kaïs Saïed, e a economia do país é impulsionada por setores como turismo, exportação de produtos manufaturados, agricultura e mineração de fosfatos.
Celebridades
Na área cultural, a Tunísia se destaca com a atriz Hend Sab