RD Congo vai disputar a sua segunda Copa do Mundo
Pela segunda vez na história, e a primeira com o seu atual nome, a República Democrática do Congo participa da Copa do Mundo. A seleção africana garantiu sua vaga na repescagem após uma campanha sólida nas Eliminatórias Africanas, além de obter resultados expressivos na Copa Africana de Nações.
Caminho até a Copa
O ciclo começou com a confirmação da vaga da seleção no torneio africano. Os Leopardos, como é conhecida a equipe, venceram a Mauritânia, o Gabão e o Sudão, assegurando sua classificação para a Copa Africana de Nações (Can). Em amistosos, a seleção empatou com a Nova Zelândia e Angola, e sofreu uma derrota para a África do Sul. Em um novo confronto contra a Mauritânia, no início das Eliminatórias da Can, os Leopardos venceram novamente, mas foram derrotados pelo Sudão.
Durante o torneio continental, a seleção não obteve um desempenho esperado na fase de grupos, onde empatou seus jogos contra a Zâmbia, Marrocos e Tanzânia. Apesar disso, conseguiu avançar e, nas oitavas de final, eliminou o Egito nos pênaltis. A primeira vitória da equipe aconteceu nas quartas de final, em um confronto contra a Guiné, o que garantiu uma histórica vaga na semifinal. Contudo, a seleção sofreu sua primeira derrota na semifinal, para a Costa do Marfim. Ao final, a equipe terminou na quarta posição, após uma derrota para a África do Sul na disputa pelo terceiro lugar.
Retorno às Eliminatórias
Após o torneio, os Leopardos voltaram às Eliminatórias e conseguiram um importante empate contra o Senegal fora de casa, além de vencer o Togo. Na nova fase de qualificatória para a Can, a equipe obteve vitórias nos quatro primeiros jogos, e mesmo com derrotas para a Guiné e Etiópia, assegurou sua classificação.
Para completar o ciclo, a seleção precisava garantir a vaga na Copa do Mundo. No retorno das Eliminatórias, venceu o Sudão do Sul e a Mauritânia, assumindo a liderança do grupo. Nos amistosos, continuou a boa fase com triunfos sobre Mali e Madagascar. Abrindo a penúltima janela da qualificatória, os Leopardos golearam o Sudão do Sul fora de casa e se prepararam para um confronto decisivo em casa contra o Senegal. Apesar de terem aberto 2 a 0 no primeiro tempo, a equipe sofreu uma virada, recebendo um duro golpe em Kinshasa. Nas rodadas finais, a seleção derrotou o Togo e o Sudão, confirmando sua classificação na repescagem.
Classificação na Repescagem
Apesar da decepção pela derrota que quase garantiu a vaga, a República Democrática do Congo se reergueu para a repescagem continental. Na semifinal, os Leopardos venceram os Camarões com um gol nos acréscimos. Na decisão, a equipe empatou com a Nigéria e venceu nos pênaltis por 4 a 3, garantindo a vaga para o playoff intercontinental.
Antes de definir seu futuro, a seleção participou da Can no Marrocos. Na fase de grupos, venceu o Benin e Botsuana, além de empatar com Senegal. Entretanto, nas oitavas de final, enfrentaram a Argélia em um jogo muito difícil, mas perderam com um gol nos minutos finais da prorrogação.
Devido à sua posição no ranking da FIFA, os Leopardos aguardaram o adversário na decisão da repescagem. No jogo decisivo, a vitória veio apenas na prorrogação contra a Jamaica. Dessa forma, a seleção retorna à Copa do Mundo após 52 anos, ocupando a 46ª colocação no ranking.
O Destaque da Seleção
A seleção se destaca na repescagem com um elenco que conta com vários jogadores atuando em ligas europeias. O principal deles é Yoane Wissa. Após anos se destacando pelo Brentford, o atacante se transferiu para o Newcastle nesta temporada. Até o momento, Wissa já atuou em 22 partidas e marcou três gols pelo clube inglês.
Na seleção, Wissa participou das duas campanhas na Copa Africana de Nações e nas Eliminatórias. Com a camisa dos Leopardos, o atacante já disputou 37 partidas e anotou nove gols.
O Comandante da Equipe
O treinador da seleção é o francês Sébastien Desabre. Ele chegou ao Congo em agosto de 2022, após a equipe não conseguir se classificar para a Copa do Mundo do Qatar. Sob sua liderança, os Leopardos realizaram uma campanha histórica na Can de 2023 e agora buscam firmar seu nome na história com a vaga no Mundial.
Desabre tem uma carreira marcada por passagens em diversos clubes do futebol africano, como Esperance de Tunis, Wydad Casablanca e Pyramids. Além disso, ele também comandou a seleção de Uganda, que participou da Copa Africana de Nações em 2019, alcançando as oitavas de final.
Campanha em Copas
A República Democrática do Congo tenta uma classificação inédita para a Copa do Mundo com este nome. No entanto, a seleção já participou do Mundial sob outra nomenclatura. Em 1974, como Zaire, a equipe disputou a Copa do Mundo na Alemanha, enfrentando Zâmbia, Marrocos, Togo, Camarões e Gana nas Eliminatórias. Durante a competição, a seleção enfrentou Brasil, Iugoslávia e Escócia, sendo eliminada na fase de grupos.
O país continuou a usar o nome Zaire nas Eliminatórias de 1982, 1990, 1994 e 1998. Posteriormente, como República Democrática do Congo, a seleção ficou perto da classificação em 2018 e 2022, mas perdeu as vagas para Tunísia e Marrocos.
Time Base
O time-base da seleção é composto por:
- M’pasi;
- Wan-Bissaka, Mbemba, Tuanzebe e Kayembe;
- Moutoussamy, Bongonda, Mukau e Sadiki;
- Elia e Wissa.
O País
A República Democrática do Congo é o segundo maior país da África, com uma área de 2.345.409 km², e o quarto mais populoso do continente, com aproximadamente 106.552.000 habitantes. Sua capital é Kinshasa, e o país é uma república semipresidencialista, tendo Félix Tshisekedi como presidente e Judith Tuluka como primeira-ministra.
A economia do país é amplamente dependente da mineração, com destaque para a extração de diamantes. No entanto, essa atividade ocorre predominantemente de forma informal, o que não reflete adequadamente no Produto Interno Bruto (PIB). A República Democrática do Congo é conhecida por ter um dos menores PIB per capita do mundo.
Além da pobreza, o país enfrenta sérios conflitos, com uma guerra civil que ganhou grandes proporções desde 2022, motivada por disputas étnicas e pela luta pelo controle de minérios. Há também acusações de que Ruanda estaria apoiando os rebeldes.
Celebridade Política
Um dos nomes mais emblemáticos da história da República Democrática do Congo é Patrice Lumumba. Nascido em 1925, ele cresceu no antigo Congo Belga e se destacou tanto em sua carreira em uma mineradora quanto em seus estudos sociais. Durante a década de 1950, Lumumba ingressou na política, tornando-se uma das principais figuras da causa anticolonialista na África.
Ele foi um dos fundadores do Movimento Nacional Congolês (MNC). Em 1960, após a vitória de seu partido, tornou-se primeiro-ministro, impulsionando a pauta pela independência, que foi conquistada em junho daquele ano. Em seu discurso de posse, Lumumba fez uma declaração histórica, condenando a Bélgica pelos crimes humanitários cometidos durante o período colonial. Contudo, em janeiro do ano seguinte, ele foi executado após uma conspiração dos Estados Unidos para derrubá-lo do poder.
Durante a Copa Africana de Nações, o torcedor Kuka Muladinga prestou homenagem a Lumumba, se caracterizando como o ex-primeiro-ministro e permanecendo como uma estátua nas arquibancadas durante os jogos dos Leopardos.
Expectativas para a Copa do Mundo
Com a força de seu elenco e um bom retrospecto recente, os Leopardos chegam ao Mundial como uma seleção que demonstrou seu potencial na repescagem. A expectativa é de que a República Democrática do Congo consiga realizar jogos desafiadores, dificultando a vida de Portugal e Colômbia, além de um confronto decisivo contra o Uzbequistão. O desempenho em partidas contra Camarões e Nigéria, dois gigantes africanos, assim como a vitória sobre a Jamaica, elevou a confiança da equipe, que pode sonhar com uma vaga na próxima fase.
