Leões tentam encerrar jejum de 60 anos com geração que gera expectativa há dois Mundiais
O bordão “o futebol está voltando para casa” se tornou uma expressão popular nos últimos anos na Inglaterra. O país conta com uma geração promissora de atletas, e a expectativa é alta em relação a grandes desempenhos nos campeonatos. No entanto, a seleção inglesa ainda não conseguiu traduzir esse potencial em títulos, e a Copa do Mundo se apresenta como mais uma oportunidade para isso.
Ciclo de Resultados
O ciclo atual da seleção inglesa começou de forma promissora, com uma vitória fora de casa contra a Itália e uma campanha quase impecável nas Eliminatórias da Eurocopa, onde conquistou seis vitórias e dois empates. Entretanto, os amistosos que antecederam a competição acenderam um sinal de alerta, com derrotas para o Brasil e Islândia, além de um empate contra a Bélgica. Os ingleses conseguiram vencer apenas a Bósnia.
Na Eurocopa, a participação da Inglaterra na fase de grupos foi abaixo das expectativas. A equipe venceu a Sérvia na estreia, mas o jogo foi considerado fraco. Em seguida, obteve empates contra Dinamarca e Eslovênia. Apesar disso, os ingleses se classificaram em primeiro lugar no grupo. Nas oitavas de final, Jude Bellingham apareceu com um gol decisivo de bicicleta nos acréscimos, evitando a eliminação para a Eslováquia, e depois Harry Kane marcou durante a prorrogação. Nas quartas de final, a classificação contra a Suíça foi conquistada apenas nos pênaltis. Na semifinal, a seleção teve a sua melhor atuação no torneio, vencendo a Holanda por 2 a 1, mas novamente na decisão, a Inglaterra não conseguiu apresentar um bom desempenho e perdeu o título para a Itália.
Mudanças na Composição da Seleção
O vice-campeonato na Eurocopa marcou o fim da passagem de Gareth Southgate à frente da seleção inglesa, resultando na contratação do treinador alemão Thomas Tuchel para o cargo. Durante a disputa da Liga B da Liga das Nações, a Inglaterra teve um revés ao perder para a Grécia em Wembley, mas garantiu o acesso vencendo os outros cinco jogos.
O desempenho do novo treinador foi notório nas Eliminatórias, onde a Inglaterra venceu todas as dez partidas, não sofrendo gols. Contudo, nos amistosos, a seleção sofreu uma derrota para Senegal por 3 a 1. Em 2026, nos primeiros testes para a Copa do Mundo, a equipe empatou com o Uruguai e sofreu uma nova derrota, desta vez para o Japão. Em consequência, mesmo com uma boa campanha nas Eliminatórias, o cenário atual na Inglaterra é de desconfiança, com os Leões ocupando a quarta posição no ranking da FIFA.
O Destaque: Harry Kane
O principal destaque da seleção inglesa, que busca encerrar um jejum de 60 anos sem conquistar um Mundial, é Harry Kane, conhecido como o furacão inglês. Com um total de 78 gols em 112 jogos pela seleção, Kane se tornou o maior artilheiro da história da Inglaterra.
Nesta que é sua terceira Copa do Mundo, Kane chega novamente como o grande protagonista da seleção. No entanto, desta vez, o atacante parece estar em um nível ainda mais elevado, principalmente devido às suas atuações pelo Bayern de Munique, na Alemanha.
Na sua primeira Copa do Mundo em 2018, Kane já havia se destacado como o principal jogador da seleção, levando a equipe até a quarta colocação após uma eliminação na semifinal. Em 2022, já mais experiente e com um elenco mais qualificado, Kane teve um momento marcante ao perder um pênalti crucial contra a França, que resultou na eliminação precoce da Inglaterra. Agora, ele tem uma nova oportunidade de deixar sua marca na história das Copas do Mundo.
O Comandante: Thomas Tuchel
Após anos de altos e baixos com Gareth Southgate, a Inglaterra decidiu inovar ao trazer Thomas Tuchel para comandar a seleção. O alemão é apenas o terceiro treinador estrangeiro a assumir o cargo, o que gerou críticas no momento de seu anúncio. No entanto, seu desempenho nas Eliminatórias ajudou a criar uma percepção positiva sobre seu trabalho, embora os resultados nos amistosos ainda gerem desconfiança.
Tuchel está vivendo sua primeira experiência à frente de uma seleção nacional. Ele iniciou sua carreira como treinador na Alemanha, passando pelo Augsburg, Mainz e Borussia Dortmund. Em seguida, trabalhou no Paris Saint-Germain, onde foi vice-campeão da Liga dos Campeões com Neymar e Mbappé. No ano seguinte, assumiu o Chelsea, conquistando o título europeu e o Mundial de Clubes em 2021. O técnico também teve uma passagem pelo Bayern de Munique antes de assumir a seleção inglesa.
Campanhas em Copas do Mundo
Apesar de serem considerados os inventores do futebol, os ingleses participaram de sua primeira Copa do Mundo em 1950. Até 1962, a seleção não conseguiu apresentar grandes campanhas, sendo eliminada na fase de grupos ou nas quartas de final. Contudo, em 1966, quando sediou o torneio, a equipe alcançou um novo patamar. Após avançar na liderança de seu grupo, a Inglaterra derrotou a Argentina e Portugal nas fases eliminatórias. Na final, a seleção saiu atrás da Alemanha Ocidental, conseguiu a virada, mas sofreu um empate nos minutos finais. Na prorrogação, Geoff Hurst marcou dois gols, um deles em um lance controverso, garantindo o título aos anfitriões e gerando uma das maiores polêmicas da história do torneio.
Após 1966, a seleção inglesa enfrentou um longo período sem destaque no torneio. Em 1970, foi eliminada nas quartas de final pela Alemanha Ocidental. Nos anos de 1974 e 1978, não se classificou para a competição. Retornou em 1982 e 1986, mas não conseguiu avançar para as fases decisivas. Em 1990, chegou às semifinais, onde foi derrotada pelos alemães. Em 1994, mais uma ausência. Desde então, a Inglaterra participou de todos os Mundiais, mas chegou apenas uma vez entre os quatro finalistas em 2018, quando foi derrotada pela Croácia nas semifinais.
Time-base
A escalação base da seleção inglesa é composta por: Pickford; Ben White, Guéhi, John Stones e O’Reilly; Henderson, Bellingham, Rice e Eze; Saka e Kane.
O País
A Inglaterra se destaca como a principal nação do Reino Unido, sob o reinado do rei Charles III e com Keir Starmer ocupando o cargo de primeiro-ministro. O império inglês, formado em 1066, dominou diversas regiões do mundo e deixou influências marcantes, como a consolidação do inglês como um idioma global. O país possui uma área de 130.395 km² e uma população de 58.620.100 habitantes, tendo Londres como sua capital.
A economia inglesa desempenhou um papel fundamental no cenário internacional, sendo o berço da Revolução Industrial. Atualmente, a Inglaterra mantém uma forte produção industrial, com ênfase nas áreas química, farmacêutica, aeroespacial, bélica, manufatureira e de software.
Celebridades
A Inglaterra também exerce uma significativa influência no cenário cultural mundial. No cinema, diversos nomes de destaque emergiram do país, como as atrizes Millie Bobby Brown, Florence Pugh e Emma D’Arcy, além dos atores Henry Cavill, Benedict Cumberbatch e Jason Statham. Na música, nomes como Harry Styles, Dua Lipa, Adele, Ed Sheeran e a banda Oasis, que retornou aos palcos após 16 anos, se destacam.
No entanto, atualmente, nenhum nome inglês atrai tanta atenção quanto Lewis Hamilton. O heptacampeão da Fórmula 1 brilha nas pistas, atualmente pilotando pela Ferrari. Contudo, o piloto vai além do automobilismo, participando de eventos de moda, envolvendo-se com a música e, mais recentemente, atraindo a atenção da mídia por seu relacionamento com a empresária Kim Kardashian. Além disso, Lewis é um forte defensor de campanhas contra o desmatamento e no combate ao racismo.
O Que Esperar da Inglaterra
Com sua geração talentosa, a seleção inglesa chega à América do Norte cercada de expectativas, semelhante ao que ocorreu nas edições anteriores da Copa do Mundo. Entretanto, a falta de resultados expressivos pode indicar uma fragilidade da equipe em momentos decisivos. A expectativa é que a Inglaterra avance sem dificuldades na fase de grupos, mas encontre mais desafios à medida que o torneio avança.