Egito vai disputar a Copa do Mundo pela quarta vez em 2026
Após uma eliminação traumática nas Eliminatórias de 2022, a seleção egípcia volta a disputar a Copa do Mundo com a expectativa de ter uma participação significativa no torneio. Os Faraós enfrentaram um ciclo marcado por desafios, mas conseguiram uma classificação tranquila, destacando-se pela atuação do astro Mohamed Salah.
Ciclo de Eliminatórias
O ciclo da seleção egípcia começou de forma promissora, com cinco vitórias nas Eliminatórias para a Copa Africana de Nações, além de duas vitórias nas Eliminatórias da Copa do Mundo e apenas uma derrota em amistoso, que ocorreu contra a Tunísia. Contudo, o bom desempenho nas eliminatórias não se refletiu na competição continental, onde os Faraós empataram todos os três jogos na fase de grupos. Apesar de avançarem para as oitavas de final, foram eliminados nos pênaltis pela República Democrática do Congo.
Após esse fracasso na Copa Africana, o técnico português Rui Vitória deixou o cargo e foi substituído pelo conhecido Hossam Hassan. Sob a liderança de Hassan, a seleção jogou em casa e iniciou sua trajetória com uma vitória contra a Nova Zelândia, mas acabou perdendo na decisão da FIFA Series para a Croácia. Na qualificatória para o Mundial, a equipe se estabilizou na liderança do grupo, conquistando uma vitória contra Burkina Faso e um empate contra Guiné-Bissau. A classificação egípcia na nova eliminatória para o torneio continental foi garantida após quatro vitórias e dois empates contra Botsuana, Mauritânia e Cabo Verde.
Classificação para a Copa do Mundo
A classificação do Egito para a Copa do Mundo de 2026 ocorreu em 2025, sem grandes sustos. Em seis jogos, a seleção venceu cinco, tendo apenas empatado em uma partida contra Burkina Faso, fora de casa. A vaga foi confirmada com uma vitória de 3 a 0 sobre Djibouti. No entanto, os Faraós enfrentaram dificuldades em seus primeiros testes, com derrota para o Uzbequistão, empate contra Cabo Verde e eliminação na primeira fase da Copa Árabe, onde utilizaram um time alternativo.
No início do ano do Mundial, o Egito apresentou um bom desempenho na Copa Africana de Nações, avançando na liderança do grupo e superando Benin e Costa do Marfim nas fases de mata-mata. A equipe foi eliminada apenas na semifinal, pelo Senegal, que se tornou um adversário complicado nos últimos anos. Nos testes finais antes da Copa do Mundo, os Faraós obtiveram bons resultados, com uma goleada sobre a Arábia Saudita e um empate contra a Espanha. Atualmente, a seleção ocupa a 29ª posição no ranking da FIFA.
Destaque: Mohamed Salah
Um dos principais nomes da seleção nos últimos dez anos, Mohamed Salah busca finalmente disputar uma Copa do Mundo em plenas condições de saúde. Em 2018, o craque egípcio sofreu uma lesão na final da Liga dos Campeões e não pôde atuar em sua totalidade durante o torneio na Rússia. Após a derrota na Copa Africana de 2021 e a eliminação nas Eliminatórias de 2022, Salah espera ter um desempenho marcante pela seleção em uma competição internacional.
Salah já disputou 115 partidas com a camisa dos Faraós, sendo o sétimo jogador com mais aparições na história do país e o vice-artilheiro da seleção, com 67 gols, dois a menos que o atual treinador Hossam Hassan. Além de tentar fazer uma Copa do Mundo memorável, o torneio também é significativo para Salah, pois marca o fim de um ciclo em sua carreira. O jogador já anunciou que deixará o Liverpool ao final da temporada, encerrando uma passagem de nove anos pelo clube.
O Comandante: Hossam Hassan
Hossam Hassan, maior artilheiro da seleção egípcia, enfrenta um novo desafio em sua carreira como treinador. Após ter jogado 177 partidas e marcado 69 gols pelos Faraós, ele assumiu a equipe com a missão de garantir a vaga na Copa do Mundo, objetivo alcançado com sucesso. Agora, ele se prepara para a sua segunda Copa do Mundo, tendo participado do torneio de 1990 como jogador.
Na sua trajetória como treinador, Hassan já passou por diversos clubes egípcios, como Zamalek, Pyramids e Al Masry. Além disso, ele comandou a seleção da Jordânia entre 2013 e 2014, participando da repescagem para a Copa do Mundo, na qual a equipe perdeu a vaga para o Uruguai.
Campanha em Copas do Mundo
O Egito é a maior campeã da África, com sete títulos continentais, mas não possui o mesmo sucesso em suas participações na Copa do Mundo. A edição de 2026 será apenas a quarta vez que os Faraós disputam o torneio. Antes disso, a seleção participou das edições de 1934, 1990 e 2018. Os egípcios também estavam programados para participar da Copa de 1930, mas foram impedidos de viajar devido a uma tempestade no Mar Mediterrâneo.
Um dado importante a se destacar é que os Faraós nunca venceram uma partida em Copas do Mundo. Na sua primeira participação, em 1934, a seleção foi eliminada na fase inicial pela Hungria. Em 1990, os egípcios conseguiram seus primeiros pontos, empatando com a Holanda e a Irlanda, mas foram derrotados pela Inglaterra, resultando em nova eliminação. Na edição de 2018, o Egito foi derrotado em todas as suas partidas, contra Uruguai, Rússia e Arábia Saudita, mais uma vez ficando na fase de grupos.
Time-base da Seleção
A formação base da seleção egípcia para a Copa do Mundo é a seguinte: El-Shenawy; Fatouh, Hany, Ibrahim e Zizo; Saber, Ashour, Attia e Fathi; Salah e Marmoush.
O País: Egito
O Egito é uma das civilizações mais antigas do mundo, com os primeiros povos datados de aproximadamente seis mil anos antes de Cristo e o início de um reino em torno de três mil antes de Cristo. O país possui uma área de 1.001.450 km², uma população de cerca de 110 milhões de habitantes e sua capital é Cairo.
A economia egípcia sempre teve a agricultura como sua principal fonte de renda, devido ao vale do rio Nilo. Outros setores importantes incluem a exportação de petróleo, o turismo e o controle do Canal de Suez, que conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. O Egito é uma república semipresidencialista, sob um regime autoritário, com Abdul Fatah Khalil Al-Sisi como presidente e Moustafa Madbouly como primeiro-ministro.
Celebridades e Cultura
Nos últimos anos, várias personalidades egípcias têm ganhado destaque em produções mundiais. O ator Mena Massoud, que interpretou Aladdin nos cinemas, e a atriz May Calamawy, que atuou nas séries "Ramy" e "Cavaleiro da Lua", são exemplos. Rami Malek, vencedor do Oscar de melhor ator em 2019 por sua interpretação de Freddie Mercury no filme "Bohemian Rhapsody", nasceu nos Estados Unidos, mas é filho de egípcios e mantém uma forte ligação com suas raízes.
No setor musical, o Egito abriga alguns dos principais nomes da cena árabe, como Amr Diab, um ícone da indústria musical do país, e Mohamed Mounir, frequentemente comparado a Roberto Carlos no Egito. Além deles, os rappers Mohamed Ramadan e Sadat El 3almy têm se destacado na música contemporânea.
Expectativas para a Copa do Mundo
Em busca de sua primeira vitória na Copa do Mundo, o Egito vive a expectativa de uma possível classificação inédita para as fases eliminatórias. Se a seleção contar com Salah e Marmoush saudáveis, espera-se que os Faraós disputem acirradamente o segundo lugar em seu grupo com o Irã, podendo deixar a Nova Zelândia para trás. Além disso, os resultados recentes indicam que os egípcios têm potencial para desafiar a Bélgica na disputa pela liderança do grupo.
