Absolvição de Bárbara Fonseca pelo STJD
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) absolveu a executiva de futebol feminino do Grêmio, Bárbara Fonseca, em um julgamento realizado na última sexta-feira, dia 17, na cidade do Rio de Janeiro. A acusação contra Bárbara envolvia uma suposta injúria racial direcionada a um torcedor do Internacional durante o clássico Gre-Nal, que ocorreu no final de março. O resultado da partida foi uma vitória para o Grêmio, com o placar de 3 a 2. Durante o julgamento, o clube gaúcho também recebeu uma absolvição unânime dos auditores, evitando assim multas e a perda de pontos.
Detalhes do Julgamento
O relator do caso, Pedro Gonet, enfatizou a gravidade social do crime de racismo em seu parecer oficial durante a sessão. No entanto, o magistrado concluiu que os documentos do processo apresentavam insuficiência de provas para justificar uma condenação desportiva neste momento. Dois outros auditores concordaram com o voto do relator, enquanto uma divergência sugeria uma suspensão de 120 dias para a profissional do Grêmio.
Contexto da Partida
Dentro de campo, o Grêmio conquistou a vitória no clássico ao vencer por 2 a 1 no Campeonato Brasileiro Feminino, conforme registrado por Lucas Uebel, fotógrafo da equipe.
Defesa de Bárbara Fonseca
Bárbara Fonseca e o Grêmio estavam sendo processados com base no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que penaliza práticas discriminatórias no esporte. Caso o tribunal tivesse decidido pela culpabilidade, a executiva poderia enfrentar um afastamento de até 360 dias de suas funções.
No depoimento, a dirigente relatou que a confusão foi iniciada após xingamentos proferidos por um funcionário do Internacional contra uma atleta do Grêmio. Bárbara afirmou que respondeu às ofensas verbais de torcedores, mas negou categoricamente ter utilizado qualquer termo de injúria racial.
Argumentos da Defesa
A defesa de Bárbara sustentou que as testemunhas que estavam presentes não corroboraram a versão apresentada pelo torcedor que faz parte de uma organizada do Internacional. Adicionalmente, o Grêmio ressaltou que seus profissionais sofreram ataques verbais constantes durante a saída de campo nessa partida. O tribunal aceitou a argumentação de que não havia clareza nos fatos relatados pela acusação.
Desdobramentos Legais
Apesar da vitória na esfera desportiva, o caso ainda está sendo tratado na esfera criminal pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. O delegado responsável pelo caso indiciou a dirigente após ouvir 11 pessoas e coletar depoimentos que supostamente confirmariam as ofensas raciais relatadas. As câmeras de segurança do Sesc Protásio Alves registraram o tumulto, porém não capturaram o áudio das interações entre os envolvidos. O Ministério Público agora deve analisar o inquérito para decidir se apresentará uma denúncia formal à Justiça.