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Grupo LGBT entra com ação contra Internacional por “práticas de discriminação”

por futebolpress
Grupo LGBT entra com ação contra Internacional por "práticas de discriminação"

Associação ingressa com Ação Civil Pública contra o Internacional

O Grupo Arco-Íris, uma organização voltada para a defesa dos direitos da população LGBTQIA+, protocolou um processo judicial contra o Sport Club Internacional. A entidade argumenta que o clube gaúcho tem sido alvo de "práticas discriminatórias" por parte de seus integrantes. A informação foi divulgada pelo portal "ge".

Detalhes da Ação Civil Pública

A Ação Civil Pública foi apresentada na Justiça do Rio de Janeiro, onde o grupo solicita uma retratação pública por parte do clube, a implementação de ações educacionais voltadas para a conscientização e uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões. O processo menciona como réus o diretor técnico do Internacional, Abel Braga, o ex-treinador Ramón Díaz, que deixou o cargo no final do ano passado, e o lateral Bernabei.



Declarações do presidente do Grupo Arco-Íris

Claudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, ressaltou que a ação representa uma mudança significativa na estratégia de busca por respostas concretas em relação à reparação de violações de direitos humanos que ocorrem de forma contínua no ambiente do futebol. Nascimento criticou as decisões do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), afirmando que estas não trazem resultados efetivos para a sociedade e, especialmente, para a comunidade LGBTQIA+. Ele destacou que essas decisões acabam reforçando a impunidade e a continuidade de práticas violadoras.

Polêmicas envolvendo Abel Braga, Ramón Díaz e Bernabei

Abel Braga

O diretor técnico Abel Braga foi um dos protagonistas de uma polêmica declaração em uma coletiva de imprensa, onde afirmou: "Eu não quero meu time treinando de camisa rosa, parece time de veado." Após a repercussão negativa de suas palavras, ele utilizou uma rede social para se retratar. Em sua postagem, disse: "Colorados e coloradas, em primeiro lugar reconheço que não fiz uma colocação boa sobre a cor rosa durante a minha coletiva. Antes que isso se prolifere, peço desculpas. Cores não definem gêneros. O que define é caráter. O Internacional precisa de paz e muito trabalho. Vamo, vamo Inter!"

Ramón Díaz

O ex-treinador Ramón Díaz também se envolveu em uma controvérsia por suas declarações. Durante uma entrevista após um empate com o Bahia, ele fez um comentário considerado machista ao afirmar: "O futebol é para homens, não é para meninas, é para homens." Posteriormente, Díaz tentou esclarecer suas palavras e pediu desculpas, dizendo: "Se interpretou algo mal da minha declaração. Quero pedir desculpas. Me pareceu que o que eu quis dizer é que uma só pessoa não pode tomar uma decisão tão importante como é a participação do VAR no futebol. Se se interpretou mal, peço desculpa, mas não é minha intenção."

Bernabei

O lateral Bernabei, por sua vez, não fez uma declaração polêmica, mas protagonizou uma ação que gerou críticas. Durante uma partida contra o Bragantino, que foi crucial para a permanência do Internacional na Série A do Campeonato Brasileiro, o jogador retirou o fone de ouvido de uma repórter mulher que estava no gramado e exclamou "fala, agora" para ela. Esse ato foi considerado desrespeitoso e contribuiu para a percepção de uma cultura de desrespeito no ambiente esportivo.

Contexto geral

A Ação Civil Pública apresentada pelo Grupo Arco-Íris reflete uma preocupação crescente com a necessidade de um ambiente respeitoso e inclusivo no futebol, onde todos possam se sentir seguros e valorizados, independentemente de sua identidade de gênero ou orientação sexual. A mobilização em torno desses casos destaca a importância de se discutir e combater a discriminação no esporte, um espaço que historicamente tem sido marcado por comportamentos e atitudes que marginalizam certos grupos.

A repercussão dessas declarações e ações, tanto por parte de figuras públicas do Internacional quanto pela resposta da comunidade e organizações de direitos humanos, evidencia a necessidade de um diálogo mais amplo sobre inclusão e respeito no esporte. As reações e consequências das atitudes tomadas por pessoas em posições de destaque no futebol podem ter um impacto significativo na forma como os torcedores e a sociedade em geral percebem e abordam questões de diversidade e respeito no ambiente esportivo.

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