Leopardos avançam na repescagem continental
A República Democrática do Congo entra em campo na próxima terça-feira, dia 31, para disputar uma vaga na Copa do Mundo. A seleção, conhecida como Leopardos, enfrentará a Jamaica na decisão da repescagem intercontinental, que ocorrerá em Guadalajara. O objetivo é retornar ao torneio após um longo período de 52 anos.
Caminho até a repescagem
A seleção africana garantiu sua vaga no México após passar pela repescagem continental. Durante as Eliminatórias, a República Democrática do Congo competiu pela classificação direta contra o Senegal. Contudo, na antepenúltima rodada, os Leopardos enfrentaram os Leões de Teranga em casa e foram derrotados de virada por 3 a 2, terminando na segunda colocação do grupo.
Na repescagem africana, realizada no Marrocos, os Leopardos conseguiram uma vitória crucial sobre os Camarões, vencendo a partida por 1 a 0 com um gol marcado nos acréscimos. Em seguida, na decisão contra a Nigéria, a seleção empatou em 1 a 1 e venceu nos pênaltis por 4 a 3, assegurando mais uma oportunidade de disputar uma vaga na Copa do Mundo.
Desempenho na Copa Africana de Nações
Os Leopardos também se destacaram na Copa Africana de Nações. Em 2023, a seleção alcançou a quarta colocação, sendo eliminada nas semifinais pela Costa do Marfim. Na edição anterior do torneio, a República Democrática do Congo teve uma fase de grupos sólida, passando de forma invicta, mas foi eliminada nas oitavas de final pela Argélia, na prorrogação.
Por estar posicionada na 48ª posição do ranking da FIFA, a República Democrática do Congo entrou diretamente na final da repescagem. Para se preparar para o confronto decisivo, os Leopardos realizaram um amistoso no México contra as Bermudas, vencendo por 2 a 0 na última quarta-feira, dia 25.
Destaques do elenco
A seleção se destaca na repescagem, apresentando um elenco que conta com vários jogadores atuando em ligas europeias. O principal nome é o atacante Yoane Wissa. Após anos de destaque no Brentford, Wissa transferiu-se para o Newcastle nesta temporada. Até o momento, ele já participou de 22 partidas, marcando três gols pelo clube inglês.
Wissa também tem sido uma presença constante na seleção, participando das duas campanhas anteriores na Copa Africana de Nações e nas Eliminatórias. Com a camisa dos Leopardos, o atacante já atuou em 35 partidas e anotou um total de nove gols.
O comando técnico
A seleção é treinada pelo francês Sébastien Desabre, que assumiu o cargo em agosto de 2022, após a equipe não conseguir a classificação para a Copa do Mundo do Qatar. Sob sua liderança, os Leopardos tiveram uma campanha histórica na Copa Africana de Nações de 2023 e agora buscam consolidar seu nome na história do futebol com uma vaga no Mundial.
Desabre possui uma carreira marcada por passagens em diversos clubes do futebol africano, como Esperance de Tunis, Wydad Casablanca e Pyramids. Além disso, ele treinou a seleção de Uganda, levando-a até as oitavas de final da Copa Africana de Nações em 2019.
Retrospecto na Copa do Mundo
A República Democrática do Congo busca uma classificação inédita para a Copa do Mundo com sua atual nomenclatura. No entanto, a seleção já participou do torneio anteriormente, sob o nome de Zaire, em 1974, quando disputou a Copa do Mundo na Alemanha. Naquela ocasião, a equipe passou pelas Eliminatórias enfrentando Zâmbia, Marrocos, Togo, Camarões e Gana. Durante a competição, a seleção enfrentou Brasil, Iugoslávia e Escócia, mas não conseguiu avançar além da fase de grupos.
Após 1974, o país continuou competindo nas Eliminatórias sob o nome Zaire até 1998. Já como República Democrática do Congo, a seleção ficou próxima da classificação para os Mundiais de 2018 e 2022, mas foi superada por Tunísia e Marrocos, respectivamente.
Composição do time
O time-base da seleção é formado por:
- M’pasi;
- Wan-Bissaka, Mbemba, Tuanzebe e Kayembe;
- Moutoussamy, Bongonda, Mukau e Sadiki;
- Elia e Wissa.
Informações sobre o país
A República Democrática do Congo é o segundo maior país da África, com uma área de 2.345.409 km², e ocupa a quarta posição em termos de população no continente, com cerca de 106.552.000 habitantes. A capital do país é Kinshasa, e a estrutura política é de uma república semipresidencialista, tendo Félix Tshisekedi como presidente e Judith Tuluka como primeira-ministra.
A economia da República Democrática do Congo está fortemente ligada à mineração, especialmente na extração de diamantes. Contudo, essa atividade ocorre em grande parte de forma informal, o que não reflete adequadamente no Produto Interno Bruto (PIB). A República Democrática do Congo possui um dos menores PIBs per capita do mundo.
Além da pobreza, o país enfrenta conflitos severos. Desde 2022, uma guerra civil se intensificou devido a disputas étnicas e pela luta pelo controle de recursos minerais. Há também acusações de que Ruanda estaria apoiando rebeldes no país.
Figura política notável
Um dos nomes mais relevantes na história da República Democrática do Congo é o político Patrice Lumumba, nascido em 1925 e que cresceu no antigo Congo Belga. Lumumba trabalhou em uma mineradora e se destacou em estudos sociais. Durante a década de 1950, ele se envolveu na política, tornando-se uma das principais figuras do movimento anticolonialista na África.
Juntamente com outros líderes, Lumumba fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC). Em 1960, após a vitória do seu partido, ele se tornou primeiro-ministro e promoveu a causa pela independência, que foi conquistada em junho daquele ano. No discurso de posse, Lumumba fez uma declaração marcante, condenando a Bélgica pelos crimes cometidos durante o período colonial. Em janeiro do ano seguinte, ele foi executado em uma conspiração dos Estados Unidos para destituí-lo do poder.
Homenagem a Lumumba
O nome de Lumumba é amplamente reconhecido em todo o país e ganhou destaque na Copa Africana de Nações. Durante o torneio realizado no Marrocos, um torcedor chamado Kuka Muladinga se fantasiou como o primeiro-ministro e ficou em uma posição semelhante a uma estátua nas arquibancadas durante os jogos dos Leopardos.
Expectativas para o confronto
Com a força de seu elenco e um bom retrospecto recente, os Leopardos chegam ao México como a seleção mais promissora da repescagem. A expectativa é que a República Democrática do Congo consiga demonstrar superioridade sobre a Jamaica, tornando-se favorita para o confronto. O poder ofensivo da equipe é uma das esperanças para o retorno à Copa do Mundo. Além disso, o desempenho em jogos anteriores contra Camarões e Nigéria, ambos considerados gigantes do futebol africano, aumentou a confiança da equipe.