SP Investe 105 Vezes Mais que o Nordeste; Rio de Janeiro Foca em Metas de Desenvolvimento

Levantamento revela abismo nas cotas de TV; paulistas garantem até R$ 40 milhões, enquanto pernambucanos recebem R$ 333 mil

Disparidade financeira no futebol brasileiro

A disparidade financeira no futebol brasileiro alcançou um novo patamar nos campeonatos estaduais de 2026. Um levantamento realizado pelos jornalistas Rodrigo Capelo e Felipe Lobo, do jornal "O Estado de São Paulo", expõe um cenário preocupante. A cota de transmissão dos quatro grandes clubes de São Paulo é 105 vezes superior ao valor recebido pelos clubes de Pernambuco, por exemplo. Enquanto as receitas fluem em São Paulo, clubes tradicionais da região Nordeste se veem obrigados a sobreviver com valores irrisórios.

Cotas de TV no Campeonato Paulista

Os clubes Sport, Náutico e Santa Cruz, todos de Pernambuco, receberão apenas R$ 333 mil cada pelos direitos de transmissão de suas partidas. A situação é igualmente crítica para os times paranaenses, Athletico e Coritiba, que têm cotas de apenas R$ 400 mil. A discrepância nas receitas torna-se ainda mais evidente quando se considera que o Campeonato Paulista continua sendo a liga mais rica do Brasil, mesmo com a redução dos valores em comparação aos anos anteriores, em razão de um calendário menor neste ano.

Os clubes paulistas Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo garantem R$ 35 milhões cada um. Essa queda em relação aos R$ 44 milhões recebidos anteriormente se deve, em grande parte, à diminuição do calendário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Além da cota fixa, os clubes também têm direito a bônus por performance. O campeão do Paulistão levará um prêmio adicional de R$ 5 milhões, totalizando R$ 40 milhões em receitas. O vice-campeão, por sua vez, receberá um "prêmio de consolação" no valor de R$ 1,65 milhão. Até os clubes considerados "emergentes", como Bragantino e Mirassol, recebem valores significativos, totalizando R$ 11 milhões fixos.

Mudanças no patrocínio e suas consequências

Outra mudança significativa no cenário esportivo é a diminuição da presença das casas de apostas, que anteriormente eram onipresentes no futebol brasileiro. Clubes tradicionais, como Vasco, Grêmio e Santos, começam o ano sem essas empresas como patrocinadoras máster, impactando suas receitas.

A engenharia financeira do Campeonato Carioca

No Campeonato Carioca, a Federação implementou um modelo financeiro complexo para o ano de 2026. Foi criado um sistema de metas para acomodar a solicitação do Flamengo. O clube rubro-negro possui uma cota fixa de R$ 10 milhões, que pode aumentar para até R$ 25,5 milhões se conquistar o título. Por outro lado, Botafogo, Fluminense e Vasco têm uma cota fixa menor, definida em R$ 6,6 milhões. Com a possibilidade de atingir metas como a semifinal e o título, o teto para esses clubes é de R$ 22,1 milhões.

Situação financeira em Minas Gerais e Sul do Brasil

Em Minas Gerais e no Sul do Brasil, a situação financeira dos clubes apresenta um patamar intermediário. A dupla Grêmio e Internacional, por exemplo, recebe cerca de R$ 10 milhões em cotas de TV. Já os clubes Atlético-MG e Cruzeiro ficam com R$ 9 milhões.

No entanto, a situação crítica persiste no Nordeste e no Paraná. Os clubes Athletico e Coritiba têm receitas limitadas a apenas R$ 400 mil. Em Pernambuco, Sport, Náutico e Santa Cruz recebem valores que são considerados irrelevantes, totalizando R$ 333 mil cada. Esse montante é 105 vezes menor do que a cota recebida pelos clubes do Campeonato Paulista. Essa realidade financeira pode ajudar a explicar a força da Copa do Nordeste na região, que pagou R$ 2,2 milhões ao campeão de 2025, enquanto o vice-campeão recebeu R$ 1,4 milhão.

Tabela resumida das cotas de TV

Abaixo, apresenta-se uma tabela resumida com as cotas de TV dos clubes participantes dos campeonatos estaduais:

Estado Clubes Cota Fixa Variável (Máx.)
SP Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo R$ 35.000.000 + R$ 5 mi (Campeão) ou R$ 1,65 mi (Vice)
SP Bragantino e Mirassol R$ 11.000.000 + R$ 5 mi (Campeão) ou R$ 1,65 mi (Vice)
RJ Flamengo R$ 10.000.000 + R$ 15,5 mi (R$ 10 mi título + R$ 5,5 mi semi)
RJ Botafogo, Fluminense e Vasco R$ 6.600.000 + R$ 15,5 mi (R$ 10 mi título + R$ 5,5 mi semi)
RS Grêmio e Internacional R$ 10.000.000
MG Atlético-MG e Cruzeiro R$ 9.000.000
CE Ceará e Fortaleza R$ 1.600.000 + R$ 200.000 (Campeão)
BA Bahia e Vitória R$ 1.200.000
GO Atlético-GO, Goiás e Vila Nova R$ 700.000
PR Athletico-PR e Coritiba R$ 400.000
PE Sport, Náutico e Santa Cruz R$ 333.000

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