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Por que os clubes brasileiros estão adotando uma abordagem mais cautelosa?

por futebolpress
Por que os clubes brasileiros estão adotando uma abordagem mais cautelosa?

Gestão das SAFs no Futebol Brasileiro

A gestão das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil tem se tornado uma realidade cada vez mais frequente nos últimos anos. Após as primeiras ondas de transformação dos clubes em empresas, está surgindo uma nova fase, caracterizada por objetivos distintos dos anteriores. O foco no desespero financeiro não é mais o único motivador para essa mudança, o que leva as equipes a adotarem uma postura mais cautelosa na concretização desse processo de transformação.

Novas Regras e Oportunidades

Atualmente, os novos negócios no futebol brasileiro já estão sendo estruturados sob as diretrizes da Nova Lei das SAFs, além de estarem sujeitos às novas regras de Fair Play Financeiro estabelecidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nesse contexto, rivais da cidade de Campinas, Guarani e Ponte Preta, destacam-se como potenciais candidatos a aderirem ao modelo de SAF.



Em um estágio mais avançado, com um processo já em execução, está a SAF do clube Juventus, que iniciou suas operações em outubro do ano passado. A transação envolveu um investimento de R$ 480 milhões, com duração prevista de 10 anos, visando a aquisição de 90% do futebol do clube. Os resultados dessa mudança já começaram a ser visíveis, especialmente após a conquista do título da Série A2 e o retorno à elite do Campeonato Paulista.

Benefícios Fiscais da SAF

A transformação em um clube-empresa, nos dias atuais, abrange aspectos que vão além da mera quitação de dívidas e modernização da infraestrutura. Um dos principais objetivos é aproveitar as novas regras tributárias que entrarão em vigor a partir de janeiro de 2027. Com a implementação dessas normas, os impostos que os clubes pagam podem aumentar para cerca de 16% sobre toda a arrecadação. Em contrapartida, ao se tornarem SAFs, esse imposto é reduzido para apenas 5%.

De acordo com Cristiano Caús, advogado especialista em direito desportivo e sócio do CCLA Advogados — escritório que atuou no processo de transformação de clubes em SAFs no Brasil e em Sociedades Anônimas Desportivas (SADs) fora do país —, "o modelo associativo tradicional está com os dias contados a partir de 2027 devido ao aumento de custos em comparação ao formato empresarial". Ele ressalta que, se as primeiras ondas de SAFs foram motivadas por dificuldades financeiras, a próxima fase será impulsionada pela necessidade de sobrevivência tributária. Assim, a reforma tributária irá desencadear um novo movimento de migrações focadas estritamente na eficiência fiscal.

O Início das SAFs

Para contextualizar, a primeira leva das SAFs, amplamente reconhecida como a fase do desespero financeiro, tinha como principal objetivo resolver dívidas bilionárias, evitando qualquer possibilidade de fechamento dos clubes. O marco inicial desse processo foi a aquisição de 90% das ações da SAF do Cruzeiro por Ronaldo. Posteriormente, o Botafogo foi adquirido pelo americano John Textor, que investiu R$ 400 milhões por meio de sua holding multiclubes, que posteriormente foi nomeada Eagle Football Holdings. No Vasco da Gama, a empresa norte-americana 777 Partners comprou 70% das ações da SAF do clube cruzmaltino por aproximadamente R$ 700 milhões.

A urgência por investimentos para a salvação dos clubes fez com que muitos contratos apresentassem brechas regulatórias significativas. Essas lacunas não conseguiram proteger os clubes contra os colapsos de alguns investidores, e agora, várias equipes enfrentam as consequências negativas dessa situação.

Características da Nova Onda das SAFs

Na fase seguinte, o processo de transformação de clubes como Bahia e Atlético Mineiro em SAFs pareceu apresentar um caráter mais profissional em comparação ao anterior. As negociações foram mais longas e complexas, resultando em contratos mais robustos e bem estruturados.

Essa nova onda de SAFs representa uma era de maturidade jurídica, exigência técnica e sobrevivência institucional no futebol brasileiro. Ao optarem por não vender o controle total de imediato, os clubes buscam proteger sua identidade, adotando modelos híbridos ou minoritários que permitem maior autonomia e um controle mais equilibrado sobre suas operações.

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