Brasil teve seu segundo vice-campeonato na França
Quatro anos após conquistar o tetracampeonato, o Brasil iniciou a busca pelo pentacampeonato, com o objetivo de aumentar sua hegemonia na Copa do Mundo. Após um ciclo exitoso, marcado por jogadores que se destacaram no cenário internacional, a Seleção Brasileira chegou à França em 1998 como favorita para conquistar o título. Contudo, na partida decisiva, dificuldades externas levaram os brasileiros à derrota contra os anfitriões.
Mudanças na Comissão Técnica
Com a saída de Carlos Alberto Parreira, que assumiu o Valencia, o então coordenador técnico da Seleção, Mário Zagallo, reassumiu o cargo de treinador após duas décadas. Por ser o atual campeão, o Brasil não precisou disputar as Eliminatórias, o que permitiu à equipe se preparar adequadamente durante todo o ciclo, participando apenas das competições continentais.
Desempenho em Competições Anteriores
Em 1995, a Seleção Brasileira terminou com o vice-campeonato da Copa América, perdendo para o Uruguai na final. No entanto, dois anos depois, conquistou o título do torneio realizado na Bolívia. No final de 1997, a Seleção participou da recém-criada Copa das Confederações, na Arábia Saudita, onde obteve o título, goleando a Austrália na final.
A Dupla Estrela: Ronaldo e Romário
Durante as duas conquistas anteriores, especialmente na segunda, destacaram-se as performances de Romário e Ronaldo. A dupla formou uma grande parceria no ataque, fazendo os torcedores sonharem com a possibilidade de vê-los atuando juntos na Copa do Mundo. Romário havia sido o herói do tetracampeonato e eleito o melhor do mundo naquele ano, enquanto Ronaldo, que já acumulava experiência após participar do Mundial de 1994 e ser eleito duas vezes seguidas o melhor do mundo, era uma das maiores apostas para a conquista do penta.
Lesão e Convocação
Infelizmente, a dupla não teve a oportunidade de atuar junta na França. Romário sofreu uma lesão muscular na panturrilha direita no início da preparação para a Copa e foi cortado. O atacante declarou que estava apto a participar do torneio, mas a decisão de deixá-lo de fora foi atribuída a um desentendimento com Zico, o coordenador técnico da época. Romário até retornou ao Brasil para participar de um amistoso pelo Flamengo, buscando provar sua condição de jogo, mas foi substituído durante a partida.
Diante disso, a convocação de Zagallo contou com sete jogadores que haviam participado do tetracampeonato: Taffarel, Aldair, Dunga, Bebeto, Cafu, Leonardo e Ronaldo. Os quatro primeiros já haviam atuado na Copa de 1990 e estavam indo para seu terceiro Mundial. Vale destacar que, pela primeira vez, o Brasil levou mais jogadores que atuavam no exterior do que no próprio país.
Fase de Grupos
Brasil 2 x 1 Escócia
O Brasil não levou muito tempo para abrir o placar em seu primeiro jogo, contra a Escócia. Logo aos três minutos, Bebeto cobrou um escanteio e César Sampaio, usando o ombro, marcou o primeiro gol. Contudo, o volante acabou derrubando Gallacher na área, resultando em um pênalti, que foi convertido por Collins, empatando a partida. O Brasil teve chances de marcar o segundo gol, com tentativas de Ronaldo e Roberto Carlos, que foram defendidas pelo goleiro Leighton. O gol da vitória veio no segundo tempo, quando Dunga lançou Cafu na direita. O chute cruzado do lateral foi defendido, mas a bola ricocheteou em Boyd, resultando em um gol contra que definiu o placar.
Brasil 3 x 0 Marrocos
No segundo confronto, o Brasil enfrentou o Marrocos em um jogo mais tranquilo. Leonardo chegou a abrir o placar, mas o gol foi anulado por impedimento. Logo depois, Ronaldo recebeu um passe de Rivaldo e marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo. Ainda no primeiro tempo, Cafu cruzou rasteiro para Rivaldo marcar o segundo gol. Na segunda etapa, Ronaldo recuperou a bola na esquerda, passou pela marcação e tocou para Bebeto, que fez o terceiro gol. Contudo, o jogo foi marcado por um desentendimento entre Dunga e Bebeto, onde o capitão chegou a dar uma cabeçada no atacante.
Brasil 1 x 2 Noruega
Encerrando a fase de grupos, o Brasil enfrentou a Noruega já classificado. Apesar de estar com força máxima, a Seleção teve um duelo difícil e equilibrado, já que os noruegueses precisavam da vitória para se classificar. O primeiro gol brasileiro saiu apenas aos 33 minutos do segundo tempo, quando Denílson cruzou e Bebeto marcou de peixinho. No entanto, cinco minutos depois, Tore André Flo empatou. Em seguida, o zagueiro Júnior Baiano cometeu falta na área, resultando em outro pênalti, que Rekdal converteu, decretando a vitória da Noruega e a primeira derrota brasileira na fase de grupos desde 1966.
Goleada e Tensão
Brasil 4 x 1 Chile
Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou o Chile, que não ofereceu muitas dificuldades. O jogo começou com um gol de Dunga, que aproveitou uma cobrança de falta. César Sampaio fez o segundo gol ao aproveitar uma sobra. Ronaldo, que foi derrubado pelo goleiro Tapia, converteu o pênalti e fez o terceiro gol. No início do segundo tempo, os chilenos descontaram com Salas, mas Ronaldo marcou o quarto gol, fechando a goleada e garantindo a classificação.
Brasil 3 x 2 Dinamarca
As quartas de final trouxeram um jogo complicado contra a Dinamarca. Logo no início, os dinamarqueses marcaram com Jørgensen após um escanteio. O Brasil reagiu rapidamente, com Bebeto empatando após passe de Ronaldo. Ainda na primeira etapa, Rivaldo marcou o segundo gol. No início do segundo tempo, a Dinamarca empatou novamente, mas Rivaldo fez o terceiro gol, garantindo a classificação brasileira.
Semifinal
Brasil 1 (4) x (2) 1 Holanda
Na semifinal, o Brasil reencontrou a Holanda em um jogo eletrizante. O primeiro tempo terminou sem gols, mas, logo no início da segunda etapa, Rivaldo assistiu Ronaldo, que abriu o placar. O Brasil teve a chance de sacramentar a vitória, mas Ronaldo desperdiçou uma oportunidade clara. Com o empate de Kluivert nos minutos finais, a partida foi para a prorrogação. Na disputa de pênaltis, Taffarel se destacou, defendendo cobranças e garantindo a classificação do Brasil.
Final
Brasil 0 x 3 França
A final contra a França, que disputava sua primeira decisão, foi marcada por um episódio preocupante envolvendo Ronaldo. Antes da partida, o Brasil divulgou uma escalação sem o atacante, que havia sofrido uma convulsão e passado três horas em um hospital. No entanto, após a liberação médica, Ronaldo foi confirmado na equipe poucos minutos antes do início da partida.
A Seleção Brasileira não conseguiu se encontrar em campo e viu a França criar as melhores oportunidades. Zidane abriu o placar aos 27 minutos e marcou novamente nos acréscimos do primeiro tempo. Na segunda etapa, Denílson teve uma chance, mas acertou o travessão. Para finalizar, Petit marcou o terceiro gol, encerrando a partida em 3 a 0.
Além do vice-campeonato, a derrota foi a maior até então do Brasil em Copas do Mundo. Após o jogo, surgiram teorias sobre a ausência de Ronaldo, incluindo uma sugestão de que sua participação na final foi uma imposição da Nike. A derrota impactou negativamente a confiança da Seleção Brasileira e a geração de jogadores que participou daquele torneio.
Jogadores convocados
Goleiros:
- Taffarel – Atlético Mineiro
- Carlos Germano – Vasco
- Dida – Cruzeiro
Laterais:
- Cafu – Roma (ITA)
- Zé Carlos – São Paulo
- Roberto Carlos – Real Madrid (ESP)
- Zé Roberto – Flamengo
Zagueiros:
- Aldair – Roma (ITA)
- Júnior Baiano – Flamengo
- Gonçalves – Botafogo
- André Cruz – Juventus (ITA)
Meias:
- César Sampaio – Yokohama Flügels (JAP)
- Dunga – Júbilo Iwata (JAP)
- Emerson – Bayer Leverkusen (ALE)
- Rivaldo – Barcelona (ESP)
- Doriva – Porto (POR)
- Leonardo – Milan (ITA)
Atacantes:
- Ronaldo – Internazionale (ITA)
- Giovanni – Barcelona (ESP)
- Denílson – Betis (ESP)
- Bebeto – Botafogo
- Edmundo – Fiorentina (ITA)
Ficha técnica
Campeão: França
Vice-campeã: Brasil
Final: França 3 x 0 Brasil
Artilheiros: Davor Šuker (Croácia) – seis gols
