Iraque Disputará Sua Segunda Copa do Mundo
Retorno após 40 Anos
O Iraque está de volta à Copa do Mundo após 40 anos. A seleção iraquiana teve duas oportunidades para garantir sua vaga, mas somente conseguiu a classificação na repescagem. Durante os últimos anos, os Leões da Mesopotâmia enfrentaram momentos de incerteza e mudanças de treinador.
Caminho nas Eliminatórias
O ciclo da seleção começou sob a liderança do treinador espanhol Jesus Casas. Nas Eliminatórias, o Iraque avançou para a segunda fase com 100% de aproveitamento, tendo vencido Indonésia, Vietnã e Filipinas. Na Copa da Ásia, o Iraque destacou-se ao interromper uma sequência invicta de 11 jogos do Japão, avançando na liderança do seu grupo. No entanto, nos oitavas de final, o time foi eliminado pela Jordânia em um dos jogos mais controversos da competição.
De volta às Eliminatórias, o Iraque reencontrou a Jordânia na terceira fase da qualificatória, que oferecia uma vaga direta na Copa do Mundo. Porém, a seleção não conseguiu manter uma performance consistente. Durante a Data Fifa, os Leões empataram em 1 a 1 contra o Kuwait e, em seguida, perderam para a Palestina, com dois gols sofridos nos minutos finais da partida. Essa derrota deixou a vaga aberta para a Jordânia, que confirmou sua classificação com uma rodada de antecedência, após a derrota iraquiana para a Coreia do Sul.
Mudanças na Comissão Técnica
A campanha insatisfatória resultou na demissão de Jesus Casas, que mantinha uma relação conturbada com a imprensa local. Com a chegada de Graham Arnold, a seleção ganhou uma nova chance na quarta fase das Eliminatórias. O Iraque estava em um grupo com a Arábia Saudita e Indonésia, onde venceu os Garudas. No entanto, em uma partida considerada fraca, empatou com a Arábia Saudita e perdeu mais uma oportunidade de classificação devido ao saldo de gols.
Apesar das dificuldades, os iraquianos ainda tinham a possibilidade de se classificar pela repescagem. No confronto contra os Emirados Árabes Unidos, a seleção empatou fora de casa em 1 a 1. No jogo de volta, realizado em Basra, os Leões venceram por 2 a 1, virando o resultado com um gol marcado aos 63 minutos do segundo tempo, garantindo assim a vaga na repescagem.
Desafios Logísticos
Para a partida decisiva, a seleção enfrentou problemas logísticos devido à guerra no Oriente Médio. A Federação Iraquiana chegou a solicitar o adiamento da repescagem, já que o espaço aéreo do país permaneceu fechado por cerca de 15 dias, o que impediu a viagem do treinador Graham Arnold, que ficou preso em Dubai. Para chegar ao México, os jogadores que atuavam no futebol local viajaram de ônibus até Amã, na Jordânia, de onde embarcaram em um voo privado fornecido pela FIFA.
Jogo Decisivo
Em campo, os Leões começaram a partida contra a Bolívia com um gol de Al-Hamadi logo no início. No entanto, ainda no primeiro tempo, diminuíram um pouco o ritmo e sofreram o empate com um gol de Moisés Paniagua. No início do segundo tempo, Ayman Hussein marcou o gol decisivo, garantindo a classificação iraquiana. Com esse resultado, o Iraque se qualificou para a Copa do Mundo ocupando a 57ª posição no ranking da FIFA.
Destaque da Seleção
Ayman Hussein
Apesar de já contar com alguns jogadores provenientes da diáspora, o grande destaque da seleção iraquiana é Ayman Hussein, que se tornou o herói da classificação. O atacante é reconhecido por seu talento em marcar gols e sua presença significativa dentro da área. Com 33 gols em 93 partidas pelos Leões, ele se destaca como o maior artilheiro da equipe em atividade.
Nesse ciclo, Hussein brilhou na Copa da Ásia, onde fez seis gols em apenas quatro jogos, tornando-se o vice-artilheiro da competição. Ele foi responsável por marcar os dois gols na vitória contra o Japão e foi protagonista da polêmica eliminação diante da Jordânia, ao receber um cartão vermelho após imitar a comemoração dos adversários. Durante as Eliminatórias, o atacante balançou as redes nove vezes.
O Comandante
Graham Arnold
Graham Arnold, conhecido por sua experiência à frente da seleção da Austrália, busca disputar sua terceira Copa do Mundo consecutiva, sendo a segunda vez via repescagem. O treinador australiano assumiu o Iraque em maio de 2025, com a missão de reverter a situação da equipe na terceira fase das Eliminatórias. Sem sucesso nessa fase, ele ganhou uma nova chance na quarta, onde novamente não obteve êxito, conseguindo a classificação apenas na repescagem.
Arnold tem um currículo extenso no futebol australiano, tanto como jogador quanto como treinador. Durante sua carreira como atacante, defendeu a seleção australiana, os Soceroos, por 12 anos, entre 1985 e 1997. Como técnico, comandou a seleção de seu país em um curto período após a Copa de 2006 e entre 2018 e 2024, destacando-se na campanha de 2022, que levou a equipe às oitavas de final. Sua demissão ocorreu após um início ruim na terceira fase das Eliminatórias, mas ele rapidamente assumiu o novo cargo.
Retrospecto na Copa do Mundo
O Iraque participou de apenas uma Copa do Mundo, em 1986. Curiosamente, essa participação ocorreu no México, o mesmo país onde a seleção garantiu seu retorno ao Mundial. Naquela edição, os Leões superaram Qatar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Síria para conquistar a vaga. No entanto, na competição, a seleção foi eliminada na fase de grupos, sem conseguir somar pontos e marcando apenas um gol.
Desde então, o Iraque chegou à última fase das Eliminatórias Asiáticas em cinco ocasiões: 1994, 2002, 2014, 2018 e 2022, além de 2026. Entretanto, apenas na primeira delas a seleção ficou próxima de uma possível classificação, terminando dois pontos atrás da Coreia do Sul, que participou da Copa do Mundo daquele ano.
Time Base
O time-base da seleção iraquiana é composto por: Fahad Talib; Hussein Ali, Zaid Tahseen, Akam Hashem e Merchas Doski; Ibrahim Bayesh, Ali Jasim, Aimar Sher e Amir Al-Ammari; Aymen Hussein e Mohanad Ali.
Informações sobre o País
O Iraque está situado em uma das regiões mais significativas da história da humanidade, na antiga Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre. O país possui uma área de 438.317 km² e uma população de 40.222.503 habitantes, tendo Bagdá como sua capital. A economia iraquiana é dominada pela indústria petrolífera.
Contexto Político
A trajetória política recente do Iraque é marcada por conflitos. Saddam Hussein governou o país com uma ditadura que durou 25 anos, até a invasão americana em 2003. Esse evento resultou na Guerra do Iraque, que ainda gera reflexos para os iraquianos atualmente. As tropas norte-americanas permaneceram no país até 2011, mas após sua saída, iniciou-se uma guerra civil, impulsionada pela presença do grupo Estado Islâmico no território iraquiano.
Celebridades Iraquianas
Um nome de destaque no cenário iraquiano é Kadhim Al-Sahir. Ele não é apenas um dos grandes ícones do país, mas também uma das principais vozes da música árabe. Conhecido como "O César", Kadhim Al-Sahir vendeu mais de 100 milhões de álbuns e possui um repertório com mais de 40 sucessos.
Além de seu talento musical, Al-Sahir teve impacto político significativo. Sua carreira foi afetada pela Guerra do Golfo, o que o levou a deixar o país. Mesmo à distância, ele continuou a defender o povo iraquiano por meio de suas letras durante o regime de Saddam Hussein e em pedidos de paz durante a invasão americana. Em 2011, ele foi nomeado embaixador da UNICEF.
Expectativas para a Copa do Mundo
A classificação histórica do Iraque trouxe um desafio significativo, pois a seleção caiu em um grupo considerado difícil, junto com França, Senegal e Noruega. As expectativas de uma classificação e até mesmo de uma vitória são baixas, mas a equipe espera que o histórico defensivo de Graham Arnold se torne um diferencial, possibilitando que o Iraque realize partidas competitivas e, quem sabe, surpreenda o mundo.
