Infantino desiste de abrir capital privado da Fifa
Após uma forte reação contrária, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, decidiu abandonar o plano de venda de uma participação relacionada à Copa do Mundo. A decisão foi comunicada pela entidade em suas redes sociais nesta sexta-feira.
Declaração de Gianni Infantino
"Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, já não atende ao objetivo definido desde o início", declarou Infantino. O dirigente também se comprometeu a tentar restabelecer o diálogo com os envolvidos nas próximas semanas. "Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, com o espírito de interesse compartilhado pelo nosso jogo e com o objetivo de continuar fazendo o futebol crescer em todos os lugares, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio", acrescentou.
O plano da Fifa
A Fifa tinha como meta arrecadar 4,2 bilhões de dólares, equivalente a aproximadamente 21,4 bilhões de reais, por meio da entrada de investidores privados. O projeto contemplava a criação de uma nova empresa que seria responsável pelos ativos comerciais relacionados a torneios, como a Copa do Mundo. Para a aprovação dessa operação, Infantino precisaria do apoio da maioria das 211 associações filiadas à Fifa, com uma votação programada para o dia 19 de setembro.
Entre os investidores cogitados estava a Thrive Eternal, associada ao empresário americano Joshua Kushner, e o banco JPMorgan, que também participava das discussões financeiras pertinentes ao projeto.
Reações ao plano
A proposta da Fifa recebeu uma rejeição imediata da Uefa. As confederações Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia) se uniram à Uefa em sua oposição, enquanto a OFC (Oceânia) e a Conmebol (América do Sul) adotaram uma postura mais moderada.
O que era o Fifa Forward Enterprise?
A entidade ressaltou que a criação do Fifa Forward Enterprise (FFE) dependeria da aprovação de seus membros associados. A FFE seria uma nova subsidiária com controle majoritário da entidade, encarregada de consolidar as operações comerciais e as principais competições organizadas pela Fifa.
Na prática, o plano significava que a Fifa "privatizaria" seus principais torneios, incluindo a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. Essa medida, segundo os proponentes, resultaria em um aumento no número de times, seleções e jogos, além de uma arrecadação ainda maior.
Nota completa da Fifa
Em sua nota oficial, a Fifa esclareceu: "O projeto FIFA Forward Enterprise visava criar uma base para fortalecer ainda mais as Associações Membro da FIFA e o nosso esporte em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário. Além disso — como dissemos desde o início —, a intenção era avançar apenas com o apoio da maioria das Associações Membro da FIFA e sempre mediante um processo de consulta com elas, com o Conselho da FIFA, com as Confederações e com as demais partes interessadas."
A entidade continuou: "Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto gerou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, já não servem aos interesses do objetivo inicialmente estabelecido. Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e melhorar. Consequentemente, esta proposta não seguirá adiante."
Por fim, a Fifa reiterou que, daqui para frente, a intenção de Infantino é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, motivados pelo interesse comum no esporte e com o objetivo de continuar promovendo o crescimento do futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais necessitam de apoio.
Redes sociais da Fifa
Fique por dentro das atualizações e conteúdos da Fifa em suas redes sociais: Bluesky, Threads, Twitter, Instagram e Facebook.
