Brasileiros fazem feio na primeira rodada da Copa Sul-Americana
A primeira rodada da Copa Sul-Americana trouxe mais questões do que respostas para o futebol brasileiro. Considerados favoritos devido ao peso financeiro e à qualidade de seus elencos, os clubes do país apresentaram um desempenho decepcionante, com apenas o São Paulo conseguindo uma vitória. Essa situação reabriu um debate antigo sobre o prestígio da competição, levantando a indagação: a Copa Sul-Americana ainda é valorizada ou se tornou apenas uma alternativa no calendário?
Os brasileiros na Sul-Americana
O São Paulo foi o único clube brasileiro a conquistar uma vitória na Copa Sul-Americana, enfrentando o Boston River no Uruguai e vencendo a partida por 1 a 0, com um gol marcado por Bobadilla. Apesar dos desfalques, incluindo Calleri, Luciano e Sabino, que estavam no departamento médico, o técnico Roger Machado escalou um time misto, dando oportunidade a jogadores como André Silva, Cauly e Dória. Mesmo com a equipe desfalcada e apresentando um futebol abaixo do esperado, o Tricolor conseguiu sair vitorioso.
Por outro lado, os demais clubes brasileiros deixaram a desejar. O Vasco da Gama deslocou-se até a Argentina para enfrentar o Barracas Central, também com um time misto. A ausência do técnico Renato Gaúcho, que ficou no Brasil para treinar os titulares em preparação para o Brasileirão, foi notável. Sob o comando de Alexandre Mendes, o Cruz-Maltino não conseguiu mais do que um empate sem gols, em uma partida sem emoção.
O Deportivo Cuenca, que derrotou o Santos, possui um orçamento anual de aproximadamente R$ 10,7 milhões. Para manter todo seu elenco durante uma temporada, o clube investe um montante que não chega a 12% dos R$ 95 milhões que o Santos admite dever ao jogador Neymar. Apesar da disparidade financeira, os equatorianos venceram os brasileiros por 1 a 0, com um gol olímpico resultante de uma falha do goleiro Gabriel Brazão. O Santos, por sua vez, também optou por preservar alguns atletas, embora tenha contado com vários titulares em campo.
O Grêmio também não teve um bom início na competição, estreando com uma derrota por 1 a 0 diante do Montevideo City Torque, do Uruguai. O Tricolor Gaúcho preservou a maioria de seus titulares, e mesmo com a presença de jogadores como Weverton e Arthur, a equipe não conseguiu apresentar um desempenho satisfatório, resultando em uma atuação que demonstrou pouco interesse pela competição.
Atlético e Botafogo são os que mais decepcionam
O Atlético Mineiro teve uma atuação ainda mais decepcionante, enfrentando o Puerto Cabello na Venezuela. Mesmo contando com um time competitivo, que incluía Dudu, Bernard, Gustavo Scarpa, Everson e Junior Alonso, o Galo sofreu uma derrota de 2 a 1. Este resultado marcou a primeira derrota do Atlético na história para uma equipe venezuelana.
O Botafogo, ao contrário de outros clubes, escalou sua força máxima para a partida, e a principal novidade foi a estreia do treinador Franclim Carvalho. No entanto, o desempenho foi semelhante ao dos outros clubes brasileiros. O empate em 1 a 1 com o Caracas, da Venezuela, evidenciou que o treinador terá muito trabalho pela frente. É importante ressaltar que o Botafogo foi o único clube brasileiro que estreou jogando em casa.
Por fim, o RB Bragantino também teve uma atuação negativa ao enfrentar o Carabobo na Venezuela, escalando um time reserva e perdendo por 1 a 0, com um gol sofrido logo no início da partida.
Brasileiros ligam para a Sul-Americana?
Com um calendário apertado e a realização de muitos jogos, as equipes brasileiras enxergaram a Copa Sul-Americana como uma oportunidade para gerenciar a carga de seus jogadores e recuperar os principais atletas. Contudo, é importante ressaltar que a competição continua a ser um torneio continental, com uma premiação significativa e que garante uma vaga na Copa Libertadores.
A tradição em edições passadas mostra que os clubes brasileiros costumam levar a Sul-Americana mais a sério durante as fases de mata-mata. No entanto, já ocorreram casos de eliminações ainda na fase de grupos, como aconteceu com o Corinthians e o Cruzeiro no ano anterior, além do Santos em 2023.
Atualmente, sete clubes brasileiros estão disputando a competição em 2026, muitos dos quais têm um histórico de conquistas continentais. No entanto, a postura inicial dos clubes parece indicar uma prioridade maior em relação ao calendário nacional. Com jogos acumulados e um elevado nível de desgaste, a Sul-Americana é vista como um espaço para testes, rotação de elenco e controle físico.
Por outro lado, o torneio segue oferecendo uma premiação relevante e uma oportunidade de garantir uma vaga na Copa Libertadores da América. Portanto, trata-se de uma oportunidade esportiva concreta, embora, na prática, nem sempre seja tratada dessa forma.
Diante desse panorama, a dúvida persiste: vale a pena investir na Copa Sul-Americana ou ela se tornou apenas um torneio secundário no planejamento das equipes brasileiras?
