África do Sul volta a disputar a Copa do Mundo após 16 anos
Após ter sido sede da Copa do Mundo, a África do Sul retorna ao torneio em 2026. A seleção traz consigo a força de sua torcida, que sempre se destaca nas arquibancadas, e o talento dos jovens jogadores de Soweto, que conseguiram a classificação para a competição.
Renascimento dos Bafana-Bafana
Depois de uma série de ciclos abaixo do esperado, onde a seleção sul-africana não conseguiu brigar por uma vaga, os Bafana-Bafana vivenciaram um renascimento nos últimos anos. O primeiro sinal de que as coisas estavam mudando ocorreu na Copa Africana de Nações de 2023, realizada em 2024, quando a África do Sul terminou na terceira colocação, alcançando sua melhor campanha nos últimos 25 anos do torneio.
Desempenho nas Eliminatórias
Durante as Eliminatórias, os sul-africanos enfrentaram dificuldades no início, mas conseguiram aproveitar os vacilos da Nigéria, o que os levou a disparar na liderança do grupo. No entanto, um erro interno quase colocou a classificação em risco. O jogador Teboho Mokoena estava suspenso devido a dois cartões amarelos, mas atuou normalmente na vitória contra o Lesoto. Às vésperas da última rodada, a FIFA anunciou uma punição de três pontos, o que retiraria a liderança da África do Sul.
Apesar das dificuldades, os Bafana-Bafana conseguiram garantir a classificação. Após um empate sem gols contra o Zimbábue, a África do Sul venceu Ruanda de forma tranquila e contou com o tropeço de Benin para assegurar a vaga.
Desempenho Recente
Por outro lado, a seleção chega à Copa do Mundo em um momento de baixa. Na Copa Africana de Nações deste ano, os sul-africanos não conseguiram apresentar o mesmo desempenho e foram eliminados nas oitavas de final pela equipe de Camarões. Nos últimos amistosos preparatórios, a África do Sul enfrentou o Panamá, resultando em um empate e uma derrota.
Destaques da Seleção
A seleção sul-africana é predominantemente composta por atletas que atuam no país. A maioria dos jogadores defende os clubes Orlando Pirates e Mamelodi Sundowns, embora alguns estejam no exterior, como o atacante Lyle Foster, que joga pelo Burnley. No entanto, o grande destaque da equipe atualmente reside em uma posição que normalmente não é conhecida por ter grandes estrelas.
Ronwen Williams
Ronwen Williams é, sem dúvida, o jogador que mais chama a atenção neste momento positivo da África do Sul. O goleiro se tornou a peça-chave da equipe que chegou até as semifinais da Copa Africana de Nações. Com 63 jogos disputados pela seleção, Williams atualmente é o capitão da equipe. O arqueiro foi premiado como o melhor goleiro africano em 2024, superando Yassine Bono, de Marrocos.
Comando Técnico
Desde 2021, a seleção é comandada pelo belga Hugo Broos. O treinador chegou aos Bafana-Bafana com a missão de recolocar o país no Mundial. Por pouco, isso não ocorreu na Copa de 2022, quando a seleção ficou atrás de Gana no saldo de gols na segunda fase, após uma polêmica partida decisiva. No entanto, Broos conseguiu organizar a equipe ao longo deste ciclo e garantiu a tão sonhada vaga.
Hugo Broos, com 73 anos, atuou como zagueiro nas décadas de 1970 e 1980, participando da Copa do Mundo de 1986. Ao longo de sua carreira como técnico, acumulou passagens por equipes belgas, gregas e turcas. Em 2014, ingressou no futebol africano como treinador do JS Kabylie, da Argélia, e em 2017 assumiu o comando da seleção camaronesa, onde ficou por menos de dois anos. Após um período fora do futebol, o belga aceitou o convite para dirigir a seleção sul-africana.
Polêmica
No final do ano passado, Broos se envolveu em uma controvérsia. Em uma entrevista antes do início da Copa Africana de Nações, ele fez uma declaração sobre o defensor Mbekezeli Mbokazi, afirmando que o jogador, que é negro, iria se transformar em um “cara branco” com seu trabalho. Após a repercussão negativa das suas falas, que também envolveram a empresária do jogador, o técnico pediu desculpas pelas suas palavras inadequadas.
Histórico em Copas do Mundo
Esta será apenas a quarta vez que a África do Sul disputará a Copa do Mundo. Os Bafana-Bafana estrearam no torneio em 1998, na França, e participaram novamente em 2002. Em 2010, na última participação, o país fez história ao ser o anfitrião da primeira Copa realizada no continente africano.
Entretanto, a seleção acumula uma marca negativa no torneio, já que nunca conseguiu passar da fase de grupos. Curiosamente, os Bafana-Bafana possuem mais empates do que derrotas ou vitórias. Em nove partidas em Copas do Mundo, os sul-africanos empataram quatro vezes, perderam três e venceram apenas duas.
Time-base
O time-base da seleção é formado por:
- Williams;
- Ngezana, Sibisi e Mbokazi;
- Mudau, Mokoena, Aubeas e Kabini;
- Appollis, Mofokeng e Lyle Foster.
Contexto do País
A África do Sul possui o segundo maior Produto Interno Bruto da África e a maior renda per capita entre as principais nações do continente. O país tem uma capital para cada um dos três poderes: Pretória, que abriga o executivo; Cidade do Cabo, sede do legislativo; e Bloemfontein, onde está o judiciário. A área total do país é de 1.221.037 km², e o presidente atual é Cyril Ramaphosa. A economia sul-africana está fortemente ligada à mineração, sendo um dos maiores produtores mundiais de ouro e prata.
Personalidade Histórica
É impossível falar sobre a África do Sul sem mencionar Nelson Mandela. O líder político foi o principal nome na luta contra o Apartheid, regime que predominou no país por mais de 40 anos e se baseou na segregação racial entre brancos e negros. Por esse motivo, Mandela passou 27 anos de sua vida preso.
Com a queda do regime, ele se tornou presidente da África do Sul entre 1994 e 1999 e participou ativamente da refundação do país. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1993 por sua resistência pacífica e continuou sua atuação como advogado em prol dos direitos humanos. Mandela faleceu aos 95 anos, em dezembro de 2013, após ter testemunhado uma Copa do Mundo em seu país.
Expectativas para a Copa do Mundo de 2026
No Grupo A, a África do Sul está ao lado do México, República Tcheca e Coreia do Sul, e fará sua primeira partida da Copa contra os anfitriões. Para que a seleção possa alcançar uma classificação histórica, é preciso aguardar qual versão da equipe veremos na América do Norte. A missão de Hugo Broos é fazer com que o início de ano complicado fique para trás, permitindo que a leveza e a “ginga de Soweto”, que marcaram os Bafana-Bafana ao longo do ciclo, possam ser recuperadas.
