Iraque terá sua terceira chance de garantir uma vaga na Copa do Mundo
O Iraque entrará em campo na madrugada da próxima quarta-feira, dia 1º, à meia-noite, no horário de Brasília, para um confronto que é considerado o mais importante dos últimos 40 anos. A seleção iraquiana, conhecida como os Leões da Mesopotâmia, enfrentará a Bolívia em um duelo decisivo na repescagem intercontinental, que ocorrerá em Monterrey.
Este será o terceiro momento em que a seleção do Iraque terá a oportunidade de assegurar uma vaga na Copa do Mundo na América do Norte. A trajetória dos Leões foi marcada por altos e baixos, incluindo uma mudança de comando técnico, duas chances de classificação não aproveitadas e uma situação complexa à véspera da viagem ao México.
Iraque disputou cinco fases até garantir vaga na repescagem
O ciclo dos Leões da Mesopotâmia começou sob a direção do espanhol Jesus Casas. Nas Eliminatórias, a seleção avançou para a segunda fase com um desempenho impecável, conquistando vitórias sobre Indonésia, Vietnã e Filipinas. Na Copa da Ásia, o Iraque se destacou ao interromper uma sequência invicta de 11 jogos do Japão, liderando seu grupo. No entanto, nas oitavas de final, a equipe foi eliminada pela Jordânia em um jogo que gerou bastante controvérsia.
Retornando às Eliminatórias, o Iraque reencontrou a Jordânia na terceira fase da qualificação, que valia uma vaga direta na Copa do Mundo. Contudo, a seleção não conseguiu manter um desempenho consistente. Durante a Data FIFA, os Leões se esforçaram para empatar em 1 a 1 contra o Kuwait, mas posteriormente sofreram uma derrota para a Palestina, que virou o jogo nos minutos finais. Esse resultado deu à Jordânia a classificação antecipada, que foi confirmada com a derrota iraquiana para a Coreia do Sul.
Troca no comando técnico
A campanha insatisfatória levou à demissão de Casas, que enfrentava uma relação conturbada com a imprensa local. Sob a direção de Graham Arnold, a seleção teve uma nova chance na quarta fase. Em um grupo que incluía Arábia Saudita e Indonésia, os Leões conseguiram vencer os indonésios, mas empataram em uma partida não muito inspiradora contra os sauditas, o que resultou em mais uma oportunidade de classificação perdida devido ao critério de gols marcados.
Apesar de tantos erros, os iraquianos ainda conseguiram uma chance na repescagem. No primeiro confronto contra os Emirados Árabes Unidos, o jogo terminou em 1 a 1 fora de casa. No jogo de volta, realizado em Basra, os Leões venceram por 2 a 1, com um gol decisivo aos 63 minutos do segundo tempo, assegurando a vaga no México. Devido à sua posição de 58ª no ranking da FIFA, o Iraque disputará apenas o jogo decisivo da repescagem.
Seleção teve problemas para chegar ao México
Entretanto, a seleção iraquiana enfrentou dificuldades para participar do torneio. Devido aos conflitos no Oriente Médio, a Federação Iraquiana chegou a solicitar o adiamento da repescagem. O espaço aéreo do país permaneceu fechado por cerca de 15 dias, o que fez com que Arnold ficasse preso em Dubai. Para viajar ao México, os jogadores que atuam no futebol local precisaram ir de ônibus até Amã, na Jordânia, e lá embarcaram em um voo privado fornecido pela FIFA. Com o elenco completo, os Leões terão aproximadamente dez dias para se preparar para o jogo decisivo. Contudo, a seleção não contará com o goleiro titular Jalal Hassan, que se encontra lesionado.
O destaque
Embora já conte com alguns jogadores oriundos da diáspora, o grande destaque da seleção iraquiana é Ayman Hussein. O atacante é amplamente reconhecido por seu excepcional faro de gol e por sua presença marcante dentro da área. Com a camisa da seleção iraquiana, Hussein marcou 32 gols em 92 partidas, tornando-se o maior artilheiro da equipe em atividade.
Neste ciclo, Ayman Hussein teve um desempenho notável na Copa da Ásia, onde se destacou ao marcar seis gols em apenas quatro jogos, ficando com o título de vice-artilheiro da competição. O atacante foi responsável por marcar os dois gols que garantiram a vitória contra o Japão e também esteve envolvido em uma polêmica eliminação para a Jordânia, quando recebeu um cartão vermelho após imitar a comemoração dos adversários. Durante as Eliminatórias, Hussein balançou as redes em oito ocasiões.
O comandante
Graham Arnold, conhecido por seu trabalho à frente da seleção da Austrália, busca disputar sua terceira Copa do Mundo consecutiva, sendo esta a segunda via repescagem. O treinador assumiu a seleção iraquiana em maio de 2025, recebendo a missão de tentar reverter a campanha do time na terceira fase. Após não obter sucesso, ele ganhou uma nova chance na quarta fase, mas novamente não conseguiu resultados positivos. Agora, Arnold tenta cumprir sua missão no México.
O técnico possui um extenso currículo no futebol australiano, tanto como jogador quanto como treinador. Como atacante, Arnold fez parte da seleção australiana por 12 anos, de 1985 a 1997. No comando da seleção nacional, ele teve um breve período após a Copa de 2006 e entre 2018 e 2024, destacando-se na campanha de 2022, quando levou a equipe até as oitavas de final. Sua demissão ocorreu após um início ruim na terceira fase das Eliminatórias, mas ele logo assumiu seu novo cargo.
Retrospecto na Copa
O Iraque participou de uma única Copa do Mundo, em 1986. Curiosamente, essa participação ocorreu no México, onde agora tem a chance de garantir sua volta ao torneio. Naquele ano, os Leões conquistaram a vaga ao vencer jogos contra Qatar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Síria. No entanto, na competição, a seleção foi eliminada na fase de grupos, que contava com os anfitriões, Paraguai e Bélgica, sem somar pontos e marcando apenas um gol.
Desde então, o Iraque alcançou a última fase das Eliminatórias Asiáticas em cinco ocasiões: 1994, 2002, 2014, 2018 e 2022, além de 2026. Contudo, apenas na primeira vez esteve perto de uma possível classificação, ficando a dois pontos da Coreia do Sul, que participou da Copa do Mundo naquele ano.
Time-base
A escalação base do Iraque é a seguinte: Fahad Talib; Hussein Ali, Zaid Tahseen, Akam Hashem e Merchas Doski; Ibrahim Bayesh, Ali Jasim, Aimar Sher e Amir Al-Ammari; Aymen Hussein e Mohanad Ali.
O país
O Iraque está situado em uma das regiões mais significativas da história da humanidade, onde se localiza a antiga Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre. O país possui uma área total de 438.317 km² e uma população de aproximadamente 40.222.503 habitantes, sendo Bagdá a sua capital. A economia iraquiana é dominada pela atividade petrolífera.
A trajetória política do país nos últimos anos é marcada por conflitos. Saddam Hussein governou o Iraque sob uma ditadura que durou 25 anos, até a invasão estadunidense em 2003. Este fato levou à Guerra do Iraque, cujos reflexos ainda afetam a população iraquiana nos dias de hoje. As tropas norte-americanas permaneceram no país até 2011, e em seguida, o Iraque enfrentou uma guerra civil, em decorrência da presença do grupo Estado Islâmico em seu território.
Celebridade
Um dos grandes nomes do Iraque é Kadhim Al-Sahir. O cantor é reconhecido não apenas como uma das principais figuras do país, mas também como uma das vozes mais destacadas da música árabe. Conhecido como “O César”, Al-Sahir já vendeu mais de 100 milhões de álbuns e possui um repertório com mais de 40 sucessos.
Além de seu talento musical, Kadhim Al-Sahir também se destacou politicamente. Sua carreira sofreu um impacto negativo devido à Copa do Golfo, o que o levou a deixar o país. Contudo, mesmo à distância, ele continuou a defender o povo iraquiano por meio de suas letras durante o regime de Saddam Hussein e também fez apelos por paz durante a invasão norte-americana. Em 2011, o cantor recebeu o título de embaixador da UNICEF.
O que esperar do Iraque
A seleção iraquiana passou por um ciclo repleto de instabilidades. Apesar de ser considerada favorita para o confronto contra a Bolívia, a equipe não transmite total confiança. Aqueles que se acostumaram a um estilo de jogo defensivo sob o comando de Graham Arnold podem ter que ajustar suas expectativas, uma vez que a equipe conta com jogadores com características ofensivas bem marcantes. Contudo, os Leões deverão demonstrar maior determinação no jogo decisivo, uma qualidade que faltou em momentos críticos ao longo das Eliminatórias.
