Italianos buscam exorcizar traumas recentes para disputar a primeira Copa em 12 anos
Trauma da Repescagem
Nesta quinta-feira, em Bérgamo, a seleção italiana de futebol enfrentará mais uma vez um desafio que traz à tona um fantasma conhecido. O trauma que assola a Itália é relacionado à "repescagem europeia para a Copa do Mundo", uma situação que resultou na ausência da Azzurra, tetracampeã e tradicionalmente temida, nas últimas duas edições do torneio. Diante da Irlanda do Norte, a Itália joga sua vida em busca de uma vaga no maior palco do futebol mundial, na semifinal da repescagem europeia. Caso a equipe seja derrotada em casa, seu destino será fechado com mais uma ausência na Copa do Mundo. Se vencer, ainda enfrentará o vencedor do confronto entre Bósnia e País de Gales para tentar retornar ao Mundial.
Entretanto, nada disso poderá acontecer se a Itália não cumprir sua obrigação em casa contra a Irlanda do Norte. E é justamente esse dever que tem atormentado a seleção nas últimas duas repescagens. Curiosamente, nas duas ocasiões em que a Azzurra caiu nesta fase, teve a oportunidade de se classificar jogando em casa, um cenário bastante semelhante ao da partida desta semana.
A Decepção de Milão
Após perder por 1 a 0 para a Suécia, fora de casa, no primeiro jogo, a expectativa era de que a Itália conseguiria, ao menos, vencer pelo placar mínimo para levar a partida para a prorrogação. Contudo, o que ocorreu foi um completo desespero e uma decepção profunda para todos os italianos presentes no San Siro naquela noite de 13 de novembro de 2017.
A seleção italiana, contando com jogadores como Jorginho, Buffon e Bonucci, tentou, insistiu e fez de tudo para superar a defesa sueca, porém sem sucesso. O empate sem gols resultou na classificação dos suecos para o Mundial, deixando os italianos atônitos, tanto dentro quanto fora de campo. Assim, a Azzurra ficou fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez em 60 anos.
Vexame em Palermo
De maneira similar ao que aconteceu nas Eliminatórias anteriores, a Itália enfrentou dificuldades e novamente foi para a repescagem. O que deveria ter servido como aprendizado para a seleção italiana apenas intensificou o trauma em 2022. Nesta ocasião, o fantasma da repescagem não apenas se repetiu, mas veio com uma dose extra de crueldade e incompetência.
Em um contexto semelhante ao que se apresenta nesta semana, a Itália teve a oportunidade de jogar em casa contra a Macedônia do Norte para avançar na repescagem. O que parecia ser apenas um jogo protocolar, preparando o caminho para um duelo decisivo contra Portugal na sequência, tornou-se um verdadeiro pesadelo.
O roteiro trágico começou a se desenhar ao longo dos 90 minutos da partida. Assim como na partida contra a Suécia, a Itália dominou o jogo e teve as melhores oportunidades. À medida que o empate se mantinha, o jogo se encaminhava para a prorrogação, no entanto, o castigo veio de forma cruel nos acréscimos do segundo tempo. O gol de Aleksandar Trajkovski destruiu o sonho italiano e transformou-o em um pesadelo que duraria pelo menos mais quatro anos. A Macedônia avançou, mas foi eliminada por Portugal. Já a Itália continuou a enfrentar seu calvário.
Oásis de Esperança
Curiosamente, em meio aos dois maiores vexames da história da seleção, a Itália conquistou o título da Eurocopa em 2020. A Azzurra avançou com dificuldade nas fases eliminatórias e, na final, venceu a Inglaterra nos pênaltis, em uma trajetória que lembrava a conquista da Copa do Mundo de 2006.
No entanto, o que parecia ser um fio de esperança para a recuperação da Itália, na verdade, foi apenas um lampejo, um despertar apressado de uma gigante que estava adormecida desde 2014.
