Ataque americano que matou o aiatolá Ali Khamenei pode influenciar na participação do país do Oriente Médio no Mundial
Faltando menos de 100 dias para a Copa do Mundo, a presença do Irã no torneio torna-se uma incógnita diante do crescente conflito entre Israel e os Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, parece não se preocupar com essa situação. Em uma entrevista coletiva realizada na terça-feira, dia 3, ele foi questionado sobre a possibilidade da seleção iraniana estar presente nos Estados Unidos durante a competição e não hesitou em expressar seu desdém.
Declarações de Donald Trump
"Não estou nem aí. Penso que o Irã é um país derrotado. Estão esgotando as últimas munições", afirmou Trump. A posição oficial do Irã sobre o assunto ainda não foi divulgada. No mesmo dia, representantes iranianos não compareceram a uma reunião em Atlanta, promovida pela Fifa, que incluía debates e workshops voltados para as federações nacionais que participarão do torneio.
A Fifa, que não comentou as declarações de Trump, tem se esforçado para evitar que questões geopolíticas ofusquem a Copa do Mundo. No entanto, com a guerra em curso, a possibilidade de que jogadores iranianos consigam viajar para os Estados Unidos permanece incerta.
Jogos do Irã na Copa do Mundo
O Irã está programado para enfrentar a Nova Zelândia em Los Angeles no dia 15 de junho, a Bélgica, também em Los Angeles, no dia 21, e o Egito em Seattle no dia 26. Caso as seleções dos Estados Unidos e do Irã terminem na segunda posição em seus respectivos grupos, elas poderão se encontrar na fase seguinte do torneio, que ocorrerá no dia 3 de julho em Dallas.
Reação do dirigente iraniano
Após os ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e por Israel, o principal dirigente do futebol iraniano, Mehdi Taj, declarou que a possibilidade de enviar uma equipe para a Copa do Mundo está em dúvida. "O que é certo é que, após este ataque, não podemos esperar que encaremos a Copa do Mundo com esperança", afirmou Taj.
Antes mesmo do início do conflito militar, já havia especulações acerca da permissão para que torcedores e autoridades iranianas pudessem comparecer ao torneio. O Irã é um dos dois países participantes que estão sujeitos a uma proibição de viagens bastante restritiva imposta por Trump.
Proibição de viagens e suas implicações
Essa proibição é direcionada especificamente às delegações oficiais de cada país, mas deixa a cargo do Departamento de Estado a decisão sobre conceder ou negar exceções de visto para outros indivíduos, incluindo figuras do governo ou executivos de empresas patrocinadoras.
Em dezembro, o Departamento de Estado não aprovou todos os pedidos de visto feitos por representantes iranianos que desejavam participar do sorteio da Copa, realizado em Washington. Em resposta, o Irã ameaçou boicotar a cerimônia, o que levou a Fifa a intervir e mediar a situação.
Segurança e decisões governamentais
Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa, afirmou em janeiro que as preocupações com a segurança seriam levadas em consideração nas decisões do governo sobre quais tipos de exceções poderiam ser feitas à proibição de viagens. Contudo, na terça-feira, dia 3, ele mudou sua abordagem e declarou que "a ação decisiva do presidente Trump para eliminar o aiatolá (Ali Khamenei), o mais notório patrocinador estatal do terrorismo, remove uma grande ameaça desestabilizadora e ajudará a proteger pessoas em todo o mundo, incluindo americanos e os milhões que planejam comparecer à Copa do Mundo nos Estados Unidos".
