Eduardo Domínguez próximo de assumir o comando do Atlético
O Atlético Mineiro está em negociações avançadas com o argentino Eduardo Domínguez para assumir o cargo de técnico do clube, após a demissão de Jorge Sampaoli, seu compatriota. Sampaoli foi dispensado na semana passada devido ao início irregular da temporada. Eduardo Domínguez, que possui 47 anos, estava à frente do Estudiantes desde 2023, período em que conquistou cinco títulos. Durante sua passagem, levou o Estudiantes até as quartas de final da CONMEBOL Libertadores no ano passado, onde a equipe foi eliminada pelo Flamengo.
Estilo de liderança
Postura no vestiário
Eduardo Domínguez adota uma postura direta e firme dentro do vestiário. Ele exige intensidade, disciplina tática e comprometimento de seus jogadores. Ao contrário de alguns treinadores que têm um estilo mais paternalista, ele não se apresenta como um "paizão", mas protege seus atletas quando a pressão externa aumenta. Domínguez evita expor seus comandados em entrevistas e raramente transforma divergências internas em assuntos públicos. Seu comportamento fora de campo é sóbrio, evitando frases de efeito e embates desnecessários. Ele prefere que o seu trabalho se evidencie mais do que o discurso.
Gestão em momentos de crise
Em períodos de crise, Domínguez tende a fechar o grupo, reduzindo a exposição e centralizando as decisões. Ele simplifica o modelo de jogo, priorizando a solidez defensiva e resultados imediatos. A recuperação da confiança, a melhora na competitividade e a pontuação são focos principais, com a busca por um desempenho mais vistoso sendo deixada para um segundo momento. Essa abordagem privilegia a organização em detrimento do espetáculo.
Pontos fortes e desafios
Reputação de estabilidade emocional
Eduardo Domínguez é conhecido por sua estabilidade emocional, não reagindo a críticas externas e mantendo suas convicções mesmo diante de sequências negativas. Há uma coerência notável entre suas palavras e as ações que realiza no campo. Suas equipes, em geral, são organizadas e apresentam resistência, respondendo de forma eficiente tanto em torneios de mata-mata quanto em campeonatos de longa duração. Domínguez também evita criar crises públicas e mantém a pressão por resultados.
Necessidade de alinhamento interno
Por outro lado, Domínguez não possui um perfil midiático. Ele não mobiliza a torcida por meio de discursos e não constrói uma relação baseada em carisma. Seu estilo de jogo é pragmático e focado na eficiência, o que pode gerar questionamentos em ambientes que exigem espetáculo. Um fator importante é a necessidade de um alinhamento interno. Carinhosamente chamado de "Barba", ele se destaca quando encontra uma estrutura mínima e respaldo da diretoria.
Relação com dirigentes e a imprensa
Eduardo Domínguez valoriza projetos bem definidos e a estabilidade nas relações. Ele não costuma solicitar reforços publicamente nem expor divergências. Prefere tratar suas demandas de maneira reservada. Quando percebe falta de organização ou apoio, o desgaste pode aumentar. Contudo, quando conta com respaldo, mantém uma relação profissional e discreta.
Caso assuma o Atlético Mineiro, Domínguez terá a responsabilidade de organizar a equipe e reverter a situação do clube, sem fazer promessas grandiosas, mas com um método de trabalho claro, firmeza e pouco ruído.
Características táticas
Eduardo Domínguez tende a montar suas equipes a partir de um sistema-base com três zagueiros. O 3-5-2 é a formação mais utilizada, que pode ser alterada para 5-3-2 em momentos defensivos. De acordo com as características do elenco, ele também pode adotar o 4-4-2, sem perder a ideia central de equilíbrio.
Uma das marcas registradas de seu estilo é a defesa compacta, com linhas próximas, pouco espaço entre os setores e baixa exposição. O time não se lança de maneira desordenada, priorizando a proteção da própria área antes de pensar em atacar. A pressão não é constante; Domínguez escolhe momentos específicos para acelerar a marcação. Quando recupera a posse de bola, a transição é rápida, buscando verticalidade com poucos passes e um ataque direto aos espaços. Ele não é apegado à posse prolongada, priorizando a objetividade.
As bolas paradas, como escanteios e faltas laterais, também são trabalhadas de forma especial e consideradas armas ofensivas importantes. Em suma, Domínguez prioriza o equilíbrio e o resultado antes de qualquer estética.
Curiosidades sobre Eduardo Domínguez
Eduardo Domínguez teve uma carreira como zagueiro, iniciando em 1996 pelo Vélez Sarsfield. Ele passou por empréstimos em clubes como Olimpo, Racing e Independiente, sendo vendido em 2006 para o Independiente Medellín, da Colômbia. Também atuou no Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, e no All Boys. O principal clube de sua carreira foi o Huracán, onde teve três passagens e se tornou capitão e ídolo da torcida.
Uma curiosidade interessante é que Domínguez é genro de Carlos Bianchi, um dos maiores treinadores da história do futebol argentino, multicampeão pelo Boca Juniors. Além disso, seu irmão, Federico Domínguez, foi dirigente do Atlético de Rafaela, clube que atualmente compete na Primera Nacional, equivalente à segunda divisão do futebol argentino.
Números da carreira como treinador
- Huracán (2015–2016): 50 jogos, 17 vitórias, 20 empates e 13 derrotas. Média de gols: 1,14.
- Colón (2017–2018): 65 jogos, 28 vitórias, 19 empates e 18 derrotas. Média de gols: 1,28.
- Nacional-URU (jan. 2019–mar. 2019): 8 jogos, 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Média de gols: 1,50.
- Colón (2020–2021): 56 jogos, 28 vitórias, 12 empates e 16 derrotas. Média de gols: 1,45.
- Independiente (jan. 2022–jul. 2022): 29 jogos, 11 vitórias, 8 empates e 10 derrotas. Média de gols: 1,48.
- Estudiantes (2023–fev. 2026): 163 jogos, 74 vitórias, 44 empates e 45 derrotas. Média de gols: 1,45.
Títulos conquistados
- Estudiantes: Copa da Argentina (2022), Troféu dos Campeões (2023/24 e 2024/25), Copa da Liga Argentina (2023/24) e Troféu Clausura (2025).
- Colón: Copa da Liga Argentina (2020/21).
- Nacional-URU: Supercopa Uruguaia (2018/19).