Anselmi conhece os limites da resistência.

Entrevista Coletiva de Martín Anselmi

A entrevista coletiva do técnico Martín Anselmi, realizada nesta quinta-feira (12) no Maracanã, revelou sinais claros de irritação e cansaço por parte do treinador rosarino, que está à frente do Botafogo há menos de dois meses. As razões para essa insatisfação são evidentes. O controlador John Textor não forneceu as condições adequadas para o início do trabalho, e o transfer ban impediu a inscrição de jogadores, dificultando a atuação do departamento de futebol na identificação e correção das principais lacunas do elenco.

Problemas no Elenco

O Botafogo enfrentou problemas significativos, como a perda do goleiro Andrew, que foi para o Flamengo, e a saída do volante Medina, que não pôde ser registrado neste primeiro semestre. Além disso, o clube se desfez do bom jogador David Ricardo, substituindo-o por Ythallo, que ainda é uma incógnita para a equipe. Até o momento, em sete partidas, Anselmi não conseguiu formar um trio de zaga com jogadores de ofício, recorrendo sempre a improvisações. Poderia ser feita uma lista extensa de outras carências no plantel, mas não é o intuito causar mais desgosto aos torcedores, especialmente com a proximidade do Carnaval e após a quarta derrota consecutiva do time alvinegro. O Botafogo, sem dúvida, está ciente desses problemas.

Apelo Direto ao Controlador

Depois de algumas mensagens sutis em entrevistas anteriores, Anselmi foi direto ao abordar a situação, fazendo um apelo claro ao controlador da SAF: “O Botafogo não pode mais vender jogadores”. Essa súplica, no entanto, está além do controle do treinador. Na semana retrasada, Montoro e Danilo, que são opções essenciais e reservas técnicas da equipe, quase foram negociados com o Nottingham Forest, da Inglaterra, por valores irrisórios. O técnico argentino compreende bem a situação e reconhece que, apesar de o Glorioso ainda contar com um bom material humano, falta um conjunto capaz de sustentar a competitividade desejada até o final do ano.

Análise do Desempenho

Desempenho em Clássico

De forma bastante sincera, Anselmi reconheceu que o Botafogo não conseguiu executar o que havia treinado para o clássico contra o Fluminense: “Não fomos quem queríamos ser. Temos jogadores com a capacidade, porque me demonstram no dia a dia”, lamentou o treinador. O time não conseguiu avançar com a posse de bola, cometeu falhas nas transições, cometeu muitos erros de passes e criou apenas uma oportunidade significativa, que surgiu em uma jogada de bola parada. O Botafogo teve menos apetite em campo do que seu adversário. Além disso, não soube aproveitar a vantagem numérica que surgiu com a expulsão de um jogador do Fluminense. Portanto, faltou uma autocrítica, pois essa desconexão também é responsabilidade do treinador, que desempenha o papel de líder do grupo.

Turbulências no Botafogo

Há duas semanas, a situação era bem diferente. Todos estavam “anselmizados”, celebrando as três vitórias consecutivas do Botafogo, incluindo uma goleada sobre o Cruzeiro, o que era um motivo válido para comemorações. Contudo, esta análise já havia alertado sobre o risco do comportamento “8 ou 80” que caracteriza o bielsismo, o qual pode flertar com desastres esportivos quando os resultados não aparecem. Martín Anselmi demonstra coragem e trabalha arduamente para extrair o melhor de sua equipe, assim como a audácia sempre esteve presente no trabalho de Marcelo Bielsa, seu principal guru. Anselmi parece ter abraçado as convicções de Bielsa, mostrando-se inflexível, mesmo diante de adversidades.

Importância das Competições

Prioridades do Botafogo

Em meio a toda essa situação, Anselmi deixou claro que qualquer jogo da Copa Libertadores ou rodada do Campeonato Brasileiro é mais relevante do que uma final do Campeonato Carioca, a qual considera decadente e irrelevante no calendário atual. Não há espaço para debate sobre isso. Independentemente de o adversário ser o Flamengo ou o América de São José do Rio Sem Peixe, o Botafogo precisa agir com prudência. Se possível, escalaria a equipe sub-17. A decisão não é no domingo (15), contra o Flamengo, no Estádio Nilton Santos, pelas quartas de final do Estadual. A vida do Glorioso, em 2026, começa a ser decidida em Potosí, na Bolívia, a mais de 4 mil metros de altitude. Essa competição internacional é crucial para as finanças do clube, e a classificação se torna uma questão imperativa. “A abordagem da viagem é muito complexa. Temos que viajar, subir no dia de jogo, de carro, mais de três horas, para poder jogar no ar rarefeito”, alertou Anselmi.

Related posts

Fluminense enfrenta rival que causou recente derrota no Maracanã

Fifa muda horário da partida do Brasil na Copa do Mundo

Ex-jogador do Corinthians se junta a dupla de ex-atletas do Fluminense na cobertura da Globo para a Copa do Mundo

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade. Leia Mais