ORLANDO ANTUNES


A realidade do nosso futebol é muito mais que triste. Recentemente a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, impôs ao Brasil dificuldades na balança comercial, fruto do anunciado escândalo de fraudes no processo de manufatura de carnes nos frigoríficos. Menos mal que tudo já passou, ou está sendo contornado.

No futebol, no que podemos chamar de "Operação bola murcha", muitos jogadores já estão desempregados, fruto do desempenho de seus times nas diversas competições. Exceto àqueles que ainda têm um calendário completo, como Copa Verde, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Primeira Liga e ainda a Libertadores da América.

Não é o caso do futebol mato-grossense, onde apenas Luverdense (Série B e Copa Verde), Cuiabá (Série C), Sinop e Araguaia (Série D) mantém ou podem manter seus plantéis em atividade. O demais clubes se desfizeram de seus jogadores. Alguns que foram destaque e que se " arrumaram" em times menores como Tocantins, Amazonas , Rondônia e Acre. Os demais vão passar mais de um semestre sem emprego, pois a Copa Mato Grosso abriga apenas jogadores de até 21 anos. Quem for mais velho vai jogar pelada nos diversos campeonatos amadores da Baixada Cuiabana.

Não se pode culpar exclusivamente a Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) por isso. A culpa maior é exatamente dos times que não se estruturam. É sempre assim: monta-se um time apenas para aquela competição e os dirigentes não acreditam num futuro e, aliás, nem se preparam para isto, para as eventuais competições seguintes. Tem time que fica torcendo para o campeonato acabar, para diminuir as despesas de folha de pagamento (quando paga), alimentação de alojamento, e ainda torcer muito, dentro e fora de campo, para não cair para a Segunda Divisão. É uma ciranda que se arrasta há anos.

Pior:  no futebol que é regido por contrato temporário e raras vezes o jogador tem carteira assinada, não há o seguro-desemprego. Como a maioria desses jogadores não têm outra atividade paralela, o jeito é disputar os “Peladões”. Pra quem é solteiro e mora com os pais, o problema é menor, mas na sua maioria são jogadores casados, com família para prover. É mais um problema social para ser resolvido. É preciso incluir o futebol na lista dos mais de 13 milhões de desempregados. No Brasil e em Mato Grosso.

 

Fonte: Redação