JORGE MACIEL


A derrota de João Carlos nas eleições da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) foi consequência do desejo de novos conceitos na gestão do futebol profissional.  João Carlos pecou por insistir em não ousar, não criar fórmulas que pudessem levar ao melhoramento do futebol. A mesmice das atitudes da direção da FMF sob João Carlos tornou-se algo enfadonho, num fenômeno que se constitui como “falta de perspectivas”, sem direção e futuro definidos.

João Carlos não é um incompetente e não agiu no tempo em que está à frente da FMF com má fé. Pecou por manter a política plácida e inócua que vem sendo seguida há anos naquela federação. Os quadros são os mesmos, o modus operandi o mesmo, o descanso nas ações idem.

Aron Dresch não representa exatamente o novo. Mesmo com seu estilo nada transparente e alguém extremamente arredio a questionamentos, Dresch se ancorou em uma proposta, a mesma que João Carlos propalou naquele tempo em que assumiu definitivamente a FMF. E nada fez do que prometeu.

Ao Aron Desch, ao assumir, virá o clima inicial de lua de mel, mas o tempo pouco mais á frente trará – se não mudar mesmo !! – cobranças. O que se quer da FMF é que a entidade tenha em mente que trata-se de uma organização privada, com perfil público – daí a necessidade de permanente interação com o público.

A FMF precisa ser uma entidade de dentro para fora, não um “clube de bolinha” com meia dúzia de protegidos e abnegados, com bons salários, que se escondem em salas e tomam decisões, as mais estrambóticas. Basta ver que, com a desculpa de que três times (isso acontece todos os anos) estão em competições nacionais, a tabela do Estadual tenha sido mexida e alterada, no conjunto da obra, sete vezes só nesta temporada.  Esse contrato esquisito com a TVCA em que os times levam 30 mil e nem podem compartilhar com os atores do show, os jogadores, enquanto a emissora fatura alto com a venda de placas para o governo e empresas de porte, que transmite jogo da Arena Pantanal para a cidade de Cuiabá, afastando os torcedores, precisa ser revisto. Uma comissão de arbitragem com pensamento de clube de caserna precisa ser sacudida, reoxigenada.

São esses e alguns outras tantos fatores que tornaram a atual gestão não só ineficiente, mas extremamente resistente às transformações. Não sei se estar presidente de um clube como o Cuiabá – que tem números positivos e curiosa ascensão – seja suficiente para dar esperanças de rumos certos, mas o sentimento de mudança foi o que certamente moveu a derrota de João Carlos e a troca de um comando após décadas de inalterabilidade.

Fonte: Redação