O ex-goleiro Bruno Fernandes ganhou habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele pode ser solto a qualquer momento. Segundo o STF, a decisão foi deferida pelo ministro Marco Aurélio, que assumiu o caso no lugar do ministro Teori Zavaski, que morreu em um acidente aéreo em Paraty, em 19 de janeiro.

Bruno está detido na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) em Santa Luzia, Minas Gerais. Ele cumpre pena de 22 anos e 3 meses pela morte de Eliza Samúdio, com quem teve um filho.

"Expeçam alvará de soltura a ser cumprido com as cautelas próprias: caso o paciente não se encontre recolhido por motivo diverso da preventiva formalizada no processo nº 079.10.035.624-9, do Juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Contagem/MG. Advirtam-no da necessidade de permanecer na residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamamentos judiciais, de informar eventual transferência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”, determinou Marco Aurélio.

O ministro disse ainda. “Os fundamentos da preventiva não resistem a exame. Inexiste, no arcabouço normativo, a segregação automática tendo em conta o delito possivelmente cometido, levando à inversão da ordem do processo-crime, que direciona, presente o princípio da não culpabilidade, a apurar-se para, selada a culpa, prender-se, em verdadeira execução da pena. O Juízo, ao negar o direito de recorrer em liberdade, considerou a gravidade concreta da imputação. Reiterados são os pronunciamentos do Supremo sobre a impossibilidade de potencializar-se a infração versada no processo", continuou.

O goleiro Bruno Fernandes, de 32 anos, ex-jogador do Flamengo, deixou a prisão nesta sexta

"O clamor social surge como elemento neutro, insuficiente a respaldar a preventiva. Por fim, colocou-se em segundo plano o fato de o paciente ser primário e possuir bons antecedentes. Tem-se a insubsistência das premissas lançadas. A esta altura, sem culpa formada, o paciente está preso há 6 anos e 7 meses. Nada, absolutamente nada, justifica tal fato. A complexidade do processo pode conduzir ao atraso na apreciação da apelação, mas jamais à projeção, no tempo, de custódia que se tem com a natureza de provisória.”

RELEMBRE O CASO
Em junho de 2010, a Polícia Civil de Minas Gerais declarou o goleiro Bruno suspeito do desaparecimento de Eliza Samudio. O jogador inclusive chegou a ter a prisão preventiva decretada. Em 6 de março de 2013, o jogador admitiu a morte de Eliza Samudio e culpou o amigo Macarrão pelo crime.

Em 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e 6 meses em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e uso de meio que dificultou a defesa da vítima), cárcere privado e sequestro de Eliza e de Bruninho e ocultação de cadáver. Por sua confissão, sua pena foi reduzida em três anos, mas aumentada em seis meses por ter sido "mandante".

VOLTA AOS GRAMADOS
Durante os seis anos que esteve preso, o goleiro Bruno chegou a tentar retomar a carreira como jogador de futebol, mas sem sucesso. Ele esteve em contato com o Villa Nova, de Minas Gerais, e ainda chegou a ser dado como certo na equipe de Montes Claros, porém, nunca havia conseguido a liberação para trabalhar fora da penitenciária.

Neste ano, chegou a ser cotado para reforçar o Independente, de Limeira, time que está na lanterna do Campeonato Paulista da Série A3, que tem como técnico Piá, polêmico jogador com passagens por Ponte Preta e Corinthians

 

Fonte: Redação