Por: ORLANDO ANTUNES

Zetti, Vitor, Válber, Júnior Baiano, Doriva, André Luiz,  Muller, Cafu,Palhinha, Leonardo,  Euller, Rogério Ceni, Gilmar, Axel, Juninho, Caio, Nem, Ronaldo Luiz, Guilherme, Marcos, Jamelli, Danilo,  Douglas, Bordon, e Thiago. Estes foram os jogadores do São Paulo inscritos na temporada de 1994 para a disputa da Copa Libertadores da América. Entre tantas estrelas, como o goleiro Rogério Ceni, que iniciou a carreira no Sinop Futebol Clube e hoje comanda o Tricolor do Morumbi, não há nenhum Samuel Esteves.

Atual treinador do Operário Futebol Clube Ltda no Campeonato Mato-grossense, Samuel Esteves alega e exibe em seu currículo ter defendido o clube paulista entre os anos de 1992 a 1996. Na verdade nunca vestiu a camisa do São Paulo Futebol Clube.

Por telefone o presidente do Operário Futebol Clube, Sebastião Viana, que no Rio de Janeiro, disse ter ‘desconfiado’ do tal treinador e revelou que Esteves foi contratado pelo seu parceiro na gestão do clube, um empresário conhecido apenas como Fabrício.

“Não me surpreende essa notícia”, lamentou Viana, e ainda explicou que parte das despesas com o elenco (50%) são pagas pelo parceiro que ele sequer lembrou o sobrenome.

“Não lembro o sobrenome dele”, disse o presidente do Operário Ltda, que estreou no Mato-grossense com derrota de 1 x 0 para o Araguaia no último domingo. Por fim, Viana ‘decretou’ a demissão de Esteves. “Não fui eu quem contratei, mas por mim está demitido!”, disse o proprietário do clube empresa.

De jaqueta preta, à direita do goleiro, Samuel posa como técnico do time, que também tem uma história complicada em Mato Grosso

Edivaldo Oliveira, que é o gerente do Operário Ltda, alegou que desconhecia a prisão de Esteves, e o defendeu: “Eu conheço o Samuel e trabalho com ele há uns 4 anos. Nunca soube disso. Eu o contratei. Se ele teve alguma acusação em 2005, acredito que já deva ter pago à Justiça”, opinou o dirigente.

*PRISÃO*
No ano de 2005 Esteves foi preso, acusado de estelionato. Segundo reportagem do jornal ‘Diário do Grande ABC’, de Santo André, datada em 3 de setembro daquele ano, “Esteves e um comparsa fingiam trabalhar para o ex-jogador e treinador de futebol Rui Ramos. Eles queriam selecionar jovens atletas no Brasil e enviá-los para jogar no Japão.

Um dos criminosos se passava pelo próprio técnico Rui Ramos. Os golpistas já tinham fechado contrato com a empresa Sinal Ronda, patrocinadora do Esporte Clube Santo André, com o objetivo de lucrar com a venda de novos talentos. Os acusados, Nicola Barbieri  e Samuel de Oliveira Esteves, foram presos em flagrante.

Tudo começou com uma proposta de intercâmbio de jogadores entre Brasil e Japão enviada em abril, por e-mail, pelo suposto Rui Ramos ao jogador do Santo André Dedimar Souza Lima. O atleta tem um projeto de seleção e capacitação de jovens carentes no futebol no interior da Bahia.

De lá sairiam os atletas que iriam jogar no Oriente. O jogador, que não conhece o técnico Rui Ramos pessoalmente, só respondeu a mensagem em junho. Dedimar se interessou pela idéia e procurou o empresário Herminio Taniolo, sócio-proprietário da Sinal Ronda, que também patrocina o projeto do jogador. Ainda no mês de junho, ambos se reuniram com dois supostos emissários de Rui Ramos (os homens presos na quinta).

Crentes de que negociavam com gente de confiança do verdadeiro Rui Ramos, os empresários assinaram contrato de um ano. O documento estipulava que a dupla ficaria encarregada de selecionar e treinar jovens talentos do futebol participantes do projeto de Dedimar. Pelo trabalho, receberiam R$ 25 mil mensais. A primeira parcela foi paga no dia 1º de agosto.

Segundo a reportagem do ‘Diário do Grande ABC’, para falar ao telefone passando-se por Rui Ramos, Samuel de Oliveira engrossava a voz. Forneceu dois números aos parceiros do negócio. Um deles seria da Confederação Japonesa de Futebol e outro de seu celular. O verdadeiro Rui Ramos mora e trabalha no Japão. Segundo a polícia, a dupla teria se utilizado de um truque nos telefones para que a chamada caísse nas linhas utilizadas em São Paulo.

A desconfiança começou quando o jogador Dedimar, num dos contatos telefônicos, perguntou a "Rui" informações sobre o campeonato japonês de futebol. O interlocutor, então, simulou uma falha na ligação e desligou.

O sócio-proprietário da Sinal Ronda, Herminio Taniolo, e o atleta acionaram os investigadores do 1º Distrito Policial de Santo André. Foram aconselhados a continuar mantendo os contatos com os estelionatários para que a polícia pudesse fechar o cerco e dar o flagrante.

No dia 1º de setembro, quando vencia a segunda parcela do pagamento previsto em contrato, um dos investigadores se fez passar por contador da Sinal Ronda. Quando o empresário entregou o dinheiro a Nicola Barbieri, o policial deu voz de prisão. Ele contou que o comparsa estava em Laranjal Paulista.

A polícia ligou para Samuel de Oliveira e solicitou que ele fosse à delegacia prestar esclarecimentos. Em princípio, relutou, mas foi convencido por Barbieri. O falso Rui confessou o golpe. Os dois foram
presos na Cadeia Pública de Santo André. Nicola Barbieri já tinha duas passagens por estelionato, na época.

Fonte: Redação